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Robinho vive de renda e não terá problema financeiro caso pare de jogar

Lucas Musetti Perazolli

Colaboração para o UOL, em Santos (SP)

19/01/2022 11h45

Robinho foi condenado por estupro coletivo na última instância da justiça italiana e tem futuro incerto no futebol. Porém, se ele parar de jogar, mesmo assim não terá problemas financeiros.

O atacante de 37 anos vive uma vida tranquila entre as duas casas na Baixada Santista: uma para o dia a dia, em Santos, e outra para lazer, no Guarujá.

Antes do julgamento de hoje, o UOL Esporte ouviu de pessoas próximas a Robinho que ele esperava ser inocentado para ter uma nova chance de vestir a camisa do Santos, seu clube do coração, nem que seja para uma despedida. Porém, agora a situação complica com a condenação na última instância.

O Peixe está perto de terminar de pagar uma dívida com Robinho da época de Modesto Roma (2015/17). O valor total era de R$ 2,3 milhões e foi renegociado para R$ 1,8 milhão. Falta pagar uma parcela de R$ 150 mil.

O Santos do ex-presidente Orlando Rollo contratou Robinho em outubro de 2020, mas suspendeu o acordo antes mesmo da reestreia por causa da pressão de patrocinadores. Andres Rueda assumiu em janeiro com a esperança de rescindir logo de cara, porém, os custos seriam elevados e a decisão foi de esperar o término do vínculo, em 28 de fevereiro de 2021.

Robinho havia assinado um contrato curto, com possibilidade de renovação, e salário simbólico. À época, o atacante entendeu a decisão do Santos.

"Estou aqui com tristeza no coração para falar a vocês que tomei a decisão, junto ao presidente, de suspender meu contrato diante desse momento conturbado da minha vida. Meu objetivo sempre foi ajudar o Santos. Se de alguma forma estou atrapalhando, melhor que eu saia e foque nas minhas coisas pessoais. Com certeza vou provar minha inocência", disse.

Na mesma semana, ele afirmou ao UOL Esporte que "o crime foi trair a esposa".

Dinheiro aplicado

Robinho não tem problemas financeiros. O jogador possui economias, principalmente após a passagem pelo futebol chinês —ele ainda jogou por Real Madrid, Manchester City e dois clubes da Turquia—, e tem dinheiro aplicado em investimentos. Um amigo do atacante disse ao UOL Esporte que, sem loucuras, "tem dinheiro para ele, os filhos e os netos".

Robinho recebeu sondagens para jogar em clubes de menor expressão no Brasil e no exterior, mas recusou. Ele só retomaria a carreira se fosse no Santos.

Robinho chegou a ter rotina de treinamentos no clube Portuários, em Santos, mas recuou e treina na maior parte do tempo em casa para manter a forma física. É normal vê-lo nas praias da região para futevôlei.

Na casa no Guarujá, Robinho tem uma quadra de futevôlei, onde já promoveu campeonatos. O último evento contou com Malcom, atacante ex-Corinthians e atualmente no Zenit, da Rússia.

Discrição

Robinho gostaria de jogar novamente pelo Santos, mas, nas redes sociais, o Peixe não é assunto. O atacante costuma publicar apenas fotos da família e passagens da Bíblia.

Em junho de 2021, Robinho foi ao CT Rei Pelé para ser atendido por Fabio Novi, ex-médico do Santos e doutor particular dele. O jogador posou para fotos com funcionários e atletas do Peixe, e o assunto rendeu polêmica. À época, o presidente Andres Rueda foi a público e minimizou o assunto.

Em dezembro, Robinho voltou a jogar na Vila Belmiro. Ele participou de um evento fechado e prévia do tradicional "Natal Sem Fome", ação beneficente organizada por Narciso. A partida oficial foi em São Bernardo do Campo, com transmissão do SporTV, e o atacante não atuou.

Entenda o caso

O caso aconteceu em Milão, na boate Sio Cafe, durante a madrugada de 22 de janeiro de 2013. A vítima é uma mulher albanesa que, na época, comemorava seu aniversário de 23 anos. Além de Robinho, que então defendia o Milan, e Ricardo Falco, amigo do atleta, outros quatro brasileiros foram denunciados por terem participado do ato.

Como já haviam deixado a Itália no decorrer das investigações, eles não foram avisados da conclusão das investigações e por isso não foram processados. O caso contra esses quatro brasileiros está suspenso até o momento, mas pode ser reaberto, principalmente agora que a última instância da justiça italiana confirmou a condenação de Robinho e Falco.

Robinho admitiu ter mantido relação sexual com a vítima, mas negou as acusações de violência sexual, quando foi interrogado, em 2014. Em entrevista ao UOL Esporte em outubro de 2020, o jogador afirmou que não abusou sexualmente da mulher.

Ele não compareceu a nenhuma das audiências nos quase seis anos de julgamento. O processo, que iniciou em 2016, teve a sentença de primeiro grau proferida em 23 de novembro de 2017. O caso voltou à tona em outubro de 2020 quando o site "Globoesporte.com" publicou trechos de conversas interceptadas pela polícia, nas quais Robinho e os amigos fazem pouco caso da vítima.

"Estou rindo porque não estou nem aí, a mulher estava completamente bêbada, não sabe nem o que aconteceu", escreveu o jogador em uma das conversas.

Nova condenação em 2ª instância

Ao longo do processo, a defesa de Robinho alegou que algumas traduções estavam erradas, que algumas transcrições das conversas grampeadas deixavam dúvidas e que era impossível provar que a vítima estava em condição de inferioridade psíquica e física como descrito na sentença de primeiro grau.

Mesmo assim, em dezembro de 2020, a corte de Apelação de Milão, segunda instância da justiça italiana, em audiência única, confirmou a condenação do atacante e de Falco a nove anos de prisão.

De acordo com a juíza italiana Francesca Vitale, que presidiu o julgamento em segunda instância, "a vítima foi humilhada e usada pelo jogador e seus amigos para satisfazer seus instintos sexuais".

"O fato é extremamente grave pela modalidade, número de pessoas envolvidas e o particular desprezo manifestado no confronto da vítima, que foi brutalmente humilhada e usada para o próprio prazer pessoal", escreveu a magistrada.

A defesa do brasileiro, então, apelou à Corte de Cassação, a terceira e última instância italiana, mas teve o recurso rejeitado.