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Paulo Coelho fez 'conselheiro' Kobe se interessar pela indústria literária

O escritor Paulo Coelho: uma das personalidades que um curioso Kobe buscou fora das quadra - Laurent Gillieron/AP
O escritor Paulo Coelho: uma das personalidades que um curioso Kobe buscou fora das quadra Imagem: Laurent Gillieron/AP

Do UOL, em São Paulo

27/01/2020 14h41

Os números impressionantes e amplamente conhecidos dentro de uma quadra de basquete fizeram de Kobe Bryant, morto ontem (26) em acidente de helicóptero, um dos atletas mais importantes do mundo. A aposentadoria na temporada 2015/2016 revelou outra faceta do astro do Los Angeles Lakers: um homem curioso, um empreendedor com uma rede de contatos e influência que chegaram bem mais longe que as quadras.

Um dos ramos ao qual Bryant mais se dedicou com empenho foi a indústria literária, vista como o veículo perfeito para disseminar seu legado -além do amplamente divulgado Oscar vencido em 2018 por um curta-metragem de animação, "Dear Basketball".

O ídolo dos Lakers já tinha livros publicados como o best-seller "The Mamba Mentality", lançado em 2018 como uma espécie de 'livro de autoajuda' inspirado na própria carreira, e "The Wizenard Series: Training Camp", uma história fictícia sobre um treinador de basquete. "Um grande contador de histórias", escreveu a ABC News em 2017 em matéria sobre a obsessão do ex-jogador em virar grande nome do mundo empresarial.

O escritor brasileiro Paulo Coelho inspirou Kobe Bryant com seu livro "O Alquimista", obra lançada em 70 idiomas diferentes, que recomendava para todos jogadores e pessoas ligadas ao basquete. Era seu livro preferido, como já disse algumas vezes. Não demorou, então, para que, como fã, iniciasse uma aproximação com o próprio autor. O astro queria escrever algo em parceria.

Paulo Coelho contou ao UOL em 2018 que recebeu uma ligação de Kobe Bryant com o convite para fazerem algo juntos, um livro a quatro mãos. Na época, o escritor disse que os dois voltariam a conversar, porque aquele período era de muito trabalho para ambos. Ligações de Kobe para o brasileiro eram comuns. "Muito interessante a conversa por telefone com Kobe Bryant há uma hora. Mais por vir no futuro", escreveu em seu Twitter em 2016.

Ao saber da morte de Bryant, Paulo Coelho escreveu no Twitter sobre o sonhado livro em conjunto com o astro. Em forte declaração forte, o autor disse que o trabalho será interrompido por causa da tragédia.

"Você foi mais que um grande jogador, querido Kobe Bryant. Eu aprendi muito com você. Apagarei o rascunho agora mesmo, este livro perdeu a razão", disse Paulo Coelho junto à mensagem de Bryant enviada em 2019 com o simples convite: "Vamos escrever um livro", disse ao brasileiro, que aceitou a empreitada.

A ligação com a arte também originou a Granity Studios, produtora multimídia que contempla filmes, podcast, livros e produções para TV. Ele é o criador do podcast infantil "The Punies" (as punições), falando sobre esporte para crianças.

Mentor de Novak Dijokovic

Esse lado discreto de Kobe Bryant querendo inspirar pessoas pela literatura era um complemento da personalidade conselheira dele. Quem imaginaria que Bryant foi determinante na carreira de outro astro, do tênis. Dias antes da tragédia de helicóptero, Novak Dijokovic disse em entrevista que o ex-jogador de basquete foi seu mentor e o ajudou a superar difícil período lesionado no cotovelo.

"Kobe vem sendo um dos meus mentores. Não sei se tenho permissão para dizer isso, mas falei por telefone com ele várias vezes e também quando nos encontramos pessoalmente nos últimos anos, quando eu tive minha lesão no cotovelo e estava com problemas para lidar emocional e mentalmente o que vinha acontecendo comigo, caindo no ranking e precisando subir. Ele foi uma das pessoas que me ajudaram, dando conselhos valiosos e meio que um direcionamento para acreditar em mim e no processo, que eu voltaria. Sou muito grato a ele por me apoiar. Eu amo Kobe e … quem não? É um cara incrível e um dos maiores atletas de todos os tempos", disse.

Respeitado no mundo dos negócios

O conhecido investidor norte-americano Chris Sacca contou ao jornal Los Angeles Times que a iniciativa de se tornar respeitado no mundo dos negócios partiu de Kobe, quando a carreira no basquete terminou. Ele admite que, no início, não levou muito em consideração os planos do ex-atleta, até notar o comportamento empenhado do astro.

"Eu disse para ele me desculpar, mas eu não sabia se ele levaria aquilo a sério. Mas nos meses seguintes ele continuou me ligando e me escrevendo todas as horas do dia e da noite querendo discutir ideias. A obsessão dele por aprender era 24 horas", contou.

Kobe não colocava o próprio nome em produtos esperando que se vendessem pela própria fama. Em 2013, por exemplo, criou uma empresa secretamente para investir em novas mídias e tecnologia. A iniciativa em parceria com o empresário Jeff Stibel só foi revelada em 2016, meses depois da aposentadoria das quadras. Hoje a firma administra capital na casa dos bilhões de dólares.

"Se eu conhecesse a ética dele, eu não teria me surpreendido com o trabalho pesado dele para entender o mundo do investimento e dos negócios. Ele se colocava no lugar dos outros", completou Chris Sacca.

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