PUBLICIDADE
Topo

UOL Esporte vê TV

Discussão sobre Maradona vira política e esquenta debate no Fox Sports

Flávio Gomes exibe a camisa número 10 do Napoli e irrita colegas - Reprodução/Fox Sports
Flávio Gomes exibe a camisa número 10 do Napoli e irrita colegas Imagem: Reprodução/Fox Sports

Colaboração para o UOL, em São Paulo

30/10/2020 14h22

No dia em que Maradona completa 60 anos de idade, os comentaristas do Fox Sports Rádio não conseguiram manter a discussão sobre a carreira do jogador no âmbito esportivo, invadiram a seara política, e viram o clima do debate esquentar, principalmente entre Sormani, Benjamin Back e Flávio Gomes.

A discussão teve início quando o comentarista Flávio Gomes mostrou sua camisa do Napoli, número 10, homenageando o aniversariante do dia, maior ídolo do clube italiano. Benjamin Back chamou o comentarista de 'baba-ovo' de argentino.

Na sequência, Fabio Sormani insinuou que a admiração de Flavinho pelo jogador argentino se dá apenas pela questão política, já que Maradona costuma ser associado a uma posição mais de esquerda por conta de uma foto famosa com Fidel Castro. Benja concordou com o comentarista.

A insinuação dos colegas irritou Flávio Gomes, que afirmou que eles foram deselegantes ao reduzir sua admiração por Maradona a uma posição política. Facincani também se intrometeu na discussão, defendendo Flavinho - e o futebol de Maradona.

Benja: "Olha essa camisa. Você é o maior 'baba-ovo' de argentino da história"

Sormani: "Tudo porque ele fumou um charuto com o Fidel Castro"

Benja: Não entendi

Sormani: Tudo porque ele fumou um charuto com o Fidel Castro. Só. Mais nada

Benja: Sem dúvida.

Sormani: Maradona foi espetacular, mas ele não engraxa a chuteira do Cristiano Ronaldo e do Messi. Não engraxa a chuteira do Pelé. Batia de frente com o Gullit. Aliás, quando isso acontecia, ele perdia. E não adianta falar que o Milan tinha um timaço. O Napoli também tinha. Tinha quatro jogadores na seleção da Itália. Sem contar Alemão e Careca. Geniais também. Mesmo nível do Milan. Batia de frente com o Gullit, perdia sempre. Maradona foi um tremendo jogador, mas não é tudo isso que as pessoas dizem. Melhor que Zico e Rivellino, mas não é melhor que Garrincha. Nem cabe na página do Pelé. O Messi dobra o número de gols do Maradona, quintuplica o número de títulos. Não dá para comparar um jogador com o outro.

Flavinho: Eu não vou poder falar?

Benja: Daqui a pouco vai.

Flavinho: Eu quero falar agora porque o assunto da discussão é agora. É bem sério. É deselegante vocês reduzirem minha opinião sobre o Maradona a essa questão política. Nunca desqualifico a opinião de ninguém. A gente brinca, é outra coisa. Foi deselegante. Maradona, quando é comparado a alguém, é comparado ao Pelé. É descabido comparar aos outros. Pelo que ele representa para a história do futebol. Eu vi bastante o Maradona para poder admirá-lo pelo que ele fez no futebol, independente de suas posições políticas. É reducionista achar que tudo que eu penso atribuir à política.

Sormani: É dirigido para mim. Fui eu que falei.

Benja: É para mim também.

Flavinho: É para os dois. Vocês vivem dizendo que eu politizo tudo e vocês vem falar que eu gosto do Maradona porque ele visitou o Fidel Castro.

Sormani: Quem falou fui eu. Aliás, queria saber o que o Maradona fez de importante para o povo da Argentina.

Flavinho: Deu apoio à mães de maio…

Sormani: Eu posso apoiar quem eu quiser. Estou apoiando a causa dos cães abandonados. Mas ele fez o quê?

Facincani: Ele deu uma Copa do Mundo ao povo argentino em um período complicado da política. O papel dele foi dentro do campo, assim como o Pelé para nós. O Maradona é a mesma coisa. Ele modernizou o futebol da Argentina com o jeito de jogar futebol. Ele é extremamente apaixonado por seu país.

Sormani: Argentino é assim, não é só ele. Do jeito que você coloca, parece que o argentino despreza o país.

Facincani: Pelo contrário, eles se identificam com um jogador que demonstra o mesmo carinho que eles têm pelo país. Você não gosta do Maradona, não tem problema. Mas tem que entender o lado de quem admira o futebol do Maradona, como eu, como o Flavinho.

Benja: Eu não discuto se o Maradona jogou bola ou não. Ele jogou muita bola. O que eu acho engraçado é essa 'babação de ovo'. Sempre que se vai falar do Pelé tem um 'mas'. Em 1969, o Pelé fez o milésimo gol e disse para cuidarem das crianças do país. As crianças que ele falou pra tomar cuidado estão aí até hoje sem educação. 'Ah, mas ele não reconheceu a filha'. Não sei o que aconteceu, mas o pessoal desce o pau no Pelé. Mas o pessoal 'baba ovo' para o Maradona. Eu não entendo isso. Eu até sei, mas não vou entrar no mérito.

Sormani: Quando o Pelé faz o milésimo gol e dedica às crianças, ele é rotulado de demagogo. Aí, o Maradona defende as mães da Plaza de Mayo e é celebrado.

Sem uma conclusão da discussão, Benja pediu a palavra e mudou de assunto, avisando que o debate acalorado estava atrasando a programação da atração.

Benja: Vamos voltar aqui, ouvir o Abel Ferreira...

UOL Esporte vê TV