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Bronze nas Olimpíadas de Roma-1960 torce para que Fratus honre a tradição

Manoel dos Santos abraça Minoru Hirano, seu técnico - Arquivo pessoal
Manoel dos Santos abraça Minoru Hirano, seu técnico Imagem: Arquivo pessoal

Roberto Salim

Colaboração para o UOL, em São Paulo

31/07/2021 14h32

A história da natação brasileira em provas de velocidade começa nas braçadas de Manoel dos Santos. Ele conquistou a medalha de bronze nos 100 metros nado livre e agora torce para que Bruno Fratus nos 50 metros honre essa tradição iniciada nos Jogos Olímpicos de Roma. "Já faz 61 anos, passa depressa hein!", admira-se o grande Maneco, atualmente com 82 anos.

"O Bruno Fratus vai brigar por medalha. Ele é muito rápido e leve."

Rápido também era o jovem Maneco, que treinava com o técnico Adalberto Mariano e depois aperfeiçoou o estilo com o japonês Minoru Hirano, que o levava ao Aquário Municipal de Santos para observar os peixes. "Hirano mostrava o movimento dos peixes na água."

Eram outros tempos, outros métodos. O esporte era chamado de amador. "A gente não ganhava nada em dinheiro. Pelo contrário: várias vezes paguei do bolso para viajar e competir."

Antes do embarque para a Europa em 1960, Manoel dos Santos foi recebido por dirigentes da Federação Paulista de Futebol e de um deles recebeu um auxílio financeiro para as despesas olímpicas. "Me deram 50 dólares."

Naqueles tempos, Maneco era tido como um fenômeno, e ele garante que só não esteve cem por cento nas Olimpíadas, porque na viagem para a Itália a delegação passou em Portugal e disputou os Jogos Luso-Brasileiros.

"Em Lisboa ganhei a medalha de ouro, mas peguei uma baita dor de garganta. Estava muito frio."

Ainda assim no dia da prova olímpica dos 100 metros livres disparou na frente. "Eu era muito rápido mesmo. Pena que na época não havia a prova dos 50 metros livres. Se tivesse..."

Se já existisse a prova, é quase certo que ele teria trazido a medalha de ouro para o Brasil.

"Errei a virada, perdi um tempo precioso e cansei no finalzinho. Fiquei com o bronze," conta Maneco.

Ele acha que em Tóquio são grandes as chances de Bruno Fratus subir no pódio. "O ouro vai ser difícil, porque os quatro nadadores estão muito juntos, com tempos quase iguais", analisa Manoel dos Santos. "Acontece que o norte-americano [Caeleb] Dressel soltou um pouquinho no fim, pelo menos eu achei isso. Já o Bruno deu tudo. Mas eu estou na torcida."

Com os olhos atentos e disposição de menino, Maneco vai acompanhar a prova. E, aos 82 anos, faz questão de lembrar que em 1961, exatamente no dia 21 de setembro, ele quebrou o recorde mundial dos 100 livres nadando sozinho na piscina do Clube de Regatas Guanabara: "Eu era muito rápido".

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