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Futebol Sem Fronteiras

O jogo por trás do jogo. Com Jamil Chade e Julio Gomes


OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Futebol sem Fronteiras #45: PSG x Olympique, uma rivalidade explosiva

Do UOL, em São Paulo

15/04/2022 16h27

Classificação e Jogos

O Paris Saint-Germain caminha a passos largos rumo ao título francês, mas antes precisa passar por seu maior rival para confirmar seu favoritismo. Neste domingo (17), o time da capital recebe o Olympique de Marselha no Parc des Princes e terá Neymar à disposição, após o brasileiro se livrar de cumprir suspensão. A partida, às 15h45 (horário de Brasília), terá acompanhamento minuto a minuto do Placar UOL.

No podcast Futebol sem Fronteiras #45 (ouça na íntegra no episódio acima), o colunista Julio Gomes e o correspondente internacional Jamil Chade receberam o jornalista Elói Silveira para conversar sobre o principal clássico da França.

"Não estamos falando apenas de dois clubes, mas de duas visões da França. A da capital, centralizada, onde todas as decisões são tomadas. Vale lembrar que a França foi super eficiente em matar todas as minorias linguísticas do país, ao contrário do que fez a Espanha. A França conseguiu uma unificação muito grande no que se refere à cultura e ao poder. E Paris é o centro político, financeiro, etc, do país. Aí vem Marselha, uma cidade ao sul, extraordinária, viva, suja às vezes. E vive nessa sombra de Paris", analisou Jamil.

Silveira, que mora na cidade de Toulouse, contou um pouco sobre como o PSG tem ampliado sua base de fãs na França, muito embora os torcedores de times tradicionais vejam esse processo com certo desdém. "Paris se impõe muito e a influência do PSG é muito grande. É um time forte, que representa o país e outras cidades acabam aceitando esse tipo de relação. Eles ganharam muitos simpatizantes. É normal, por ser o melhor time, está mais constantemente na televisão e jogadores fortes", disse.

Como o PSG se tornou figurinha carimbada na Liga dos Campeões e conta com astros do futebol mundial, naturalmente atrai um público cada vez maior, como destacou Julio. "Podemos imaginar o cenário de que quem é mais 'futebol raiz' e acompanha há mais tempo pegou uma certa birra do PSG, com essa coisa do dinheiro do Qatar. Quem não acompanha tão de perto acaba vendo o PSG como uma espécie de representante do país na Europa", comentou.

O clima entre as duas equipes se acirrou em um passado recente, como explicou Silveira. "Essa rivalidade começa porque, em certa fase dos anos 90, o Olympique dominou demais o Campeonato Francês e até na Europa. O Bernard Tapie, antigo presidente do OM, tem negociações sobre como criar uma rivalidade. Entrou essa questão da política, já que Paris e Marselha são a primeira e a segunda cidade. O Canal + entrou como acionista do PSG, que passa a ter um time melhor, e essa rivalidade aumenta", colocou.

Porém, o êxito esportivo do Olympique de Marselha na década de 90 logo se transformou em motivo de vergonha. Tapie se envolveu em um escândalo de suborno a jogadores do Valenciennes, em partida pelo Francês. O OM estava a caminho do título nacional e tinha amplo favoritismo, mas a ideia era, além de garantir a vitória, assegurar que nenhum jogador do Olympique se desgastasse muito - alguns dias depois, o clube disputaria a final da Liga dos Campeões contra o Milan.

Além da prisão de Tapie, o Olympique teve seu título nacional cassado - o da Liga dos Campeões foi mantido e, por isso, o OM é o único time francês campeão do torneio. Apesar da manutenção da taça continental, o Milan foi o representante europeu na disputa do Mundial Interclubes contra o São Paulo em 1993.

O título da Liga dos Campeões se tornou uma obsessão para o PSG, mas nem mesmo o aporte financeiro do Qatar foi suficiente para o clube levar a tão cobiçada taça e alcançar o feito do seu rival. "Essa vontade de criar um time forte em Paris passa não só pelo Tapie, mas pelo próprio governo. Chega no Nicolas Sarkozy [ex-presidente francês], que diz querer um time grande em Paris. Ele assume a responsabilidade de viabilizar e faz isso com os amigos do Qatar", contou Jamil, ao mostrar como a política beneficiou o PSG e o ajudou a se tornar um dos clubes mais ricos da Europa.

Enquanto o PSG patina na Liga dos Campeões, o time nada de braçada no Francês. A equipe lidera a Ligue 1 com 71 pontos, doze a mais do que o Olympique de Marselha, segundo colocado. Caso confirme seu favoritismo, o clube da capital chegará ao seu décimo título francês, igualando-se ao próprio OM e ao Saint-Étienne, maiores campeões nacionais. Será o oitavo título do PSG na Ligue 1 nas últimas dez edições do torneio.

"No ano passado, quando o Olympique de Marselha ganha do PSG em um período no qual estávamos na retomada do futebol, foi a primeira vitória da equipe sobre o PSG em dez anos. Foi a primeira vez nesse período todo do Qatar. Está sendo muito traumático para o torcedor do Olympique de Marselha ver esse domínio do PSG", concluiu Julio.

Ouça o podcast Futebol sem Fronteiras e confira também o que há de verdade sobre uma possível venda do PSG e como estão sendo as temporadas de Jorge Sampaoli e Gerson no Olympique de Marselha.

Não perca! Acompanhe os episódios do podcast Futebol sem Fronteiras todas as quintas-feiras às 16h no Canal UOL.

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