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Gondwana: Curta-metragem reconecta futebol à cultura afro-brasileira

Menina domina a bola durante gravações do curta-metragem "Gondwana, a bola conecta" - Divulgação/Gondwana F&C
Menina domina a bola durante gravações do curta-metragem "Gondwana, a bola conecta" Imagem: Divulgação/Gondwana F&C

Arthur Sandes

Do UOL, em São Paulo

19/11/2021 04h00

Gondwana é o nome dado ao supercontinente de uma era geológica em que Brasil e África eram fisicamente unidos, há 200 milhões de anos. É do simbolismo desta união que o curta-metragem "Gondwana, A Bola Conecta" parte para contar o futebol brasileiro como ferramenta cultural, inclusiva e resultado de suas influências africanas. A estreia será às 20 horas (de Brasília) de amanhã (20), Dia da Consciência Negra, nas redes sociais do projeto.

O UOL Esporte conversou com a diretora Mônica da Silva sobre o curta-metragem e sua importância dentro do projeto "Gondwana Futebol & Cultura", que pretende percorrer o Brasil contando a relação justamente destes dois fenômenos sociais (futebol e cultura afro) e a história de quem o pratica na rua, na quadra, na praia.

"O primeiro passo é pensar o futebol como jogo e brincadeira, não como futebol profissional. Porque de alguma forma todos estamos ligados ao futebol, seja um avô que gostava de um time, nossos pais jogavam. Temos referências em livros, na televisão, no rádio, o tema está dentro da gente. A partir disso, queremos chegar nas pessoas e contar o futebol cultural, porque o jogo está ligado à comida, à música, à capoeira e várias outras influências afro-brasileiras", explica Da Silva.

Mônica da Silva, diretora do curta-metragem "Gondwana, A Bola Conecta", em Salvador - Divulgação/Gondwana F&C - Divulgação/Gondwana F&C
Mônica da Silva, diretora do curta-metragem "Gondwana, A Bola Conecta", em Salvador
Imagem: Divulgação/Gondwana F&C

O filme registra uma viagem da diretora e do facilitador esportivo Sebastián Acevedo à Bahia e a Pernambuco, Estados com enorme influência cultural de povos africanos. À medida que encontram pessoas batendo bola, cada jogo traz consigo uma raiz histórica que extrapola o esporte: o baba de uma turma de pescadores na praia; um altar de Iemanjá a metros de uma quadra; um treino de crianças ao lado de um ensaio da Timbalada, etc.

Uma das pessoas ouvidas no filme é Vensam Iala, empreendedor nascido na Guiné Bissau que idealizou no Brasil a marca "Visto África". Em uma de suas falas, ele opõe esta relação sociocultural orgânica —"o Brasil de fato", como ele chama — ao "Brasil do sistema" e o vício de apagamento destas culturas afro. Em tempos sombrios em que aquele Brasil é perseguido por este, Vensam Iala marca posição.

"É importante celebrarmos estas influências", defende.

"Gondwana, A Bola Conecta" tem papel importante na reflexão do futebol como bem social, não como mero produto a ser explorado em arenas modernas. A partir do curta-metragem, o projeto agora tenta captar patrocínios para visitar outros estados brasileiros e países latino-americanos até fechar o ciclo em países africanos. Paralelamente, planeja aulas interativas com crianças.

"Contado desta maneira, o curta quer trazer conhecimento e empoderar as pessoas, as crianças. Queremos exibir este curta, mostrar a influência da África no Brasil, e permitir à criança entender que toda esta cultura está nela", explica Mônica da Silva.

Em uma das cenas do filme, no estádio municipal de Olinda (PE), Mônica da Silva conta como a relação das crianças com a bola pode ser transformadora. Os meninos jogavam, mas as meninas estavam tímidas e diziam não saber jogar.

"Conversando, mexendo com a bola, elas começam a brincar, a correr, foi fantástico. Esta é a ideia do projeto: que chegue em todas as pessoas, que mostre a diversidade e que o futebol é conexão entre as pessoas", completa a diretora.

O filme estreia no YouTube do projeto Gondwana Futebol & Cultura amanhã (20) à noite e tem mais três exibições no domingo (21), no final de semana que vem (27 e 28).

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