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Flamengo tem 29 desfalques em 4 meses, e Sousa precisa superar obstáculos

Márcio Tannure e Paulo Sousa conversando durante treino do Flamengo - Foto: Marcelo Cortes - Flamengo
Márcio Tannure e Paulo Sousa conversando durante treino do Flamengo Imagem: Foto: Marcelo Cortes - Flamengo

Letícia Marques

do UOL, no Rio de Janeiro

20/05/2022 04h00

Classificação e Jogos

Paulo Sousa chegou ao Flamengo em janeiro e logo conheceu um recorrente problema do Ninho do Urubu: a presença de atletas no departamento médico. A nova comissão técnica está há pouco mais de quatro meses no comando e precisou superar 29 ausências por problemas físicos neste período.

Não à toa, internamente entende-se que este é o um dos principais obstáculos de Sousa. A avaliação é de que a grande quantidade de desfalques prejudicou o trabalho do português de alguma maneira. Dos 30 atletas no elenco principal, 20 deles já marcaram presença no departamento médico ao menos uma vez nesta temporada.

De acordo com as divulgações oficiais do clube, as ausências variam de lesões (nove vezes), dores (sete), procedimentos cirúrgicos (quatro), traumas (três), desgastes musculares (dois), luxação, quadro viral, entorse e pubalgia. Desta forma, Sousa precisou lidar com 29 desfalques em 130 dias de trabalho.

Bruno Henrique apareceu no departamento médico em três oportunidades diferentes: lesão na região anterior da coxa direita, luxação no ombro esquerdo e tendinopatia no joelho direito. Enquanto isso, Léo Pereira, Diego Alves, David Luiz, Andreas, Isla, Pablo e Filipe Luís precisaram de tratamento em dois momentos diferentes neste ano.

Por questões médicas, Sousa só não precisou lidar com as ausências de Hugo, Matheus Cunha, Cleiton, Rodinei, Willian Arão, João Gomes, Everton Ribeiro, Diego Ribas, Lázaro e Gabigol. Estes dez atletas não marcaram presença no departamento médico nesta temporada.

Há quatro meses e dez dias no comando, Sousa disputou 27 jogos e, ao todo, teve 29 desfalques. Com isso, o Flamengo tem média de uma ausência a cada 4,4 dias. Os dois últimos meses foram os mais preocupantes para a comissão. Em abril, foram oito desfalques e, até o dia 20 de maio, o português já sofreu com a mesma quantidade de ausências.

Sendo assim, desde que assumiu, Sousa nunca teve o elenco inteiro à disposição. A zaga foi o setor que mais causa dores de cabeça ao técnico. Dos sete zagueiros, apenas Cleiton não foi para o departamento médico. O setor ofensivo não fica para trás, somente Gabigol não foi desfalque por questões médicas.

Casos de Rodrigo Caio e Fabrício Bruno

Rodrigo Caio teve complicações após uma artroscopia no joelho realizada em dezembro. Quando Sousa chegou ao clube, o zagueiro ainda estava internado. Após algumas semanas, o jogador iniciou a recuperação seguindo o planejamento do departamento médico.

Foram cerca de cinco meses de tratamento até que Paulo Sousa pudesse contar com o jogador. Rodrigo Caio retornou a campo contra o Altos-PI, no último dia 11, pela Copa do Brasil, e vem seguindo o planejamento de retorno gradual. Em estado avançado, o zagueiro atuou por 90 minutos contra a Universidad Católica, pela Libertadores, na última terça (17).

O caso de Fabrício Bruno é outro que chama atenção devido ao tempo de recuperação. Recém-contratado, o jogador se machucou no nono jogo com a camisa do Flamengo. O zagueiro deixou o campo contra o Fluminense, em 30 de março, após uma pancada no pé esquerdo e, desde então, não retornou.

Oficialmente, o Flamengo só voltou a se pronunciar sobre o jogador na última segunda (16). De acordo com o clube, o tratamento conservador foi a primeira opção, no entanto, no domingo (15), Fabrício Bruno precisou passar por uma cirurgia para retirada de um fragmento ósseo. A previsão de retorno é de dois meses, mesmo prazo antes da cirurgia.

Caso Diego Alves

O departamento médico entrou no holofote na confusão entre Diego Alves e Paulo Sousa. Isso porque, o goleiro foi diagnosticado com pubalgia no dia 11 e, mesmo 10 dias sem treinar, se colocou à disposição para a partida do dia 17, contra a Católica. Esta foi a versão do técnico, dada em entrevista coletiva.

Diego Alves, por sua vez, desmente a fala e, durante a reunião realizada ontem (18), cobrou uma retratação pública do técnico e do departamento de futebol. Tannure participou da conversa ao lado de Bruno Spindel e Diego Ribas, além do goleiro e do técnico. Cabe destacar, no entanto, que o camisa 1 segue fazendo trabalho na academia e parece estar distante de um retorno aos gramados.

Relação Paulo Sousa e departamento médico

A chegada da comissão técnica de Paulo Sousa mudou um pouco a rotina de trabalho no Ninho do Urubu. Diariamente, antes e depois dos treinos, o português se reúne com Márcio Tannure para uma conversa sobre o estado físico e médico dos jogadores.

A relação entre os dois tem sido tranquila desde o primeiro contato. Tannure se tornou um dos homens de confiança do técnico, que solicita a presença do chefe do departamento médico em todas as viagens da delegação.

Apesar das críticas da torcida, Sousa saiu em defesa de Tannure quando questionado sobre o departamento médico do Flamengo. Na ocasião, o português descartou a necessidade de posicionamento do profissional sobre as recentes lesões dos atletas.

"Olhando hoje para o DM, não há um grande número de jogadores que precisam recuperar. Há um trabalho sendo feito, acreditamos muito no trabalho do doutor Tannure, os recursos humanos são muitos bons, e refletimos todos os dias. Temos reuniões diárias, vejo uma procura e a confiança dos jogadores ao departamento médico", disse antes de continuar:

"Acha que é necessária uma coletiva do doutor Tannure para poder explicar tudo? Não sei se o processo é assim. É no Flamengo ou em todos os clubes? Todos os clubes fazem coletiva dos médicos? É consistente? Eu não vejo problema quando há qualidade e controle em todos os processos. Mesmo na Europa, eu nunca vi necessidade de entrevistas dos médicos. E informamos todas as lesões", finalizou em coletiva no último dia 11.

A boa relação de Sousa com Tannure faz com que as comissões, estrangeira e permanente, tenham cada vez mais entrosamento e alinhamento dos dados. Por exemplo, antes das atividades, os atletas passam na fisioterapia para uma reavaliação diária. O técnico acompanha, enquanto os preparadores físicos colhem as informações individuais de cada atleta. O estudo é repassado para o treinador.

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