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Novato dos Patriots conquista técnico, torcida e 'ameniza' saudade de Brady

Mac Jones, quarterback do New England Patriots, durante jogo contra os Browns - Adam Glanzman/AFP
Mac Jones, quarterback do New England Patriots, durante jogo contra os Browns Imagem: Adam Glanzman/AFP

Patrick Mesquita

Do UOL, em Boston (EUA)

16/11/2021 04h00

Substituir o ídolo Tom Brady no New England Patriots. A missão pode ser considerada impossível para boa parte dos quarterbacks da NFL. Imagina para um novato? Mas, aos poucos, o jovem Mac Jones, timidamente, tem feito o torcedor dos Pats olhar um pouco menos para o passado glorioso, comandado pelo antigo camisa 12 que ficou duas décadas na equipe, e sonhar mais com o futuro promissor do ainda garoto de 23 anos.

A reportagem do UOL Esporte esteve no Gillette Stadium, em Foxborough (EUA), no último domingo (14), e acompanhou a vitória dos Patriots por 45 a 7 sobre o Cleveland Browns. Jones teve o jogo mais relevante da carreira até o momento. O camisa 10 acertou 19 dos 23 passes que tentou, lançou para 198 jardas e passou para três touchdowns.

Agora, Jones tem 2,333 jardas aéreas, lançou 13 touchdowns e foi interceptado sete vezes em 10 jogos. Os números ainda são medianos comparados aos de grandes nomes da liga, mas já são os melhores entre os novatos da posição. Desempenho suficiente para deixar os Patriots com seis vitórias e quatro derrotas na atual temporada.

Mais do que estatísticas, a liderança demonstrada logo no primeiro ano como profissional tem, aos poucos, conquistado a torcida. Por razões óbvias, as camisas de Tom Brady e Rob Gronkowski ainda são maioria nas arquibancadas, mas já é possível ver o número 10 ganhar destaque entre quem comparece aos jogos.

"Ele vai conquistar três Super Bowls", gritou um torcedor mais "emocionado" na arquibancada se referindo ao calouro.

Mas se muitos foram pegos de surpresa e esperaram que Jones fosse sofrer muito mais com o peso de substituir Brady, outros estavam mais certos de que o garoto poderia assumir o cargo. Antes da torcida, ele já conquistou a confiança de quem dificilmente dá "moral" para jovens.

Aval dos mestres

Como universitário, Jones jogou em Alabama e teve a oportunidade de trabalhar com uma das mentes mais brilhantes e difíceis de serem conquistadas: o técnico Nick Saban.

Em entrevista para a ESPN dos Estados Unidos, o treinador mostrou um total de zero surpresa com o desempenho do antigo comandado.

"Não me surpreende que ele esteja indo bem", afirmou Saban. "Eu acho que ele encaixa perfeitamente para o Bill Belichick (técnico dos Patriots) porque Mac tem o mesmo tipo de mentalidade. Ele é muito inteligente, instintivo. Ele faz uma grande preparação antes de cada jogo. Vai lá e executa o que precisa ser feito. Exatamente o que Bill gosta."

A propriedade com a qual Saban fala tem razão de ser. O treinador é amigo pessoal do comandante do New England Patriots e sabia exatamente o que Belichick iria querer de um novato.

Se conquistar a confiança de uma das mentes mais brilhantes do futebol americano universitário já era um passo e tanto, imagina ganhar o cargo de quarterback titular após a "era Brady" e ter o aval de Bill Belichick, dono de seis títulos de Super Bowl?

Ao longo de sua vencedora carreira como técnico, Belichick mal trabalhou com quarterbacks novatos como titulares — vale lembrar que Tom Brady assumiu a titularidade dos Patriots apenas no segundo ano de NFL. Mesmo nos tempos de Cleveland Browns, o técnico trabalhou com nomes mais experientes para o comando do ataque.

Sem elogiar muito, Belichick aprova a postura de Jones, principalmente em absorver críticas e pensar nos próximos desafios.

"Nós temos que lidar com coisas diferentes todas as semanas, e Mac fez um bom trabalho, assim como os todos os demais. Todos aprendemos. Como disse, existem desafios diferentes todas as semanas. Sim, ele fez um bom trabalho", disse o técnico sobre Jones após a vitória sobre os Browns.

Jones e o trabalho diário

O que Saban disse sobre Mac Jones se preparar bem para cada jogo fica mais visível para quem vê a postura do quarterback ao explicar seu método de trabalho.

Após a vitória sobre os Browns, Jones fincou os pés em um único discurso, muito similar ao de quem brilha na posição: fazer bem as coisas que parecem ser pequenas.

"Eu acho que se trata de voltar para o treinamento, executar e nós fazemos isso todas as semanas. Quando você entra em um jogo, você precisa apenas executar as jogadas combinadas, e você não pode olhar para onde você está no gramado, você não pode olhar o placar. Você não pode se preocupar com fatores externos", disse. "É apenas treinar, fazer bem as pequenas coisas. Eu acho que nós fizemos um bom trabalho nos preparando para o que queremos. Quando se treina bem, se joga bem."

Uma amostra da confiança adquirida por Jones pode ser vista no vídeo abaixo, onde o quarterback acha Kendrick Bourne com um passe perfeito para um dos touchdowns da vitória sobre os Browns.

E o coração da massa?

Seria muita pretensão dizer que Mac Jones está no caminho de alcançar Tom Brady no coração da torcida dos Patriots, mas a saudade (diferentemente da gratidão eterna) fica um pouquinho menor a cada partida sólida feita pelo novato.

No Gillette Stadium, todos sabem que Jones será comparado a Brady um dia sim e outro também, mas a compreensão tem tornado o caminho mais leve. O "empolgou" também é evitado, principalmente depois do fracasso de Cam Newton, que decepcionou na tentativa de substituir um ídolo como Brady.

"É o primeiro ano dele. Todo mundo está vendo, mas querem que ele chegue no pé de quem estava antes. É tipo o futebol brasileiro. Todo mundo espera que o Neymar chegue aos pés do Ronaldinho. É difícil chegar nesse lugar. Ele está no caminho. Pelo primeiro ano está muito bem. Vamos ver o que ele vai fazer", disse o brasileiro Rafael Martins, torcedor dos Patriots e frequentador assíduo do Gillette Stadium em dias de jogos.

"Ele é nosso quarterback. Ele está melhor do que os demais novatos. Isso (conquistar o torcedor como Tom Brady fez) vai depender. Nesta temporada certeza que não, mas vamos ver em alguns anos", conta o também torcedor Adrien Martin.

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