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Alemanha: férias de outono viram um caos pela pandemia

As férias começaram em outubro e devem prosseguir até o início de novembro - Getty Images/iStockphoto
As férias começaram em outubro e devem prosseguir até o início de novembro Imagem: Getty Images/iStockphoto

16/10/2020 09h43

Na Alemanha, onde os casos de covid-19 registram forte aumento, também cresce a indignação depois que as autoridades regionais decidiram impor restrições aos turistas nacionais procedentes de "zonas de risco" no país.

Acusados de provocar uma grande confusão entre os alemães antes das férias de outono (hemisfério norte, primavera no Brasil), finalmente alguns estados decidiram flexibilizar as restrições. As férias começaram em outubro e devem prosseguir até o início de novembro.

Os 16 estados federais, que têm competência na área de Saúde, são livres para fixar as próprias restrições, sem que o governo federal de Angela Merkel possa interferir na questão.

Muitas regiões, especialmente as menos populosas, exigiram testes de menos de 48 horas e, em alguns casos, períodos de quarentena aos viajantes de zonas do país consideradas "de risco", ou seja, que registram a cada dia pelo menos 50 novas infecções para cada 100.000 habitantes.

Caso as condições não sejam cumpridas, os visitantes não podem se hospedar em hotéis ou apartamentos turísticos, como os oferecidos pela plataforma Airbnb.

Mas o número de "zonas de risco" é cada vez maior e a Alemanha registrou na quinta-feira um recorde absoluto de novos contágios, com 6.638 casos de coronavírus em 24 horas.

Na Renânia do Norte-Westfalia, estado mais populoso, um habitante a cada quatro, ou seja quase quatro milhões de pessoas, vive em uma zona de risco. Berlim e seus quase 3,7 milhões de habitantes também estão afetados, assim como Stuttgart, Frankfurt, Munique ou Bremen.

O governo pediu aos alemães que passem as férias no país e não no exterior, mas agora estão presos pela situação e muitos não entendem como as normas de saúde permitem viagens pela Europa ou ao continente asiático, mas não que visitem a costa do Mar Báltico ou Brandemburgo, o estado que circunda a capital, eminentemente rural.

As visitas familiares estão autorizadas na maioria dos estados.

O país ampliou na quinta-feira a lista de zonas "de risco", incluindo a região de fronteira com a França, além de áreas próximas a Itália e Polônia.

A chanceler Angela Merkel e os líderes dos 16 estados regionais se reuniram durante várias horas, mas não alcançaram um acordo sobre uma regra nacional comum. A chefe de Governo não escondeu a frustração e se declarou "insatisfeita" com a situação.

À espera de uma eventual solução, a Saxônia retirou a proibição de alojamento, admitindo que não era "proporcional". La Sarre (sudoeste) também suprimiu a obrigação de um teste negativo de menos de 48 horas.

Turistas de uma localidade "de risco" da Renânia do Norte-Westfalia conseguiram que um tribunal administrativo revogasse a proibição de alojamento imposta pelo estado de Baden-Wurtemberg, onde haviam reservado as férias.

O tribunal alegou que o estado não conseguiu apresentar provas de que os hotéis e pensões foram "motores" de infecção.

Os governantes das áreas de "risco" denunciaram que as medidas de proibição foram concebidas com relutância.

"Temos centenas de milhares de pessoas que a cada dia viajam, ida e volta, entre Brandeburgo e Berlim, se encontram em lojas, nos transportes, no trabalho... E um berlinense não está autorizado a passar dois dias em Spreewald (uma reserva natural de Brandeburgo). Tudo isso não faz nenhum sentido", declarou o prefeito de Berlim, Michael Müller (social-democrata).

Além disso, as regras podem afetar ainda mais a economia hoteleira e dos restaurantes, muito abalada pelas restrições impostas em março e pela obrigatoriedade de fechar à noite, ordenada nos últimos dias nas grandes cidades.

O descontentamento também atingiu os laboratórios e os consultórios médicos, que enfrentam os pedidos de testes de diagnóstico dos turistas.

"Há famílias que desejam sair de férias e pedem testes rápidos. Mas não temos a capacidade", advertiu Ulrich Weigeldt, presidente da associação de clínicos gerais.