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Copa do Brasil - 2022

Capítulo 5: saga mostra que SPFC x Palmeiras só equilibra quando Ceni inova

Dudu, do Palmeiras, e Reinaldo, do São Paulo, disputam lance pelo Brasileirão - Marcello Zambrana/AGIF
Dudu, do Palmeiras, e Reinaldo, do São Paulo, disputam lance pelo Brasileirão Imagem: Marcello Zambrana/AGIF

Brunno Carvalho e Diego Iwata Lima

Do UOL, em São Paulo

23/06/2022 04h00

Classificação e Jogos

O quinto encontro entre São Paulo e Palmeiras nesta temporada, hoje (23), às 20h, pela ida das oitavas de final da Copa do Brasil, é desafio para a equipe de Rogério Ceni. Com apenas uma vitória contra o rival até aqui, o Tricolor tem se esforçado para conseguir equilibrar as ações diante do Alviverde, mas qualquer pequena fragilidade tem sido fatal.

Na dolorida derrota na última segunda-feira (20), pelo Brasileirão, no Morumbi, mesmo palco de logo mais, a estratégia adotada por Ceni surtiu efeito imediato. Escalado como parceiro de Jonathan Calleri, Patrick teve a função de tirar Gustavo Goméz, que atuou como lateral direito, de seu setor e abrir espaço para as subidas de Reinaldo.

O camisa 88 executou bem a determinação do treinador no primeiro tempo, e o São Paulo abriu o placar aos 17 minutos, justamente com Patrick. A boa atuação em casa deu chances ao Tricolor de ampliar o marcador antes do intervalo. Foram dez finalizações criadas, com Weverton tendo que fazer boa defesa em chute de Rodrigo Nestor.

No decorrer da partida, o Palmeiras começou a se livrar das armadilhas de Rogério Ceni e passou a crescer no jogo. A entrada de Mayke na lateral-direita devolveu Gustavo Gómez à zaga. O paraguaio não fazia bom jogo improvisado, mas, em sua posição de origem, foi decisivo ao aproveitar o escanteio cobrado por Scarpa e empatar o jogo, aos 45 minutos do segundo tempo. Aos 50, Murilo garantiu a improvável vitória alviverde.

"O que aconteceu no primeiro tempo do jogo foi algo que o São Paulo não faz sempre. Foi nitidamente pensado para essa partida, para tentar explorar um lado mais fácil da defesa do Palmeiras", explica Rodrigo Coutinho, colunista do UOL.

Na visão da também colunista do UOL Alicia Klein, a estratégia de marcar a saída de jogo do Palmeiras e tentar roubar a bola perto do gol adversário é algo que se mostra eficaz para o São Paulo, mas que pode cobrar um preço alto.

"É uma estratégia difícil de se manter, por conta do desgaste física e disciplinar que isso causa no São Paulo", explica. "Na primeira etapa, funcionou, mas os amarelos recebidos por jogadores do São Paulo fizeram com que Rogério tivesse de substituir e mudar a característica do time", diz.

Gabriel Neves e e Igor Vinícius foram amarelados antes do fim do terceiro quarto de jogo. E, de fato, as entradas de Rafinha e Pablo Maia fizeram com que o São Paulo recuasse, outra atitude que o Tricolor não deve fazer diante do Palmeiras.

"Com as mexidas necessárias por conta do desgaste, o São Paulo perdeu seu ponto de referência, sofreu o dobro de finalizações e mal chegou à meta do Palmeiras", analisa Alicia.

Plano foi correto, acredita Rogério

As estratégias criadas por Rogério Ceni são o que têm feito com que o São Paulo consiga equilibrar os duelos contra o Palmeiras, atual bicampeão da Libertadores. Em entrevista coletiva depois de sofrer a virada, o treinador reiterou que o plano traçado para o jogo foi correto e lamentou os dois gols sofridos em bolas paradas.

A mão de Ceni já havia sido notada no primeiro jogo da final do Paulistão, quando o São Paulo dominou o Palmeiras no Morumbi e venceu por 3 a 1. Ali, o treinador conseguiu achar maneiras de se livrar da clássica armadilha criada por Abel Ferreira. O técnico português costuma fazer com que seu time deixe a bola com um dos zagueiros adversários e feche as opções de passe, o que acaba forçando chutões e lançamentos.

Naquele jogo, Ceni optou por escalar Léo e Diego Costa, dois zagueiros com boa qualidade de passe, o que atrapalhou a tática de Abel Ferreira. Sem a bola, o São Paulo teve êxito na estratégia de anular Dudu, que pouco conseguiu produzir e foi substituído na metade do segundo tempo.

"O que ficou claro nesses quatro jogos é que o Rogério sempre tenta criar um fato novo dentro do jogo, taticamente falando, para gerar um equilíbrio. O São Paulo sabe que é um time inferior ao Palmeiras e sempre tenta criar uma estratégia para surpreender uma equipe que está consolidada", prossegue Coutinho.

Quando estratégia não dá certo, Palmeiras domina

A segunda partida da final do Paulistão é o grande exemplo do que acontece quando o Palmeiras tem o controle do jogo. Se Jailson não conseguiu ter poder de marcação na primeira partida, Danilo, que voltou de lesão, foi o dono do meio de campo no Allianz Parque.

O camisa 28 não foi driblado nenhuma vez e conseguiu fazer três desarmes com a marcação alta imposta pelo Palmeiras. No jogo de ida, Jailson foi driblado duas vezes e desarmou o adversário apenas uma. Os duelos no chão também mostraram a importância de Danilo. O camisa 28 venceu seis dos oitos embates que teve na segunda partida. Já na ida, Jailson se saiu melhor em apenas dois dos sete.

Dono do meio de campo no Allianz Parque, o Palmeiras abriu 2 a 0 em apenas 28 minutos de partida. No segundo tempo, quando o São Paulo tentou anular Dudu com a ida de Léo para a lateral-esquerda e a entrada de Arboleda na zaga, um gol logo aos 2 minutos acabou com qualquer poder de reação.

"O Palmeiras é um time mais pronto, é o melhor time do país e do continente no momento. Ele tem facilidade de se ajustar dentro do jogo a essas realidades que o São Paulo impõe. O Palmeiras tem as estratégias dele também, que às vezes o São Paulo não consegue dar conta. Essa equipe que está consolidada, na maioria das vezes, consegue reverter essa estratégia do rival. É meio que um jogo de xadrez", completa Coutinho.

"O Palmeiras é um elenco com muito mais opções e com mais cabeça fria", concorda Alicia.