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Blogueiros do UOL: arrogância e planejamento atrapalharam temporada do Fla

Jogadores do Flamengo deixam gramado cabisbaixos após derrota por 5 a 0 para o Independiente del Valle - José Jácome-Pool/Getty Images
Jogadores do Flamengo deixam gramado cabisbaixos após derrota por 5 a 0 para o Independiente del Valle Imagem: José Jácome-Pool/Getty Images

Do UOL, em São Paulo (SP)

02/12/2020 16h00

Ontem (1), o Flamengo foi eliminado da Copa Libertadores, nas oitavas de final, para o Racing, em pleno Maracanã. É a segunda eliminação da equipe rubro-negra — há duas semanas caiu nas quartas da Copa do Brasil, para o São Paulo.

É um ano bem atípico para o time carioca. Em 2019, sob o comando de Jorge Jesus, foram três títulos conquistados: Campeonato Carioca, a Copa Libertadores e o Campeonato Brasileiro. No entanto, após a saída do português para o Benfica, o clube encontrou dificuldades para achar um sucessor à altura.

O catalão Domènec Torrent durou pouco mais de três meses no comando do time, e foi demitido após os maus resultados. Rogério Ceni chegou ao clube com aprovação de todos, parecia ser o nome ideal para retomar as glórias que a equipe viveu no ano passado. Porém, o ex-goleiro já coleciona duas eliminações e só tem o Brasileirão até o final da temporada.

Os blogueiros do UOL Esporte foram questionados sobre qual foi o ponto que o Flamengo errou para não conseguir repetir a temporada vitoriosa com Jorge Jesus no comando. Confira as respostas:

O Flamengo tem dois problemas imediatamente insolúveis: a falta da Nação nos estádios e a arrogância de seus cartolas medíocres. Juca Kfouri.

Leia o blog do Juca Kfouri.

A impressão é de que houve uma desmobilização do elenco. Primeiro quando ficou sem a torcida e a atmosfera impressionante no Maracanã. Depois a pá de cal com a saída do Jorge Jesus. E aí o erro foi de gestão no clube, ao não detectar rápido e reverter. Pelo contrário, a direção, que já empilhava equívocos em uma disputa política bizarra, não deu respaldo a Domenec e acreditou na possibilidade de "piloto automático" com Ceni. André Rocha.

Leia o blog do André Rocha.

Vamos esquecer nomes. O problema é de conceito. O Flamengo contratou Domenèc querendo que ele fosse um clone de Jorge Jesus. Contratou ceni para ser o que Domenèc não era, sem entender o que Ceni é. Faltam ideias, planejamento e convicção. Assim, clube fica refém de um nome. Troca técnico e tudo desanda. Andrei Kampff

Leia o blog do Andrei Kampff.

Léo Pereira e Gustavo Henrique se mostraram bons jogadores nos seus antigos clubes e estão claramente jogando abaixo do que podem. Não são dois craques, mas também não são jogadores que entregam um gol por jogo como acontece agora. O principal erro do Flamengo foi não entender o que o time de Jorge Jesus tinha de especial para ganhar e tentar repetir agora. O principal mérito seria manter a estrutura de treinos, estudos e análises para que a equipe mantivesse o rendimento. O português foi embora e com ele toda a metodologia também. Danilo Lavieri

Leia o blog do Danilo Lavieri.

O planejamento todo estava feito para e por Jorge Jesus, o que nem se pode criticar. A saída do treinador fez o clube procurar por um técnico estrangeiro, tentando repetir o sucesso, mas Dome nunca foi a primeira opção. A impressão que deu é que a diretoria voltou com ele para não admitir fracasso após levar alguns nãos. Nem os jogadores compraram o trabalho do espanhol e mudança brusca em modelo de jogo fez o time regredir. Fora de campo uma tensão política, diretor se candidatando a vereador... Um ano bem confuso para o Flamengo. Marcel Rizzo.

Leia o blog do Marcel Rizzo.

O Flamengo erra desde o ano passado, escrevi sobre isso há exatos 11 meses, em 2 de janeiro, em meu Blog no UOL Esporte. O que acontece em campo é mera consequência. Mauro Cezar.

Leia o blog do Mauro Cezar.

O que mais atrapalhou o Flamengo neste ano foi a expectativa de apresentar um futebol envolvente e ganhar tudo, como aconteceu em 2019. O problema é que está cada dia mais claro que o Fla de Jesus foi exceção. Um mero acidente de percurso. Milton Neves

Leia o blog do Milton Neves.

O ponto de partida foi encarar a repetição do ano passado como algo natural. É importante a compreensão de que 2019 foi exceção. O nível de futebol gerou uma atípica supremacia técnica. Foi um dos melhores times das últimas décadas no futebol brasileiro. Mas em vez de reconhecer e exaltar o ponto fora da curva, o caminho tende a ser desqualificar tudo que já não se aproxima daquele nível. Culpar Dome por implementar um estilo diferente sempre foi incoerente. A diretoria assumiu, conscientemente ou não, o risco de buscar outro caminho, o que requer tempo e adaptação. Por fim, o Flamengo novamente passa por um período de transição, com Rogério Ceni em início de trabalho. Fatalmente, não teria como cobrar um trabalho consolidado para a reta final das competições. Por mais qualificado que seja o elenco, ainda há uma interrogação sobre qual será a nova identidade. O Flamengo tentou repetir a exceção a partir de uma série de escolhas aleatórias. Não há um erro objetivo ou específico, assim como não há um culpado simples por uma eliminação precoce que nasceu de uma improvável sequência de expulsão e gol sofrido. Apontar o dedo individualmente seria ignorar a relevância do contexto para melhor ou pior aproveitamento de determinados jogadores nas diferentes maneiras de treinar e jogar. Rafael Oliveira.

Leia o blog do Rafael Oliveira.

O Flamengo não teve culpa na saída de Jorge Jesus. Havia feito um planejamento e estava bem com ele. Inclusive com os novos reforços para a zaga. Trouxe o centroavante Pedro para a reserva de Gabigol e acertou em cheio, já o que o titular perdeu boa parte da temporada por lesão. Após a saída de JJ, a situação mudou completamente. Achei que buscar Domènec Torrent foi um erro. O clube foi atrás de uma grife apenas e perdeu um bom tempo com ele. Depois, errou também ao demiti-lo às vésperas dos jogos decisivos da Copa do Brasil e da Libertadores. Buscar Rogério Ceni e colocá-lo numa prova de fogo tão repentinamente também foi um equívoco. Em relação aos desfalques, o Fla não pode reclamar. Todos os clubes passaram por isso. Rodolfo Rodrigues.

Leia o blog do Rodolfo Rodrigues.

Creio que o problema do Flamengo vai além da questão dos reforços. Gustavo Henrique, Léo Pereira e todos os outros mostraram potencial nas últimas temporadas para jogar no clube. Atualmente não vêm atuando nem perto daquilo que mostraram. Logicamente que eles têm responsabilidade, mas ficou bem nítido que o problema do Flamengo é a incapacidade da diretoria para gerir corretamente o futebol do clube. O sucesso do rubro-negro em 2019, o outro patamar alcançado, tem nome e sobrenome como principal responsável. Jorge Jesus foi um ''tiro no escuro'' que deu certo. Não será toda temporada que isso acontecerá. O Flamengo é um clube mais rico e estruturado que a maioria, mas tem os mesmo nível de dirigentes amadores. Rodrigo Coutinho.

Leia o blog do Rodrigo Coutinho.

Houve vários erros de planejamento seja na substituição de Jorge Jesus (uma ideia audaciosa que não deu certo) seja na contratação de certos reforços como Michael. Mas, na realidade, as eliminações no mata-mata ocorreram principalmente por erros capitais cometidos dentro de campo. Houve falhas grotescas na defesa e no ataque em lances capitais, o que é fatal em jogos eliminatórios como Copa do Brasil e Libertadores (lembremos que o Flamengo foi melhor do que o Racing na queda). Essas falhas foram cometidas inclusive por atletas que já estavam no clube e foram vitoriosos antes, como Bruno Henrique. Assim, resta à comissão técnica entender porque os jogadores parecem sofrer tanto em momentos decisivos. Rodrigo Mattos.

Leia o blog do Rodrigo Mattos.

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