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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

André Rocha: 'Torcida do Flamengo tinha de mostrar o tamanho da frustração'

01/12/2021 00h38

O Flamengo recebeu o Ceará, hoje (30), pelo Campeonato Brasileiro, e venceu por 2 a 1, triunfo que assegurou, ao menos, a segunda colocação. O jogo marcou o reencontro do time da Gávea com a torcida após a derrota na final da Libertadores, no último sábado.

Na Live do Flamengo, transmitida pelo UOL Esporte após os jogos do Rubro-Negro, André Rocha e Renato Maurício Prado comentaram a atuação da equipe e da torcida no Maracanã.

"Eu não sou sommelier de torcedor, o torcedor faz o que ele bem entender no Maracanã, até porque ele paga ingresso, mas acho que senso crítico é uma coisa que nos diferencia dos outros seres vivos e acho que o ser humano não pode abrir mão do seu senso crítico. Essa postura de muito apoio hoje da torcida do Flamengo é uma coisa que não me desce muito bem, ainda mais com selfie na hora do gol, como se fosse um momento de festa. O Flamengo teve uma das maiores derrotas da sua história, então, hoje, era para o time sentir o bafo da torcida. Sempre uso como imagem simbólica... Aquele time campeão mundial de 81, o primeiro jogo daquele time depois de ser campeão, foi um Flamengo e São Paulo no Maracanã, e o time saiu vaiado no intervalo, com 2 a 0 para o São Paulo no placar. O time entendeu o recado da torcida, foi para cima e virou o jogo para 3 a 2", disse André Rocha.

"Tem certos momentos que sou crítico a essa 'argentinização' das torcidas aqui no Brasil. Eu não concordo muito com essa cultura argentina de gritar com o time tomando de cinco, de seis. Acho que a torcida tem de ser o termômetro do time. Não é para vaiar por qualquer coisa, mas hoje era para o Andreas sentir o peso", continuou.

Ainda sobre o tema, o colunista do UOL Esporte acredita que os presentes ao estádio deveriam ter mostrado ao time o peso da derrota na decisão continental.

"Aí, o problema é o seguinte: não se tem um meio termo. Ou o cara vai à rede social e ameaça o cara de morte, ou então é: 'Ah, vamos abraçar, vamos proteger, coitadinho'. Ele tinha de entender o tamanho da bobagem que ele fez, e o que significou isso para a história do Flamengo. E esse time tinha de entender o que significou isso para a história do Flamengo. O torcedor vai lá e faz o que ele quiser, mas eu, daqui, tenho o direito de não concordar com essa postura. Acho que torcedor tem de ser crítico e tinha de mostrar para o Andreas e todo mundo o tamanho da derrota que aconteceu no sábado. Não é desmerecer o Palmeiras, mas a torcida tinha de mostrar o tamanho dessa frustração, e não foi isso que aconteceu no Maracanã".

Renato Maurício Prado, por sua vez, discordou do colega de bancada e ressaltou que falhas de jogadores acontecem.

"Eu discordo de você, André. Eu não entendo que seria legal... Eu, se estivesse na arquibancada como torcedor, não iria vaiar o Andreas Pereira. Não acho que seja... Errou! Gente, 300 jogadores importantes erraram em momentos até mais cruciais. Roberto Baggio chutou um pênalti para fora na final da Copa do Mundo, e nem por isso virou um pária na Itália, no futebol italiano. Acho que a torcida chegou a cobrar um pouco antes de a bola rolar, chegou a ter coro de 'time sem vergonha', mas depois que a bola rolou, tem de apoiar. Não tem como não apoiar. Não faz sentido, por causa da derrota na final da Libertadores, quase 50 mil torcedores ir ao Maracanã para vaiar" apontou.

O também colunista do UOL Esporte ressaltou que o Flamengo não fez um vexame em Montevidéu que pudesse justificar uma grande presença no Maracanã para protestar no decorrer do duelo com o Ceará.

"Até porque, vamos combinar, o Flamengo não fez uma partida vexatória contra o Palmeiras (...). O jogo foi super parelho, Flamengo teve a bola do jogo, e houve um erro. Um erro que acontece com todo mundo, e o Flamengo perdeu. Mas a gente vê pelas redes sociais que muita gente pensa como você e discorda de mim".

André Rocha, então, pontuou a comemoração do primeiro gol, marcado por Gabigol, em que Diego pega o celular de um torcedor da arquibancada e faz uma selfie.

"Mas só deixando claro: não sou a favor de nenhum tipo de violência. É o meio termo disso daí. Nem ameaçar o cara de morte, querer dar porrada nele, mas também essa condescendência toda... O que mais me incomodou foi aquela comemoração do gol, com Diego fazendo selfie. Essa questão do Andreas e tal, é uma visão minha. Mas o lance do gol com selfie, para mim, passou um pouco", afirmou.

Neste ponto, RMP esteve em concordância: "Isso aí eu concordo integralmente. Não havia clima para fazer uma festa daquele tamanho. Parecia que o Flamengo tinha voltado campeão da Libertadores".

A próxima edição da Live do Flamengo será na sexta-feira (3), logo após a partida contra o Sport, pelo Brasileiro. Você pode acompanhar o programa pelo Canal UOL, no app Placar UOL, na página do Flamengo no UOL Esporte e no canal do UOL Esporte no Youtube.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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