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Conversas sobre clima em LA se transformam em choque com morte de Kobe

Homenagens a Kobe Bryant em frente ao Staples Center - Juliana Borba/UOL
Homenagens a Kobe Bryant em frente ao Staples Center Imagem: Juliana Borba/UOL

Juliana Borba

Colaboração para o UOL, em Los Angeles

27/01/2020 04h00

O dia amanheceu estranhamente sombrio em Los Angeles (EUA) no domingo (26), com uma névoa baixa e densa. Se foi ela uma das razões que levaram ao acidente com o helicóptero no qual o ex-jogador de basquete do Los Angeles Lakers, Kobe Bryant, viajava, ainda é cedo para dizer. O que é possível notar é que as costumeiras conversas sobre o clima na cidade foram tomadas pelo grande choque da perda do astro.

Desde o café na esquina de casa, passando por quem estava fazendo compras no supermercado até chegar nas famílias pegas de surpresa pela notícia enquanto andavam no parque, a morte do jogador era assunto único. Encontrei com meu vizinho na garagem, com uma camisa de Bryant em uma mão enquanto a outra tentava enxugar suas lágrimas. Visivelmente, o ânimo nas ruas ficou tão sombrio quanto a manhã.

Para prestar uma homenagem ao ídolo, os fãs do time prontamente começaram a se deslocar para o Staples Center, estádio do Lakers, no centro da cidade, assim que receberam a notícia. Tiveram, no entanto, que se aglomerar na praça do LA Live, centro comercial que também abriga a arena de basquete, porque o ginásio sediava, também no domingo, a 62ª edição do Grammy Awards, a maior premiação anual da música.

Nas ruas que levam ao LA Live, o que mais chamava a atenção era o aglomerado de pessoas dividas em dois grupos: as vestidas para gala, apressadamente andando para entrar no Grammys; e os fãs dos Lakers, cabisbaixos, pacientemente se juntando ao restante do público. O policiamento ostensivo estava lá para evitar confusão, mas era quase desnecessário. O silêncio ocasional do público só era interrompido por dois helicópteros que sobrevoavam a área. O barulho alto, desconcertante era tristemente irônico. Impossível não lembrar das condições do acidente que levara todos para lá.

Chamava atenção, também, o grande número de famílias. Crianças nos ombros dos pais e bebês, em seus carrinhos, também com pequenos uniformes dos Lakers, participavam do coro que, de tempos em tempos, ecoava: "Kobe! Kobe! Kobe!". Muitos jovens choravam. Logo ao meu lado, um pai, emocionado, consolava o filho pequeno, que, olhando para o céu, se perguntava: "Por quê?"

Conversando com algumas pessoas, ficava claro que mais do que admiração por um atleta de sucesso, o sentimento é da perda de um ser humano visto como grande exemplo de garra, de busca pela excelência e, desde que se aposentou da NBA em 2016, de retidão na vida pessoal e profissional.

"Eu estava em casa quando um amigo me ligou para falar sobre o acidente. Na hora, fiquei em choque. Foi impossível acreditar. Ele era um ícone para a cidade de Los Angeles. Quando ele chegou ao time, L.A. era uma bagunça daquelas. Mas ele, com sua postura dentro e fora das quadras, com sua influência positiva, acabou unindo a cidade. É uma grande perda para nós. Vim até aqui para prestar minha homenagem.", me diz Benjamin Gleeson, nascido e criado em Los Angeles.

Diana Gomez, Rafael Contreas, Christian Contreas, Victor Munoz e Denise Live prestam homenagem - Juliana Borba/UOL
Diana Gomez, Rafael Contreas, Christian Contreas, Victor Munoz e Denise Live prestam homenagem
Imagem: Juliana Borba/UOL

Jerry and Noemi Camo lamentam a perda do ex-jogador dos Lakers - Juliana Borba/UOL
Jerry and Noemi Camo lamentam a perda do ex-jogador dos Lakers
Imagem: Juliana Borba/UOL

Para muitos jovens, o ex-jogador era uma referência de atitudes positivas: "Kobe era uma espécie de figura paternal para os seus fãs e era alguém que sempre se superava. Até mesmo quando ele se aposentou, foi lá e ganhou um Oscar. Um Oscar! Ele realmente era uma estrela.", conta Denise Live. Ela veio de Riverside (cidade a pouco mais de uma hora de Los Angeles) com um grupo de amigos apenas para participar da homenagem. Sua amiga, Diana Gomez, concorda: "Ele inspirava todo mundo porque ele mostrava resiliência. Ele mostrava que sempre se podia fazer mais, ser mais", afirma Jerry. "Kobe sempre foi leal aos Lakers. Ficou com o time em toda sua carreira. Era um grande exemplo.", acrescenta Noemi.

Houve dois momentos, porém, em que o ala cogitou deixar o clube:em 2004, quando abriu negociações com o vizinho Los Angeles Clippers, e em 2007, quando deu um ultimato à diretoria, pedindo para ser trocado. Mas, no fim, o astro e os Lakers encontraram um jeito de seguirem unidos até o fim. Mesmo aposentado, Bryant se manteve presente, acompanhando diversos jogos no Staples Center, sempre comunicativo com a família Buss, que controla a franquia

Rigo Flores, fã de Kobe Bryant,... - Juliana Borba/UOL
Rigo Flores, fã de Kobe Bryant,...
Imagem: Juliana Borba/UOL

...e seu cachorro - Juliana Borba/UOL
...e seu cachorro
Imagem: Juliana Borba/UOL

Rigo Flores veio ao LA Live com alguns amigos e seu fiel companheiro, um filhotinho vira-lata, também vestido com o uniforme dos Lakers: "Eu o acompanhava desde o começo de sua carreira. Ele era brilhante. Não era só um grande atleta, ele era um grande homem. Para mim, era como se ele fosse parte da minha própria família. Por isso hoje eu lamento sua morte como se fosse a morte de um parente. Realmente muito triste".

Até o fechamento deste texto, o Los Angeles Lakers não havia se pronunciado sobre a perda do ex-jogador. Uma fonte ligada ao time diz que os funcionários, pelo menos por enquanto, não podem tecer cometários públicos sobre a morte do atleta.

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