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Seleção Brasileira

Tite reconhece mudança de estratégia contra o Chile e 'absolve' Neymar

Tite fez duas mudanças logo no intervalo da partida contra o Chile, pela nona rodada das Eliminatórias - Getty Images
Tite fez duas mudanças logo no intervalo da partida contra o Chile, pela nona rodada das Eliminatórias Imagem: Getty Images

Gabriel Carneiro e Igor Siqueira

Do UOL, em São Paulo e no Rio de Janeiro

03/09/2021 08h48

Classificação e Jogos

Horas após a vitória por 1 a 0 sobre o Chile pela nona rodada das Eliminatórias da Copa do Mundo do Qatar, o técnico Tite disse que encara as críticas com "naturalidade" e que a seleção brasileira passou por uma mudança de estratégia ao longo da partida depois de ver sua formação inicial não corresponder às expectativas no primeiro tempo. Apesar da vitória e dos 100% de aproveitamento, o desempenho ficou em xeque.

"É um desafio grande de estabelecer coordenação de movimentos, links, uma engrenagem de 11 atletas que nunca jogaram juntos, se ajustar. Às vezes precisa dentro do jogo ou no intervalo que se façam essas alterações. Foi um primeiro tempo com solidez defensiva e um segundo tempo de uma forma mais equilibrada, com posse de bola e agressiva", resumiu o treinador.

Tite concedeu entrevista coletiva no hotel onde a delegação está hospedada em Santiago e não no Estádio Monumental em razão de uma questão comercial envolvendo CBF e Federação Chilena. A entrevista foi gravada e disponibilizada hoje (3) de manhã. Segundo Tite, foram dois momentos de mudança de estratégia: quando inverteu o posicionamento de Lucas Paquetá e Vini Jr ainda no primeiro tempo e quando sacou o próprio Vini Jr e Bruno Guimarães para as entradas de Everton Ribeiro e Gérson no intervalo.

"Primeiro e segundo tempo foram bastante diferentes. No primeiro o que trouxemos: sabíamos que o Chile faria um primeiro tempo acelerado, buscando o placar pela necessidade de vencer dentro da tabela. Propusemos marcação alta no tiro de meta. Se tu observar os vídeos posicionávamos no tiro de meta três jogadores para tirar saída de bola do time do Chile, essa compactação. Em compensação não fazíamos pressão média onde a bola transita. Em algumas circunstâncias, bola na mão do goleiro, volta até a linha do meio-campo, dá espaço para que o Chile fique com a bola em zona morta e para que tente o passe nessa transição. Nós, com Neymar, Vinicius Jr, Gabriel Barbosa, Paquetá, lateral do respectivo lado e Bruno Guimarães, puxarem contra-ataque e serem efetivos", disse, antes de justificar o que deu errado:

"Oportunidade tivemos, mas faltou um pouco mais da coordenação dos movimentos, de entrosamento, inclusive, de equipe que mal se ajustou, que pouco ou nunca jogou junta. Sofremos com a posse de bola em demasia e começou a corrigir a partir do momento em que mexeu a estrutura com a troca de Vini Jr e Paquetá. O Chile estabeleceu um volume forte e mesmo assim tiramos as infiltrações, finalizações foram de média distância. Mas foi menos do que a expectativa que tínhamos."

Tite - Reprodução/CBF TV - Reprodução/CBF TV
Tite e o auxiliar Cleber Xavier durante entrevista coletiva pós-jogo de Chile 0 x 1 Brasil
Imagem: Reprodução/CBF TV

Sobre o segundo tempo, Tite abriu para que seu auxiliar Cleber Xavier explicasse a dinâmica: "No intervalo a gente retoma a entrada de um meia por dentro, que é o Everton, fazendo o que o Paquetá fazia. E também a entrada do Gérson com sustentação, que segura bem a bola, dá ritmo. Entraram dois importantes, porque o Paquetá organizou melhor o setor de marcação e equilibramos. Quando Chile muda pro 4-3-3 vamos pro 4-4-2 com Everton Ribeiro pela direita, mantendo o Paquetá mais à frente pela esquerda na segunda linha e Gabriel e Neymar. Depois Matheus Cunha, que dá sustentação na marcação central e sai em velocidade."

Everton Ribeiro foi o autor do gol da vitória do Brasil aos 18 minutos do segundo tempo, aproveitando o rebote de uma defesa de Claudio Bravo após finalização de Neymar. Tite também foi questionado sobre o desempenho do camisa 10, que aparentou estar longe de sua melhor condição física e até respondeu críticas sobre isso. O treinador contemporizou:

Neymar - REUTERS - REUTERS
Neymar atuou os cem minutos da vitória sobre o Chile, ontem (2), fora de casa
Imagem: REUTERS

"Todos os atletas ficam prejudicados em sua condição técnica neste reinício de temporada, isso não é um privilégio dele [Neymar]. Todos que ficaram parados sentem, está aí o Matheus Cunha que estava com problema de lesão e quase não veio, entrou em uma parte só do jogo, então todos os jogadores têm, uns mais, outros menos."

A seleção brasileira retorna do Chile às 16h. O próximo jogo é no domingo, no mesmo horário, contra a Argentina.

Leia outras respostas de Tite:

Seleção no ponto ideal e críticas

"Ponto ideal, não. É uma fase de construção de equipe e espero que ela esteja na plenitude da sua condição no Mundial, no processo de crescimento e evolução. Tem muitas pessoas que eu represento, que elas se enxergam em mim com minha busca de aperfeiçoamento profissional, meu lado ético, minha educação ou não educação, sabe? Com meu estilo. E elas se identificam comigo. A elas o meu carinho, consideração, alegria, meu dividir por tudo o que tem acontecido de bom, inclusive esses números impressionantes. Aos outros, que é normal, que eu não represento, assim como numa sociedade que é diferente, tem muitas pessoas que não represento porque não sou o estilo, não veem o futebol equilibrado que vejo, que daqui a pouco preferem de outra forma, o que é normal e natural, a essas pessoas eu compreendo, porque existem pessoas em outros setores que não me representam. Tenho que ter a naturalidade e o conhecimento com essas questões todas."

Novas opções na equipe:

"Nós falamos de um dos aspectos importantes: quem não veio teve alguns problemas. Que veio e foi convocado tem nada a ver com as outras situações, que agarre suas oportunidades, vá dentro, jogue muito, que tenha o reconhecimento público e nosso, porque assim que se faz futebol, tu compete em alto nível de forma leal. E fomentamos isso. Quando fizemos trabalhos táticos sempre queremos fazer com todos, bola parada ofensiva e defensiva, coordenação dos movimentos, com todos. Trabalho é igual, preparo é igual para competir e a oportunidade surge."

Seleção - Lucas Figueiredo/CBF - Lucas Figueiredo/CBF
Marquinhos (4) abraça os jogadores da seleção brasileira no jogo contra o Chile, pelas Eliminatórias
Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

Entrada de Everton Ribeiro:

"A entrada de um outro meio-campista estabeleceu essa relação de equilíbrio. Primeiro tempo seria mais acelerado, sabíamos isso do Chile. Mas tivemos a ótica e o discernimento de ter mais um jogador de articulação que equilibrasse mais. A ideia de colocar o Vinicius bem aberto do lado esquerdo era para enfrentamento com Isla, que não tem essa velocidade e o torque, e na saída de contra-ataque chegarmos na frente. Ficou prejudicada essa ação porque o Isla ficou muito acionado e é um jogador que trabalha nessa última linha, bem na amplitude. Corrigimos durante o jogo com Paquetá, que sai de situação externa para que o Vinicius jogue de atacante. Equipe foi se construindo ao longo do tempo."

Zaga sem Marquinhos:

"Eu estou muito tranquilo com Lucas Veríssimo e Miranda. Não pensei ainda, mas assisti o jogo ao vivo, eu e Juninho [Paulista, coordenador da seleção], Palmeiras x São Paulo, e Miranda jogou muito mesmo com resultado. Lucas está em grande momento, já no Santos estava muito próximo de ser convocado. Está muito bem. Os dois estão treinando, estão preparados e sabem que têm condição de sair jogando."

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