PUBLICIDADE
Topo
Comprar ingresso
Comprar ingresso

Corinthians se mantém contra volta do futebol, mesmo com contas no vermelho

Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, em entrevista coletiva no CT Joaquim Grava concedida no ano passado - LUIS MOURA/WPP/ESTADÃO CONTEÚDO
Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, em entrevista coletiva no CT Joaquim Grava concedida no ano passado Imagem: LUIS MOURA/WPP/ESTADÃO CONTEÚDO

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

27/05/2020 04h00

O Corinthians fechou a temporada 2019 com um déficit histórico de R$ 177 milhões e viu, em meio à pandemia do novo coronavírus, uma série de desfalques nas suas receitas, fruto na paralisação dos campeonatos.

Mais de 70 dias depois da pausa do Campeonato Paulista, o Corinthians, mesmo com a situação financeira complicada, mantém o discurso contra o retorno do futebol. Em carta aberta divulgada ontem (26), Andrés Sanchez, presidente do clube, disse que o "futebol não pode se antecipar ao controle da pandemia".

O clube alerta para a situação que o Brasil atravessa. O país é o novo epicentro da pandemia, com número de mortes diárias em ascensão, superior até ao registrado pelos Estado Unidos nos últimos dias.

"Depois de 23 mil mortes causadas pela Covid-19, todo debate é menor. Por isso, em nome do Corinthians, manifesto antes nossa solidariedade a cada brasileiro afetado por doença, luto, ou prejuízo profissional. Tudo isso importa", relatou o mandatário corintiano.

O texto ainda tem um tom crítico em relação aos times que já estão se preparando para o retorno. "Em 2020, a Série A tem 20 clubes de nove Estados, cada um com panoramas distintos da doença. Isso pede um trabalho mais coordenado entre governos, clubes e federações. Num esporte coletivo, não dá para jogar sozinho", afirmou Andrés.

Situação corintiana em meio à pandemia

Três das maiores receitas do Corinthians sofreram impacto por causa da paralisação. Desde abril, o clube viu uma queda de 70% da cota de televisão. A expectativa é que esse corte seja ainda maior em junho.

Em relação aos patrocínios, que é a segunda maior receita, somente atrás da TV, o Corinthians deixou de receber o valor integral de cinco dos nove parceiros. Os outros quatro estão repassando apenas 25% do valor normal.

Houve queda também na receita de sócio-torcedor. Ela já atinge 30%. Vale ainda ressaltar que o clube já não conta com a receita de bilheteria há seis anos, desde a abertura da Arena Corinthians — toda a bilheteria é destinada ao fundo responsável pelo pagamento da obra.

Para obter receita de imediato, o clube deve obter uma antecipação do pagamento relativo à venda do meia-atacante Pedrinho. O Benfica acertou o pagamento em quatro parcelas, mas o Corinthians procurou um banco europeu, com taxas de juros menores, para receber toda a quantia de uma vez. O clube tem direito a 70% do montante de 20 milhões de euros (R$ 117,4 milhões na cotação atual).

Sem a maior parte das receitas, o Corinthians passou a reduzir gastos. Os salários dos jogadores do time profissional, da base e do feminino foram cortados em 25%. Além disso, houve redução de 70% dos salários dos funcionários, que serão contemplados com uma ajuda do governo, prevista na MP 936.

Corinthians