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Renato pistola: R$ 200 mi do Fla, time de freiras, discussão e ataques à TV

Renato Gaúcho falou por pouco mais de 20 min e passou por vários assuntos - Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Renato Gaúcho falou por pouco mais de 20 min e passou por vários assuntos Imagem: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

03/11/2020 04h00

Renato Gaúcho ficou "on" na entrevista coletiva depois de Grêmio e Red Bull Bragantino, pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro. Em pouco mais de 20 minutos, o treinador falou de Flamengo e Atlético-MG com investimentos milionários, criticou repórter e emissora de TV e ainda comentou discussões recentes entre atletas do elenco gremista.

O UOL Esporte separou os principais momentos da noite pistola de Portaluppi.

PREVISÃO SE CONFIRMOU?

No início de outubro, Renato deu até data para o Grêmio "decolar" no Brasileirão. Com 27 pontos, o treinador lembrou da previsão.

"Estamos há oito pontos do líder do campeonato e temos uma partida a menos (jogo com o Goiás foi adiado pela final do Gauchão). É importante isso, estamos em três competições. E falei a vocês que no final do primeiro turno estaríamos entre os primeiros colocados"

DISCUSSÃO COM MAICON

O capitão do Grêmio se irritou na metade do segundo tempo, pediu para ser substituído e foi direto para o vestiário. Maicon não falou, mas Renato Gaúcho sim.

"O Maicon é um jogador intenso, não gosta de perder nem dois toques, assim como eu. Já conversei com ele no vestiário. De repente, naquele momento, as coisas não estavam dando certo e de repente ele estava irritado. Eu não queria tirar ele, mas depois ele pediu de novo e aí eu tirei. É uma coisa normal no futebol"

ATUAÇÃO RUIM CONTRA O BRAGANTINO

Perguntado sobre o motivo para o jogo ter sido ruim em boa parte do duelo, Renato foi até o Flamengo e o Atlético-MG. Em uma das maiores respostas da coletiva.

"No geral, a imprensa toda, no Brasil todo, está cobrando sempre grandes apresentações. O Grêmio mudou muito, muitos jogadores saíram e muitos jogadores chegaram. Jogadores com Covid, no departamento médico. E mesmo assim, em três competições, o Grêmio está muito bem. Futebol bonito, vou falar uma coisa para vocês, vocês têm de cobrar de duas equipes no Brasil. Flamengo e Atlético-MG. Eles têm obrigação de apresentar futebol bonito. Pelo o que gastaram. Pelo o que gastaram? Se um dia a diretoria do Grêmio me falar 'você tem 200 milhões para gastar', podem me cobrar futebol bonito (... ) Grêmio, se fizerem as contas, gastou um milhão de euros. Dois milhões de euros. Fica bem claro o meu recado. Querem cobrar futebol bonito? Flamengo e Atlético-MG. Quando cobrarem aqui, 200 milhões na conta. Aí podem cobrar futebol bonito."

ATAQUE À TV

Perguntado se o comando do elenco era inquestionável, Renato se irritou. O treinador, ao ouvir que o repórter Mateus D'Avila trabalha na Bandeirantes Porto Alegre, disparou.

"Esse pessoal da Band, hein, meu Deus do céu. O dia que não tiver comando no meu grupo, peço para ir embora. Vai lá perguntar ao Maicon? Comando o Grêmio tem, pode ficar tranquilo. Muito tranquilo. Muito tranquilo. Mesmo. E na próxima vez, faz uma perguntinha melhor. Vocês da Band, toda hora, lenha na fogueira, um galão de gasolina. Vocês estão de parabéns? Deveriam agradecer ao futebol gaúcho, ao que estamos fazendo como dupla Gre-Nal. Não esqueçam que vocês dependem do futebol. Mas tudo bem, continua com essas tuas perguntinhas que vai continuar com essas resposta"

CLAUDINHO E O PRÓPRIO FUTURO

O treinador confirmou que perguntou sobre o contrato do camisa 10 do Red Bull Bragantino, mas no meio da declaração repetiu várias vezes que não tem futuro definido. Que pode sair do Grêmio, onde está desde setembro de 2016.

"Sim, conversei com ele. Perguntei até quando vai o contrato dele, como fiz com outros jogadores. Estou sempre pensando lá na frente. Daqui a pouco terminam as competições, não sei o que vai acontecer. Não sei se vou estar no Grêmio, não sei se vou estar em outro clube. Eu converso com muitos jogadores durante o Campeonato Brasileiro. Saber a intenção para o próximo ano, se quer sair do clube onde se encontra, se gostaria de trabalhar comigo, no clube onde me encontro. Eu conversei, sim, com o Claudinho (...) Mas não se preocupem, não. No clube que eu estiver no ano que vem, aqui no Grêmio ou em qualquer outro lugar, vou procurar alguns jogadores. Conversar com eles e ver se eles gostariam de trabalhar comigo, no clube que vou estar"

DESAFIO AOS JORNALISTAS

Ao falar da sequência de jogos, Renato desafiou os jornalistas a assumirem o comando de um time que disputa três competições no futebol brasileiro.

"O Fluminense jogou sábado, jogamos hoje e temos decisão na quinta. O Fluminense tem semana cheia, mas ninguém quer saber disso. Eu procuro segurar meu grupo e nem tempo para treinar a gente tem. A gente procura fazer o possível, estamos em três competições. Temos um milhão de problemas, mas ninguém quer saber. Eu queria ver um de vocês no lugar de um treinador em três competições. Só três dias, só Eu ia ficar por trás, só fazendo relatório. Vamos ver se vocês iam aguentar"

TIME DE FREIRAS. OU DE MUDOS

Quando perguntado sobre Pepê, que deu sinais de irritação ao ser substituído, e outras pequenas discussões entre jogadores do Grêmio:

"Eu não sou padre, não tenho time de freiras. O Pepê às vezes joga chuteira no chão, colete no chão, por se cobrar de não ir bem. Eu estou aqui há quatro anos e nunca tive discussão com jogador. Nunca tive problema. Se o jogador de futebol não pode discutir em campo, tem duas opções. Ou põe time de freiras ou time de mudos"

DETETIVE PORTALUPPI

Quase no fim da entrevista, o treinador disse que gostaria de saber da vida dos jornalistas.

"Sabe o que eu gostaria? Gostaria mesmo? Gostaria de ser detetive, um mosquitinho, e seguir vocês no dia a dia. Três dias também. Para ver se a vida de vocês é tão boa assim quanto vocês acham, que só existem problemas no futebol. Algumas coisas de vocês eu sei, mas vamos deixar para lá. Queria ser um mosquitinho? é muito fácil escrever, narrar, comentar no rádio e na televisão. É muito fácil. Queria ver no dia a dia se vocês não têm problemas. Agora, discussão no futebol? Teve no século passado, está tendo e vai ter. É normal. E como treinador, gosto de ver. Eles têm de se cobrar em campo. Vocês têm visto, sem torcida nos estádios, os palavrões que saem? Isso teve no século passado e vão ter em outros séculos. Sempre houve isso e vocês não ouviram pela torcida, pelo barulho. Até na pelada de vocês vai ter discussão, pode ter certeza"