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Saiba mais sobre o breaking, modalidade que estreia nas Olimpíadas de Paris

B-boy brasileiro Bart, um dos cotados a representar o Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris - Red Bull
B-boy brasileiro Bart, um dos cotados a representar o Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris Imagem: Red Bull

Letícia Lázaro

Do UOL, em São Paulo

14/08/2021 04h00

O breaking será a única modalidade estreante nos Jogos Olímpicos de Paris-2024. Com o início do ciclo, há uma grande expectativa de que a comecem os avanços da profissionalização da prática. A modalidade, que também é uma cultura e um estilo de vida, é a primeira dança esportiva a fazer parte do programa olímpico.

O breaking foi oficializado como modalidade dos próximos Jogos pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) em dezembro de 2020. Dessa forma, os praticantes ao redor do mundo já começaram a disputar competições nacionais e internacionais em busca de uma das 32 vagas para as Olimpíadas de Paris.

Mas, há pelo menos quatro anos, b-boys e b-girls — como são conhecidos os praticantes do breaking — já viviam à espera de que, finalmente, a oficialização do esporte como modalidade olímpica ocorresse. Em todo o mundo, os pioneiros da prática, chamados de "old schools", mantinham diálogos em prol desse reconhecimento.

Competidora do breaking durante os Jogos Olímpicos da Juventude em Buenos Aires, em 2018 - Divulgação/Olimpíadas - Divulgação/Olimpíadas
Competidora do breaking durante os Jogos Olímpicos da Juventude em Buenos Aires, em 2018
Imagem: Divulgação/Olimpíadas

O primeiro grande passo para o reconhecimento do breaking como esporte pelo COI ocorreu em 2018, quando a modalidade foi disputada na edição dos Jogos Olímpicos da Juventude, em Buenos Aires.

"Foi muito bom o resultado, o pessoal amou, porque é uma coisa muito interessante. A partir dali eu já fiquei: 'caramba, vai acontecer'", contou o b-boy Bart, em entrevista ao UOL Esporte. Bart é um dos principais nomes do breaking brasileiro e, desde já, sonha com uma vaga nos Jogos Olímpicos de Paris.

Com a confirmação, Bart e muitos outros b-boys e b-girls encontraram uma nova motivação para a prática do breaking. Afinal, estar nas Olimpíadas é uma oportunidade única. Mais do que a disputa, dá a chance de que a modalidade seja vista, disseminada, ganhe praticantes e cresça.

O sucesso do skate na atual edição dos Jogos Olímpicos é uma inspiração para os praticantes do breaking que, assim como a modalidade que tanto cresceu em Tóquio, sofre com "olhares tortos" no meio esportivo e tem como origem uma expressão da cultura de rua.

"É algo novo, todo mundo vai se deparar com aquela barreira de que não é um esporte, algo que até mesmo gente de dentro breaking fala", opinou Bart. "Mas eu acho que é mais de se adaptar, é algo bom para os dois lados".

A disputa

O formato de disputa deve ser o mesmo dos Jogos da Juventude. Os 16 melhores b-boys e as 16 melhores b-girls do mundo vão disputar o pódio em uma competição em formato mata-mata. Um atleta enfrenta o outro por vez — o primeiro inicia a batalha e o segundo precisa responder. Os juízes dão notas baseadas em seis critérios: criatividade, personalidade, técnica, variedade, performance e musicalidade.

De acordo com Bart, o Brasil não terá um ranking dos melhores atletas do país. Os olímpicos serão selecionados pelo Conselho Nacional de Dança Desportiva (CNDD), entidade que vai organizar a modalidade, com base nas apresentações internacionais e nacionais.

Depois, dentre todos os competidores ao redor do mundo, será feito um ranqueamento internacional. Daí serão selecionados os 32 participantes para os Jogos de Paris. Internacionalmente, a entidade que representa a modalidade é a Federação Mundial de Dança Esportiva (WDSF, na sigla em inglês).

Bart está pronto para os Jogos

Até garantir a vaga, Bart deve disputar sete competições organizadas pela WDSF. No último ano, o brasileiro pouco pôde viajar, por causa da pandemia.

Em "tempos normais", Bart passa mais da metade do ano na Alemanha, se apresentando com uma companhia de dança, ganhando em euros e, assim, conseguindo manter-se manter apenas com o esporte. Ele também destaca outros grandes nomes da modalidade no Brasil. "O Norte e o Nordeste têm nomes pesadíssimos, como o b-boy Perninha e o b-boy Leony, do Amazonas, que sempre estão em Campeonatos Mundiais também. São Paulo tem o b-boy Ratinho e o b-boy Luan, de São Paulo".

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