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Campeão da Sul-Americana já inspirou o Inter, que desistiu em 100 dias

Jogadores do Independiente del Valle comemoram o título da Copa Sul-Americana - Marcelo Endelli/Getty Images
Jogadores do Independiente del Valle comemoram o título da Copa Sul-Americana Imagem: Marcelo Endelli/Getty Images

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

04/10/2022 12h38

No último sábado (1º), o Independiente del Valle venceu o São Paulo por 2 a 0 e conquistou o título da Sul-Americana. Não foi a primeira vez que o time equatoriano surpreendeu brasileiros e mostrou um futebol ofensivo e atraente. Tal conduta em campo já ecoou bem longe de Sangolquí, na região metropolitana de Quito, onde fica a sede do clube. O modelo de jogo já inspirou o Internacional, mas durou pouco em Porto Alegre.

Quando contratou o técnico Miguel Ángel Ramírez, no início da temporada passada, era exatamente o futebol que segue vivo no Del Valle que o Colorado tinha como meta. A síntese do modelo de jogo adotado com o espanhol no comando esteve presente em Córdoba. O segundo gol, com quase 20 passes na jogada e um minuto de posse de bola até colocar nas redes, é exemplo claro do que se esperava ver no Beira-Rio.

Mas o que Ramírez teria a ver com isso? O treinador já comandou Inter e Charlotte FC, dos Estados Unidos, desde que passou pelo Del Valle, entre 2019 e 2020. É que o objetivo de estabelecer uma ideia de jogo que firmasse o DNA do clube aconteceu exatamente na passagem dele. Ramírez foi quem fomentou no Del Valle, desde a base, tal forma de atuar. O espanhol também conquistou a Sul-Americana por lá.

A sequência de Ramírez, cuja influencia chegou até à renovada seleção equatoriana, que disputará a Copa do Mundo no fim do ano, aconteceu com o português Renato Paiva, que conquistou o Campeonato Equatoriano e optou por deixar o clube em maio deste ano, quando assumiu o León, do México.

O substituto de Paiva teria como ordem manter os conceitos estabelecidos no clube. E o escolhido para isso foi alguém que participou do início do processo. Martín Anselmi, campeão da Sul-Americana, que era auxiliar de Ramírez e trabalhou, inclusive, no Internacional.

Por que não deu certo no Brasil?

Durou pouco o objetivo do Inter de levar o futebol dos equatorianos para Porto Alegre. Sem pré-temporada no calendário entre o fim da temporada 2020 (que sofreu atraso em razão da pandemia de covid-19) e início da 2021, Miguel Ángel Ramírez precisou apressar os processos no Beira-Rio. E não conseguiu.

Em acordo com a direção do clube, utilizaria o início do ano para observar o grupo e só então pediria reforços. Até o começo do Brasileirão só tinha recebido dois jogadores: Taison e Palacios. Mas a falta de bons resultados pesou. Derrotado no Estadual, fora da Copa do Brasil e instável nas rodadas iniciais do Brasileiro, a comissão técnica foi trocada.

Além disso, nos corredores da casa vermelha surgiram ecos de um relacionamento difícil entre jogadores e comissão. O 'fantasma' do feito na temporada anterior, quando o Colorado foi vice-campeão brasileiro sob comando de Abel Braga, era repetidamente citado. As mudanças de conceito que Ramírez tentou implantar não foram bem aceitas pelo elenco, recheado de jogadores rodados.

A falta de paciência ou crença que o rendimento poderia aparecer no futuro fez o Colorado desistir de sua inspiração em pouco mais de 100 dias. Naquela temporada, Diego Aguirre foi contratado e deu alguma estabilidade para equipe, até a queda de rendimento no fim do ano que gerou sua saída na conclusão dos jogos.

Neste ano, o Inter começou com Alexander Medina, demitido em abril. Atualmente o comandante é Mano Menezes, que renovou seu contrato e será o primeiro treinador a encerrar a temporada e começar a seguinte desde Odair Hellmann entre 2018 e 2019.

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