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Chilavert diz que ofensa xenofóbica motivou cusparada em Roberto Carlos

Chilavert comemora em jogo contra o Brasil em 97; hoje ele vive em Buenos Aires - Associated Press
Chilavert comemora em jogo contra o Brasil em 97; hoje ele vive em Buenos Aires Imagem: Associated Press

Colaboração para o UOL, em São Paulo

09/08/2020 01h18

O ex-goleiro paraguaio José Luís Chilavert declarou que uma ofensa xenofóbica de Roberto Carlos foi o que o motivou a cuspir no jogador brasileiro, em um dos episódios mais marcantes de sua carreira. O ato ocorreu após o fim de um jogo entre Brasil e Paraguai, em 2001, em Porto Alegre, pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002.

Por conta de sua atitude, Chilavert foi punido com uma multa de 10 mil dólares e uma suspensão de quatro jogos. O ex-goleiro contou que o clima de tensão para aquela partida, que poderia tirar o Brasil da Copa do Mundo, começou a ser criado antes mesmo do início do jogo.

"Fui à coletiva de imprensa e um dos jornalistas me disse que o jogo era uma guerra para os brasileiros, já que o Brasil poderia ficar fora da Copa. E eu respondi que não era uma guerra, mas futebol e que se fosse uma guerra, o Brasil poderia devolver a parte do Mato Grosso que pertence ao Paraguai. Quando chega o jogo, o árbitro é alemão, passando a mensagem de que o Brasil deveria ganhar, porque árbitros europeus não apitam as eliminatórias", disse o ex-goleiro em entrevista ao Aqui com Benja, do Fox Sports exibida hoje.

Chilavert disse que o cenário só piorou com o início da partida e decisões polêmicas do árbitro a for do Brasil. O ex-goleiro alegou que, após o fim da partida, Roberto Carlos veio em sua direção e o insultou de maneira xenofóbica, o que motivou a cusparada - que poderia ter sido um soco.

"O jogo começou e logo o Brasil fez 1 a 0. Roberto Carlos estava tentando fazer um gol, mas não conseguia. E ele foi ficando bravo e dizia coisas, de longe. Eu o provocava, dizendo que chegasse mais perto. Mais tarde, tivemos um pênalti claro não marcado, em um lance de mão do Rivaldo e o Brasil fez 2 a 0 em um gol em impedimento. No fim do jogo, o Roberto Carlos veio até mim e disse: 'índio, ganhamos de 2 a 0'. Eu pensei muito, contei até mil para não dar um soco. Então, eu cuspi. A imagem que rodou o mundo foi só da minha cusparada, mas o que aconteceu foi isso. E nós, paraguaios, somos descendentes dos índios Guaranis, tenho orgulho disso", completou o ex-goleiro

Chilavert é o segundo goleiro com mais gols no futebol, com 62 (atrás apenas de Rogério Ceni, que fez 132). O ex-goleiro paraguaio foi três vezes eleito o melhor de sua posição no mundo pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS), em 1995, 1997 e 1998, atuando pelo Vélez Sarsfield, clube onde fez história conquistando a Libertadores de 1994 e o Torneio Intercontinental do mesmo ano.Pela seleção paraguaia, ele jogou duas Copas do Mundo (1998 e 2002).

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