PUBLICIDADE
Topo

Pai de Ítalo revela dificuldade no início: "Usava dinheiro do peixe"

Ítalo Ferreira, campeão olímpico do surfe - Jonne Roriz/COB
Ítalo Ferreira, campeão olímpico do surfe Imagem: Jonne Roriz/COB

Colaboração para o UOL, em São Paulo

27/07/2021 08h02

Hoje, nosso brasileiro Ítalo Ferreira conquistou a medalha de ouro no surfe nas Olimpíadas de Tóquio 2020, e após a vitória, seu pai, Luizinho, falou em entrevista no "Bom dia São Paulo", jornal da TV Globo, sobre as dificuldades que o filho enfrentou no início de sua carreira.

"No início foi difícil. É desse jeito. Sem patrocínio, eu não podia dar muito, mas o pouco que eu tinha, eu dividia. Às vezes não tinha dinheiro para pagar as inscrições e usava o dinheiro do peixe. Deixava de comprar o peixe, mas ele ia para o campeonato. Eu levava ele, o pessoal negava patrocínio. Interior, você sabe como é: você está com uma pessoa e não com outra e tem uma perseguição. Mas não levamos isso em conta, seguimos em frente, a família abraçou o projeto e deu certo", revelou o pai.

Além da situação financeira, o surfista brasileiro também sofreu preconceito por ser nordestino, que quase custou a desistência da brilhante trajetória: "No início, ele pedia ajuda aos tios, tias, à minha família, à família da mãe para ir aos campeonatos, mas nunca desistiu. Ele chegou a querer desistir porque o pessoal discrimina muito o Nordeste. Por ser nordestino, no início, às vezes ele tirava uma nota 7 e o pessoal dava 6. Ele dizia: ' Painho, eles nunca dão a nota que a gente merece, sempre tiram 1 ou 2 pontos'. Agora todo mundo quer estar perto, então dão as notas que ele faz. Os juízes soltam as notas".

Apesar do árduo caminho em direção ao sucesso, Ítalo conseguiu, e isso é reflexo do quanto o atleta se esforço para se superar a cada dia, diz o pai: "É muito gratificante: a gente trabalha e o resultado aparece. O Ítalo é focado. Ele passou 15 dias em Baía Formosa, ele acorda às 5h, surfa até 9h. Volta, toma café. Sai às 11h. Almoça 13h. Assim vai. Ninguém para ele. Focado no que ele gosta de fazer, que é surfar".

Luizinho, pai de Ítalo celebrou a grande conquista agradecendo os torcedores do nordeste e enaltecendo o esforço do brasileiro: "Primeiro, eu queria agradecer os torcedores do Rio Grande do Norte e do Nordeste. Por fazer essa corrente positiva e torcer pelo Ítalo. Não é fácil sair aqui de Baía Formosa e buscar o ouro do outro lado do mundo, Japão. O Ítalo se preparou para isso. Desde criança ele almeja uma medalha de ouro, um mundial - o que já tinha acontecido -, agora veio o ouro olímpico"

Pela primeira vez na história o surfe fez parte das Olimpíadas de Tóquio, e o Brasil subiu ao mais alto andar do pódio conquistando uma medalha de ouro com Ítalo Ferreira.