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Volante que fazia o trabalho sujo venerava Romário até amarrando a chuteira

Jonílson, ex-volante em treinamento do Atlético-MG - Bruno Cantini/Atlético-MG
Jonílson, ex-volante em treinamento do Atlético-MG Imagem: Bruno Cantini/Atlético-MG

Enrico Bruno e Vanderlei Lima

Do UOL, em Belo Horizonte e São Paulo

09/09/2020 04h00

Jonílson ficou conhecido no futebol não só por seu nome nada comum, mas também pelas características que apresentou ao longo de toda sua carreira. Para ele, sobrou sempre vontade, raça e disposição para fazer o "trabalho sujo" dentro de campo. Hoje, aos 41 anos, Jonílson conversou com o UOL e disse que está "praticamente" aposentado.

Provavelmente, essa incerteza sobre pendurar as chuteiras ainda o persegue porque correr atrás dos adversários era o que ele sabia fazer de melhor, sem parar, mesmo. Foi assim que perseguiu craques como Robinho e até mesmo Neymar.

Para fazer Jonílson congelar em campo, mesmo, só mesmo um baixinho que usava a camisa 11, atendendo pelo nome de Romário e jogava em seu próprio time. Tudo o que o artilheiro campeão mundial em 1994 fazia simplesmente o fascinava.

"Várias vezes eu ficava olhando até como o Romário amarrava a chuteira. Claro que a chuteira só tem um jeito de amarrar, mas eu ficava olhando para ele, parecia que o cara amarrava a chuteira diferente da sua. A maneira que ele colocava o meião, como ele corria, o jeito dele comer. Eu olhava tudo isso e ficava paralisado", comentou.

O ex-volante nasceu no Rio e é um dos inúmeros admiradores daquele Flamengo de Zico. Na cidade maravilhosa, ele só levantou uma Taça Guanabara (2005) e a segunda divisão do Carioca (2004), ambas com o Volta Redonda. Mas foi no Vasco que Jonílson realizou um sonho. Quando já era um trintão, em 2008, ele teve a oportunidade de se juntar a Romário e outros ídolos como Edmundo e Pedrinho. "Hoje, eles são todos meus amigos", disse.

Jonílson, ex-volante - VipComm - VipComm
Imagem: VipComm

Volante do início ao fim da carreira, Jonílson começou a jogar profissionalmente em 1998, pelo Voltaço. De lá, chamou atenção do Botafogo e depois passou a circular pelo país, atuando em outros grandes clubes como Cruzeiro, Atlético-MG e Vasco. Fora do Rio, seus outros títulos foram só em Minas, faturando o estadual pela Raposa (2006) e pelo Galo (2010).

Oficialmente, ele considera que parou de jogar em 2017, pelo Doze, do Espírito Santo. Mas, depois disso, a saudade foi grande o suficiente para aceitar convites e vestir a camisa de outros seis times. O último deles foi no início deste ano, pelo Guaporé, em Rodônia. Agora, o quase interminável parece mesmo que parou. Jonílson voltou ao Rio, mas seu único contato com o esporte é apenas para dar aulas em uma escolinha de futebol.

Como todo "pitbull", Jonílson também não escapava das críticas. Embora importante para carregar o piano, precisou lidar com as opiniões sobre seu futebol, mas ainda hoje mostra categoria fora das quatro linhas para tirar a situação de letra. Frequentemente lembrado nas resenhas, ele tenta levar o assunto com o mesmo bom humor que cativou os ex-companheiros.

"Infelizmente no futebol é sempre desse jeito, se até o Neymar é criticado hoje, quem diria o Jonílson. Eu, no meio dos grandes, sempre fui pequeno, mas sempre fiz o meu melhor nos times que eu passei", disse.

Confira abaixo outros trechos da entrevista com o ex-jogador:

Jonílson, ex-volante do Vasco - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Alguns dos seus companheiros mais "resenhas": Jefferson (Botafogo), Ramon (hoje técnico do Vasco), Diego Tardelli, Marcos Rocha, Edmundo, Pedrinho, Romário e Beto (ex-Fla, Vasco, etc)

O que mais te irrita no futebol? Cai-cai e encenação dos jogadores.

Quem foram os atacantes mais complicados de marcar? Robinho e Neymar.

Quais foram as torcidas mais "embaçadas" para jogar contra? Corinthians e Flamengo.

Quando a seleção brasileira mais te fez raiva? 7 a 1 contra a Alemanha.

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