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Olhar Olímpico

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Derrota de Portela gera sensação de injustiça e Brasil fica de mãos atadas

Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

28/07/2021 01h43

Eu discordo, mas entendo a reação de Yasmin Brunet ao pedir que seus seguidores fossem até o Instagram do Comitê Olímpico do Brasil e pedissem que o COB fizesse alguma coisa quanto à derrota de Gabriel Medina na semifinal do surfe nas Olimpíadas de Tóquio. Não que o COB pudesse fazer alguma coisa, mas a vontade diante do que a gente acha uma injustiça é subir onde estão os jurados e rasgar as notas, como em um famoso momento do Carnaval de São Paulo.

Por falar em Carnaval, hoje foi o dia de Portela ser prejudicada. No caso, Maria Portela, judoca com três Olimpíadas no currículo e que defende a Sogipa, de Porto Alegre (RS). Conhecida por ser uma lutadora mais aguerrida do que técnica, Portela está há algum tempo batendo na trave para conquistar medalhas em grandes competições e tinha a esperança que nos Jogos de Tóquio fosse momento.

Mas, hoje (28), ela foi garfada diante da russa Madina Taimazova. O confronto terminou empatado com uma punição para cada uma no tempo regulamentar de quatro minutos e foi para o "ponto de ouro". Quem acertasse um golpe vencia. E Portela acertou. Deu um wazari, em que parte das costas da adversária encosta no chão.

O árbitro não marcou o ponto, o lance foi revistado pelo sistema de vídeo checagem, e o golpe não foi considerado válido. Por isso, as duas lutadoras, exaustas, seguiram lutando por mais 10 minutos. Punidas juntas por falta de combatividade, ficaram a uma punição da derrota.

E a russa poderia ter sido punida ao menos três vezes por entradas falsas —quando a judoca finge tentar dar um golpe, mas na verdade só está ganhando tempo para descansar sem ser punida por falta de combatividade. A arbitragem, porém, deixou seguir. Quando Portela deixou de combater, foi justamente punida.

Mas a luta não deveria ter chegado até ali. Portela venceu antes, como ficou claro para o torcedor comum, que assiste lutas de quatro em quatro anos, nos Jogos Olímpicos, e para quem é do meio do judô. E o pior é a sensação de nada a se fazer. Não existe a figura do recurso no judô, nem a prática de fazer uma reclamação formal para pressionar os árbitros das futuras lutas a tomarem mais cuidado, como é comum no futebol.

Só dá para se ressentir. Xingar muito no Twitter, dar socos no ar, falar palavrões, e chorar com Portela, que não sabe se terá mais uma Olimpíada para disputar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL