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Cruzeiro paga o PSTC, mas vive grave drama com salários atrasados

Situação financeira do Cruzeiro é caótica e clube tem mais de R$ 1 bilhão em dívidas, segundo relatórios oficiais - Guilherme Piu
Situação financeira do Cruzeiro é caótica e clube tem mais de R$ 1 bilhão em dívidas, segundo relatórios oficiais Imagem: Guilherme Piu

Guilherme Piu

Do UOL, em Belo Horizonte

26/02/2021 04h00

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O Cruzeiro conseguiu se livrar de uma pendência financeira importante que poderia interferir diretamente nos planos do clube para a temporada 2021. Estamos falando da dívida de mais de R$ 2 milhões com o PSTC, equipe do Paraná, referente à venda do zagueiro Bruno Viana. Era algo que impedia o clube de registrar atletas na Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Apesar de se ver livre dessa cobrança e novamente liberado a inscrever jogadores, a Raposa vive um grave drama por salários atrasados.

Segundo apurou o UOL Esporte são praticamente quatro folhas em débito com os jogadores que estão há mais tempo na Toca II: parte do pagamento de outubro de 2020, integral de novembro e dezembro, além do 13º salário. Sobre os valores a serem pagos pelos trabalhos em janeiro de 2021, havia a previsão de quitação com o dinheiro da venda do jovem volante Jadsom Silva para o Red Bull Bragantino.

Entretanto, se essa folha — que já contempla os novos contratados — não for paga, o Cruzeiro somará quase meio ano de dívida salarial com os atletas. É que na próxima semana o vencerá o pagamento de fevereiro. Só pelos débitos antigos são mais de R$ 10 milhões em dívidas.

Outras pendências

A diretoria se movimenta e tenta resolver essa e outras situações. Como, por exemplo, os débitos de 2019, ano em que o Cruzeiro foi rebaixado à Série B, que foram postergados. O clube, por meio do Conselho Gestor — que dirigiu a Raposa entre dezembro de 2019 e junho de 2020 —, acordou pagar pendências salariais do ano retrasado a partir de 2021, o que não deverá acontecer.

O próprio presidente Sérgio Santos Rodrigues, em entrevista à reportagem, admitiu que se o Cruzeiro não voltasse à Série A nesta temporada teria que renegociar pendências antigas com os jogadores.

"Os jogadores têm sido muito bacanas com o Cruzeiro. Fábio, Léo, Henrique, Ariel Cabral, Manoel...,São pessoas que estão nessa situação. Em momento algum brigam ou falam sobre isso [salário atrasado]. Eles sabem da nossa realidade. Até já partiu de um deles falar com a gente: 'presidente, fica tranquilo, se tiver que trabalhar com outro orçamento nós não queremos prejudicar, somos parceiros e queremos ajudar o Cruzeiro'", disse Rodrigues ao UOL, em outubro do ano passado.

Desde o segundo semestre de 2019 que o Cruzeiro convive com atrasos salariais.

"Prometer que vai pagar salário em dia é complicado, pois a gente não sabe da receita. O que a gente batalha é para isso. Só eu sei o que é ter uma caneta na mão e a responsabilidade pela vida dessas pessoas (...) O pessoal sabe o meu incômodo com isso. Tanto que, quando atrasa, eu comunico internamente. Falo do planejamento e quando pretendo pagar. Enfim, prometer que vai acontecer é complicado, mas quem está aqui sabe da nossa seriedade, do nosso empenho e o tanto que incomoda não estar em dia. Isso é uma batalha diária para que o atraso não aconteça", disse o mandatário celeste, também no ano passado.

Além disso, os funcionários administrativos possuem valores pendentes de férias do período de 2020 e também do 13º salário.

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