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Corinthians: VP vê clara evolução e pede pés no chão no clássico de sábado

Yago Rudá

Do UOL, em São Paulo

23/06/2022 01h11

Classificação e Jogos

Fugindo ao seu estilo 'sincerão', o técnico Vítor Pereira deu uma entrevista coletiva protocolar, elogiou o desempenho do Corinthians na goleada, por 4 a 0, diante do Santos, demonstrou satisfação com a evolução dos atletas e, por fim, pediu pés no chão no clássico do próximo sábado, também contra o Peixe, só que pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro.

"Fizemos um jogo de qualidade, um jogo consistente. Um adversário difícil com muitos jogadores de qualidade, bem trabalhado, mas hoje fomos mais fortes, fomos a melhor equipe. Estamos em um intervalo de uma eliminatória e ganhar de 4x0 é um resultado importante. O resultado coroou o bom jogo que fizemos", discursou o português do Corinthians.

Com a goleada em cima do rival, o clube do Parque São Jorge deixou muito bem encaminhada a vaga para a fase quartas de final da Copa do Brasil. O jogo de volta, na Vila Belmiro, acontece apenas no dia 13 de julho. Antes disso, já neste sábado (25), os alvinegros voltam a medir forças na Neo Química Arena pelo Brasileirão e a palavra de ordem no Corinthians é manter os pés no chão e ter humildade ao reencontrar o Peixe.

"Não me importava em perder os clássicos e no final ser campeão. Os clássicos são importantes fundamentalmente aos adeptos. Acho que chegamos a esse jogo em um outro nível, em outro patamar em termos táticos. Vamos ver o que é que o futuro nos reserva. Vamos ter outro clássico complicado, temos que ser humildes, fazermos bem, corrigir e preparar bem para ganhar o jogo", argumentou o treinador citando o tabu quebrado nos clássicos.

Por fim, Vítor Pereira saiu um pouco do protocolo e elogiou — mesmo com os constantes desfalques — a evolução técnica e tática de sua equipe. O momento positivo acontece justamente entre as decisões da Copa do Brasil, Copa Libertadores e a reta final do primeiro turno do Campeonato Brasileiro.

"Sempre prezei, desde que cheguei, quis passar uma ideia. Tivemos um período muito difícil em que buscamos sobreviver à tempestade, jogos em que o resultado foi mais importante do que o desempenho. Eu aprecio o bom futebol, às vezes não me entusiasmo porque gosto de um jogo de qualidade. É um processo, temos que ter paciência, mas creio que estamos subindo o nível. A probabilidade de termos mais jogos assim é maior. Tivemos muita gente importante fora, ainda temos gente importante fora e a juventude e a experiência pode nos dar um jogo bonito", concluiu.

O elenco do Corinthians retorna aos treinos amanhã pela tarde no CT Joaquim Grava. A tendência é de que para o clássico de sábado, também em Itaquera, a comissão técnica rode o elenco e preserve alguns de seus principais jogadores para encarar o Boca Juniors, na semana que vem, pelas oitavas de final da Copa Libertadores.

Leia, na íntegra, a entrevista coletiva de Vítor Pereira:

Conversa com Adson ao fim do jogo

"O Adson é um jogador técnico, mas quando uma equipe está a perder ou a ganhar, e depois em qualidade numérica, passar o pé por cima da bola entendi que ele deveria ter jogado mais simples. Gosto de respeitar os adversários, ele disse que não foi falta de respeito, que é a forma dele de jogar. Foi isso que conversamos, detesto falta de respeito".

Liberdade a Willian no setor ofensivo

"Depois que perdemos o Jô deixamos de ter uma referência no ataque e fomos à procura de um jogo de mais mobilidade na frente. Quero liberdade para os três jogadores da frente e responsabilidade sem a bola. Foi isso que lhes disse, independentemente das trocas, precisavam cumprir as funções. Essa liberdade vem daí, mas tem que ser uma liberdade com organização, conseguem fugir das marcações, aparecem pelas pontas e precisam fugir da marcação. No momento de perda de bola, onde estiverem precisam fazer essa função".

Sobre equilíbrio entre os jogadores mais jovens e mais velhos

"Me falaram do rodízio e a ideia que quis expressar é que com lesões que fomos acumulando, se não tivéssemos os miúdos preparados não teríamos equipe. Temos muitos jogadores de fora, hoje voltaram João Victor e Fagner, mas quis valorizar meus jogadores mais experientes e também a qualidade dos miúdos. Eles precisam jogar. Depois que jogamos com o São Paulo com a mesma equipe no Paulistão, vi claramente que não podia jogar claramente com a mesma equipe. O objetivo neste momento é trazer os miúdos para outro nível, se estivermos mesclados entre os miúdos e os mais experientes temos que manter a qualidade. Temos atletas experientes fundamentais para transmitir paciência e tranquilidade aos miúdos. Os nossos miúdos têm qualidade. Se eu não tivesse dado tempo de jogo, eles não estariam neste nível".

Sobre o papel da torcida

"Quando parece que já vi tudo, eles (torcedores) conseguem subir o nível. Eles foram fantásticos logo com o ambiente no início do jogo. A nossa torcida é, não quero ser repetitivo, mas se seguirmos o nível deles vamos estar em grande nível. Temos que seguir eles, não é fácil jogar aqui. Temos que jogar com qualidade e com a nossa torcida".

Inversões nas jogadas de ataque

"A primeira coisa que faço é ver os resultados da equipe adversária. Não me recordo do Santos perder por dois gols de diferença, é uma equipe que tem esse registro estatístico é porque, de fato, não é fácil criar situações de gol contra eles. Acho que estamos evoluindo em termos de dinâmicas, seja por dentro ou por fora, essas variações, inversões. São coisas que se vão criando apesar do tempo de trabalho não ser o que fosse, mas acho e sinto que estamos evoluindo".

Utilização de Robert Renan no segundo tempo

"O Robert logo que entrou, isto é um bocadinho característico da juventude, meteu um passe difícil. Normalmente, quem é de um nível mais baixo, lateraliza e passa a responsabilidade. Ele tem irreverência, confiança e deu um passe pelo meio e com o espaço apertado. Isto quer dizer alguma coisa sobre a qualidade dele. É um jogador que tem que crescer, mas em dúvida alguma tem muito potencial. É um jogador jovem que vai voar alto. Ele, para mim, vai ser um zagueiro de referência. É alto, técnico e tem qualidade".

Sobre momento de Robson Bambu

"Senti ele um bocadinho instável emocionalmente. Compreende-se porque é necessário ganhar reconquistar confiança das pessoas e dele próprio. Temos que lhe dar tempo".

Sobre papel dos atletas mais experientes no elenco

"Todos eles. Os jogadores mais experientes do Corinthians são pessoas de uma maturidade muito grande, pessoas com uma carreira de títulos. São pessoas que têm paciência e humildade para fazer crescer os miúdos. Vejo muitas conversas entre os mais velhos e os mais novos. Isto, neste clube, é o tal do ambiente familiar que já falei. Sinto que o Corinthians é uma família entre os mais velhos e os mais novos, a direção e os funcionários. Sinto muito isso".

Sobre atletas lesionados

"O Renato está machucado, um problema na panturrilha em consequência do gramado artificial do Athletico-PR. Não foi só ele, o Willian também voltou com muitas queixas e por isso não jogou contra o Goiás. O Júnior ainda está se recuperando do problema que tem, ainda não está recuperado para ir ao jogo. O Rafael não teve férias, ele fez uma liga inteira em Portugal e veio para cá. Está sobrecarregado e sentimos que temos que ter um certo cuidado com ele para evitar uma lesão. Foi por isso que o deixamos de fora".

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