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Lais Souza: Se Biles não estava se sentindo bem, é nobre admitir, o corpo paga

Do UOL, em São Paulo

29/07/2021 15h54

A ex-ginasta Laís Souza apoia a decisão tomada pela americana Simone Biles, com a desistência das finais por equipes e individual geral nos Jogos Olímpicos de Tóquio por questões mentais. Em sua participação no programa UOL News Olimpíadas, a brasileira afirma que competir sem estar se sentindo bem pode acarretar problemas e o corpo acabar pagando.

Laís considera que com a dificuldade das séries de Simone Biles, fica difícil ela competir sem estar em suas melhores condições em meio a toda a pressão que ela carrega pelo histórico vencedor.

"A Simone Biles tem todas as séries com muita dificuldade, então realmente tem que estar muito bem, tem que estar com muita qualidade no emocional para se apresentar. Ela faz um salto de dificuldade muito alta, que talvez o masculino só faça e algumas meninas treinam, mas ela conseguiu se apresentar. Tem que ter esse equilíbrio e se ela não estava se sentindo bem, eu acho que sim, é nobre da parte dela admitir que não está bem", afirma Laís.

"Porque é o corpo que paga, eu acho que eu sou um exemplo disso, porque a dificuldade realmente é muito grande, a gente se cobra, o técnico cobra, todo mundo está ali em cima, então acho que a atitude dela foi importante para todo mundo, para os brasileiros, para o mundo, porque estava todo mundo esperando que ela ganhasse todas as medalhas e simplesmente, não sei se ela não aguentou, ou se foi por lesão, ou se foi todas essas opções, mas importante da parte dela aceitar isso e estar ali sentadinha aprendendo, estar humildemente aprendendo e sentindo a pressão da competição, a pressão do mundo", completa.

A ex-ginasta olímpica vê a decisão de Biles como importante também para colocar o fator psicológico em discussão, ainda mais com toda a dificuldade que foi o período de preparação para Tóquio devido à pandemia.

"Eu acho que a gente está deixando aí um legado humano, porque com certeza ela devia estar treinando muito, são muitas horas e qualquer dorzinha, qualquer machucado, uma bolha que seja, que a gente não vê essas pequenas coisas e na hora de se apresentar muda tudo se você não está 100% bem, e o psicológico manda demais e eu acho que o mundo está mais sensível para enxergar isso, até mesmo a pandemia deixou a gente mais caseiro, as meninas passaram por um momento de ter que treinar em casa porque não podia ir para o ginásio, então acho que tudo isso conta para a decisão dela", conclui.