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Castro reclama da arbitragem na vitória do Botafogo: 'ficamos incrédulos'

Colaboração para o UOL, em São Paulo

19/06/2022 22h51

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O técnico Luis Castro criticou demais a atuação árbitro Savio Pereira Sampaio na vitória do Botafogo, de virada por 3 a 2, sobre o Internacional na noite de hoje (19). O treinador falou sobre o lance logo aos seis minutos do primeiro tempo, que resultou na expulsão de Philipe Sampaio e um pênalti a favor do Colorado no Beira-Rio.

"Foi um dos dias mais complexos da minha carreira de 25 anos treinador. Na minha opinião, o pênalti e a expulsão foram inexistentes. E, o segundo gol deveria ter um escanteio em nosso favor e depois acaba no segundo gol. A arbitragem deveria ser sempre agente pacificador do jogo e não agente potencializador de tudo de aquilo de mal que há no jogo. E acho que houve confusão de critérios que prejudicou a nossa equipe. A bola bateu no peito e depois tocou no cotovelo, não mudou a trajetória da bola, não mudou nada. Nós ali ficamos incrédulos com a expulsão, acabando ali com o jogo, que viria a ser para a gente com grande união. Por que, se não fosse o compromisso de toda a equipe, que era muito honesta e muito digna", destacou.

Por reclamar da marcação, o comandante também recebeu o cartão vermelho na partida da 13ª rodada do Brasileirão

"Não devemos viver em função do resultado, se ganhamos ou se perdemos, e sim em função de nossa consciência. Normalmente, os árbitros chamam os jogadores para dar cartões. Estranhei muito. Eu fui expulso com o juiz a 30 metros de mim, sem saber nem o motivo, sem ter uma simples palavra, sem simples explicação até agora", complementou.

Confira outros trechos da coletiva

O que fazer para que os atletas mantenham o controle?

É mais fácil falar das vitórias do que nas derrotas. Tudo aquilo que eu disser agora pode chegar como: ah, está falando porque ganhou. Vou tentar ser o mais direto possível. No intervalo o que mais me preocupei foi em controlar os jogadores emocionalmente, para eles perceberem que para chegar ao empate ou possível vitória isso não teria que ocorrer nos primeiros cinco minutos. Nem nos primeiros 10, nem nos 15. Está instituído no futebol que se as equipes fizerem gols nos primeiros 15 minutos vai virar o jogo? Não, as equipes têm que ter paciência para na hora certa para poderem matar o jogo. Tínhamos que sobreviver em determinados momentos do jogo, de forma coordenada e ordenadas. Sabíamos que as linhas de 4-4-1 muitas vezes teriam que se comportar como linha de 5 e a nossa linha de 4 na frente iria se transformar em linha de 3. Nessa linha de 3, teríamos que ver o ponta do lado contrário do ataque cobrir uma entrada da área. Muitas vezes era por aí que o Internacional ia tentar seus lances ofensivos. Quando ganhássemos a bola, tínhamos que explorar o Erison para ele ganhar faltas no campo do adversário e através dessas faltas chegar ao gol adversário. E, em uma bola mais longa, fazer ataques mais rápidos. O Piazon era nosso jogador mais perigoso e ganhava as bolas em cima do lateral, portanto podemos transformar esse jogo com o espírito de equipe.

Estratégia para armar o time e atuação do Piazon

Queríamos projetar os laterais, algo que terminou no início do jogo. Não quisemos abandonar a segurança defensiva do último jogo e queríamos continuar com nosso volume ofensivo. Não é volume ofensivo de tanto tempo de ataque, mas de mais chegadas ao gol do adversário. E nós, não chegando, sabíamos que tínhamos possibilidade de fazer circulação de bola no meio de campo, aumentando esse tempo de posse de bola, sem diminuir o número de chegadas.

Nunca vou desistir de jogador nenhum, ao contrário do que possam fazer crer, que esse ou aquele não tem qualidade. Eu os vejo treinar todos os dias e posso dizer que todos me impressionam pelo seu caráter, dignidade pela forma como defendem não só o clube, mas a sua profissão. O Piazon encontra-se num dos 29, 30 jogadores que temos no nosso elenco. Gosto dele como gosto de todos.

Vitória dá tranquilidade?

Não dá tranquilidade nenhuma, porque sei que o balanço das temporadas se dá quando chega fim. Portanto, nunca estarei descansado, com uma tensão normal do que é o futebol. Esse jogo para mim já não é mais nada, a não ser um jogo que ficou na história, como ficou jogo na Champions em Zagreb, quando precisávamos de pontos e, aos 90 minutos, Dínamo fez 3 a 1 e nós, do Shakhtar, fizemos um, dois e conseguimos resgatar a equipe. Esse jogo fica nessa gaveta, de jogos de acontecimentos improváveis do futebol.

Clássico contra o Flu

Acha que estou em condições de falar do Fluminense agora? Depois dessa pancada toda que levamos? Com gols que fizemos que foram anulados, com gols deles que foram anulados, foi tanta coisa ali... Mas, para o jogo com o Fluminense temos muitas baixas e vai ser semana muito difícil, mas, ao mesmo tempo, muito gratificante. Difícil, porque é um adversário muito complexo o Fluminense e gratificante, porque mais uma vez vou trabalhar com aquilo que são homens muito dignos e dedicados que são meus jogadores no contexto muito familiar que é o que vivo no Botafogo.

Jogadores do time B

O Botafogo é uma instituição muito familiar. Se nós temos necessidade, puxamos da academia. Estamos todos conectados, integrar jogadores de qualidade não é difícil. Quero contar com Breno, Daniel, Jeffinho... São todos jogadores de qualidade que integramos ao time com muita vontade e conhecem bem o grupo e as dinâmicas. A integração é fácil de fazer. A relação com o Lucio Flavio acontece de forma natural e normal. Precisamos e eles fornecem os jogadores que acham ser de qualidade.

Como foi assistir ao jogo?

É sempre difícil, nós somos e existimos para estar a beira do gramado. Não para estar nas tribunas, nem nos vestiários. É uma situação de grande violência mental. Apesar de ter minha equipe técnica de campo, não participar ativamente das decisões não é a mesma coisa. As ideias deles eu conheço, emanam das nossas conversas, mas gostaria de estar ali. Minha paixão é ser treinador. Mas não me contive, peço desculpa pela minha atitude, mas foi pelo que vi e depois confirmei. Tenho que ser mais gelado do que a torcida e não consegui isso.

Possíveis reforços

As contratações têm de ser grande responsabilidade da administração para juntar jogadores a esse grupo. Tem de ser perfil técnico, tático, mas também psicologicamente perfil e caráter de entender o que são as nossas dificuldades. Como sabem, não temos centro de treinamento ideal, é um local que vamos construir. Temos alguma instabilidade gerado por alguma falta de infraestrutura. Mas estamos ultrapassando essas dificuldades. Por isso, tem que ser esse perfil. Vamos preencher alguns lugares deficitários no elenco. A direção já tem os alvos e acho que terão contratações.

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