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Quais vacinas contra covid são aceitas para entrar em diferentes países

Entenda quais vacinas são aceitas atualmente para viagens ao exterior - Getty Images/iStockphoto
Entenda quais vacinas são aceitas atualmente para viagens ao exterior Imagem: Getty Images/iStockphoto

Priscila Carvalho

Colaboração para Nossa

22/07/2021 04h00Atualizada em 23/07/2021 14h55

A reabertura de alguns países ao turismo para viajantes vacinados deu início a um fenômeno: a busca por certos tipos de vacinas, que teoricamente seriam mais "aceitas" fora do Brasil.

A ideia, contudo, não faz sentido do ponto de vista sanitário — todas as vacinas no Brasil têm eficácia contra casos graves da covid-19 — e nem turístico, já que a tendência em um mundo com a pandemia controlada é de que todas as vacinas sejam aceitas.

Mesmo assim, muita gente se pergunta: quais países estão abertos atualmente para turistas vacinados e quais imunizantes são aceitos?

A Suíça foi um dos primeiros a anunciar sua reabertura para turistas brasileiros vacinados contra a covid-19. Desde o anúncio, o país entrou na lista dos mais procurados por brasileiros. De acordo com uma pesquisa divulgada pelo buscador de passagens aéreas Kayak, houve um aumento de 146% para a cidade de Zurique e 144% para Genebra.

No último sábado (17), a França também anunciou a abertura do país para brasileiros totalmente vacinados.

As vacinas e os países

A lista de países que liberam a entrada para pessoas imunizadas e das vacinas aceitas será atualizada semanalmente, sempre às quintas-feiras.

Ao comprar uma passagem aérea e planejar uma viagem internacional, o turista precisa ficar atento e ler todas as informações disponíveis no site de cada embaixada.

Lembrando que só tomar a vacina não garante passe livre para entrar em um determinado destino — alguns que aceitam turistas vacinados seguem fechados para brasileiros, por exemplo.

Abaixo, fizemos uma relação que intercala vacinas aceitas por países abertos para turistas e vacinas sendo aplicadas em cada país no mundo — a tendência é que se um país aplica determinada vacina, ela deverá ser aceita posteriormente para viajantes:

AstraZeneca

União Europeia*, Suíça, Canadá, México, Anguilla, Antígua e Barbuda, Armênia, Bahamas, Barbados, Belize, Bermudas, Bolívia, Bósnia, Botswana, Colômbia, Coreia do Sul, Costa Rica, Croácia, Dominica, Emirados Árabes, Equador, Egito, Etiópia, Finlândia, Gana, Geórgia, Granada, Guatemala, Honduras, Sint Maarten, Islândia, Jamaica, Maldivas, Marrocos, Montenegro, Namíbia, Nicarágua, Peru, Panamá, Seychelles, Sri Lanka, Inglaterra.

*A Covishield, AstraZeneca fabricada na Índia, ainda não está sendo aceita.

Pfizer/BioNTech

União Europeia, Estados Unidos, África do Sul, Bermudas, Bolívia, Bósnia, Canadá, Colômbia, Coreia do Sul, Costa Rica, Croácia, Emirados Árabes, Equador, Finlândia, Honduras, Aruba, Bonaire, Curaçao, Sint Maarten, ilhas Turcas e Caicos, Islândia, Maldivas, Montenegro, Peru, Panamá, Qatar, República Dominicana, Sérvia, Inglaterra e Suiça.

Janssen

União Europeia, Estados Unidos, Canadá, Coreia do Sul, África do Sul, Finlândia, Honduras, Islândia, Afeganistão.

Moderna

União Europeia, Finlândia, Estados Unidos, Canadá, Coreia do Sul, Croácia, Guatemala, Honduras, Bonaire, Curaçao, Sint Maarten, Islândia, Qatar, Inglaterra.

Sinovac (CoronaVac)

Armênia, Albânia, Azerbaijão, Benin, Bósnia, Colômbia, Equador, Egito, Finlândia, México, República Dominicana, Camboja, Chile, China, El Salvador, Hong Kong, Indonésia, Líbia, Malásia, Macedônia, Omã, Paraguai, Filipinas, Singapura, Somália, Suíça, Tailândia, Uruguai, Tunísia, Turquia.

Por que NÃO escolher a vacina

As regras para a entrada em outros países passam por mudanças a todo momento e, mesmo que alguns territórios continuem exigindo vacinas específicas, isso não justifica escolher o imunizante e muito menos deixar de recebê-lo. Muito pelo contrário: só atrapalha a imunização e retarda a volta do turismo no mundo.

"A doença não é individual, mas coletiva. Não adianta se vacinar em outro país ou escolher uma vacina para entrar em determinado local. Alguns países ainda estão com altos índices de contaminação", destaca Sylvia Lemos Hinrichsen, infectologista da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia).

A tendência é de que restrições a certas vacinas caiam e que todas com eficácia comprovada — como as liberadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para uso no Brasil atualmente e pela OMS (Organização Mundial da Saúde) — façam parte das listas. A CoronaVac, por exemplo, é aceita para viajantes em vários países, mas ainda está nos estágios finais de aprovação pela entidade europeia, no que alguns até enxergam como "geopolítica das vacinas".

"A Europa ainda não aceita a CoronaVac, mas a vacina é chancelada pela OMS. Então, em breve, deverá entrar na lista de vacinas aceitas. A Europa não pode ficar sem o viajante chinês. É uma questão de tempo", opina Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)

Até agora, a OMS (Organização Mundial da Saúde) listou para uso emergencial as vacinas Pfizer/BioNTech, Astrazeneca/Oxford, Janssen, Moderna, Sinopharm e Sinovac (CoronaVac).

Como comprovar vacinação para viagem?

As pessoas que desejam embarcar para países que aceitem viajantes imunizados devem emitir o certificado online de vacinação. Para isso, é necessário baixar o aplicativo ConecteSUS ou abrir o site para emitir o documento.

O usuário deve fazer um cadastro e clicar no botão "vacinas". Na página, é possível identificar informações como fabricante, data da aplicação e doses.

O certificado digital será disponibilizado quando o indivíduo estiver totalmente imunizado. O comprovante trará informações da pessoa e um QR Code com as versões em português, inglês e espanhol.

Pré-requisitos além da vacina

É importante saber que alguns países exigem quarentena de 10 a 14 dias, testes PCR ou antígenos na entrada e/ou saída de cada território. É bom lembrar também que nem todos os países da lista estão aceitando atualmente brasileiros.

Os Estados Unidos, por exemplo, não exigem um imunizante específico para entrar no país. No caso dos turistas brasileiros, que estão na categoria travel ban (proibição de viajar, em tradução livre) e não podem viajar diretamente para os Estados Unidos, é necessário fazer quarentena de 14 dias em países autorizados a entrar em solo americano.

Na Finlândia, não é obrigatório cumprir quarentena e o turista só precisa apresentar teste PCR. Já no México, não há necessidade de qualquer comprovação de testes PCRs ou quarentena. Basta preencher um formulário online e embarcar.

Por que viajantes do Brasil ainda encontram barreiras severas

Para o Brasil ser aceito em outros lugares do mundo é necessário que o país baixe a alta taxa de contágio de covid-19 e ainda acelere o processo de imunização. "O Brasil tem a pior situação, com baixa cobertura vacinal e medidas sanitárias mais fracas", afirma Bravo, que também atua como coordenadora do CBMEVi (Centro Brasileiro de Medicina do Viajante).

No caso da Espanha, que abriu recentemente para o turismo, viajantes vindos do Brasil ficaram de fora devido às novas variantes identificadas no país, além do ritmo lento de vacinação. "É necessário ter mais de 90% de uma localidade vacinada com as duas doses para ocorrer uma taxa de transmissão menor", explica Hinrichsen.

Desta forma, ser "sommelier de vacina" só atrasa mais a possibilidade de brasileiros viajarem ao exterior.

Atualmente, seis países estão com as fronteiras abertas para os brasileiros sem qualquer tipo de restrição. Já outras 108 nações permitem a entrada de turistas procedentes do Brasil, porém com apresentação de teste PCR e/ou com comprovante de vacinação.

Outros 106 seguem fechados para os viajantes brasileiros. É possível consultar a lista completa clicando aqui. No caso da Europa, também é possível consultar a abertura e atualização das fronteiras neste site.

Cada lugar tem regras específicas e é necessário ter cautela antes de comprar uma viagem para o exterior. E mesmo se o país estiver livre para visitação, a infectologista da SBI aconselha esperar e não viajar neste momento, já que ainda estamos em uma pandemia.