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Futebol Sem Fronteiras

O jogo por trás do jogo. Com Jamil Chade e Julio Gomes


OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Futebol sem Fronteiras #53: Penta, 20 anos: Bastidores de quem viu de perto

Do UOL, em São Paulo

09/06/2022 17h00

Há 20 anos, Cafu exaltava o Jardim Irene em uma das cenas mais icônicas da Copa do Mundo. Em um dos momentos de maior glória para um jogador de futebol, o capitão da seleção brasileira celebrou sua origem humilde ao erguer a taça, no capítulo final da conquista do penta. Um título que coroou a ressurreição de Ronaldo, artilheiro do Mundial e autor dos gols da vitória por 2 a 0 na final contra a Alemanha, consagrou o técnico Luiz Felipe Scolari e rendeu várias histórias marcantes.

No podcast Futebol sem Fronteiras #53 (ouça na íntegra no episódio acima), o colunista Julio Gomes e o correspondente internacional Jamil Chade conversaram com os jornalistas Decio Lopes e Diogo Kotscho, que participaram da cobertura da seleção brasileira naquela Copa, disputada na Coreia do Sul e no Japão.

Kotscho e Lopes fizeram parte de uma equipe montada pelo Guaraná Antarctica, um dos patrocinadores da seleção brasileira. Uma das missões era registrar os bastidores da equipe, para o torcedor se sentir mais próximo dos jogadores. Vale ressaltar que era uma época sem redes sociais e, por consequência, com um volume muito menor de registros compartilhados com o público em comparação aos dias atuais.

Lopes destacou um dos momentos mais marcantes de seu trabalho junto à seleção. "O Felipão, já na reta final dos mata-matas, decidiu que precisaria fazer uns vídeos motivacionais. Tenho muito orgulho por ter feito o vídeo de motivação a que a seleção assistiu antes da final da Copa e ser campeã. Também ajudei a fazer vídeos de tática com ele, principalmente para mostrar jogadas de bola parada", contou.

Os vídeos vistos pelos jogadores antes da final e da semifinal, ambos feitos por Lopes, ficaram famosos e tiveram duas músicas marcantes: 'Festa', de Ivete Sangalo, e 'Deixa a Vida me Levar', de Zeca Pagodinho. "Essas músicas se tornaram os hinos da seleção campeã. Eu escolhi a da Ivete, e o Scolari a do Zeca. Ele veio com essa música na cabeça, porque já a tinha ouvido no ônibus, com os jogadores fazendo um samba. Um dia, entre 50 músicas tocando, ele gostou da letra por achar que descrevia perfeitamente o que são esses jogadores e a mensagem que quero passar", lembrou Lopes.

A chegada do Brasil à final do Mundial de 2002 trouxe novamente à tona as lembranças da traumática decisão da Copa anterior, quando Ronaldo teve uma convulsão horas antes da partida, mas mesmo assim foi a campo. O assunto, que até então não havia sido abordado, foi lembrado de uma forma, digamos, cômica, como revelou Kotscho.

"Foi pouco noticiado na época, mas houve um terremoto no meio da madrugada, um dia antes da final. Nosso hotel ficava no pico de uma montanha perto de Yokohama. Deu para sentir o terremoto dentro dos quartos. Saímos para os corredores e aí pintou a piada: o Ronaldo deve ter sentido de novo o que teve em 98", disse, para risada geral. Brincadeiras à parte, Kotscho falou que o problema sofrido por Ronaldo em 98 não era um assunto proibido. "Ninguém nunca deu instrução para não tocar no assunto", frisou.

Dois dos principais destaques da seleção brasileira na campanha do penta não estavam totalmente confiantes no que poderiam produzir na Coreia do Sul e no Japão, como mostrou Lopes. "Ronaldo e Rivaldo chegaram à Copa em dúvida sobre as próprias condições físicas deles. O Ronaldo estava voltando de uma lesão gravíssima e muita gente dizia que ele havia acabado para o futebol. Ele fez um trabalho incansável de recuperação. O médico do Barcelona, um mês antes da Copa, disse para o Rivaldo que ele precisaria operar o joelho. Ele não operou e foi para a Copa", completou.

Ouça o podcast Futebol sem Fronteiras e confira também como a polêmica sobre a ausência de Romário na lista de Felipão de certa forma contribuiu para um acerto estratégico com Kaká. E descubra qual foi a estratégia usada por Felipão para unir o elenco.

Não perca! Acompanhe os episódios do podcast Futebol sem Fronteiras todas as quintas-feiras às 16h no Canal UOL.

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