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São Paulo tem dificuldade para atingir metas financeiras em meio à pandemia

Leco, presidente do São Paulo - Marcello Zambrana/AGIF
Leco, presidente do São Paulo Imagem: Marcello Zambrana/AGIF

José Eduardo Martins

Do UOL, em São Paulo

10/05/2020 04h00

O São Paulo trabalha fora de campo para minimizar os efeitos da pandemia do novo coronavírus. O clube já enfrentava um momento turbulento em suas finanças e deve ter mais dificuldade para alcançar as metas de sua previsão orçamentária. Afinal, algumas das suas principais fontes de receita provavelmente serão reduzidas.

Como publicou o Blog do Marcel Rizzo, a Globo fez uma proposta de diminuição nas cotas de transmissão. Em abril, cada clube da elite brasileira recebeu R$ 449,6 mil da emissora. As parcelas de maio e junho se mantiveram em R$ 396,7 mil - um corte de mais de 70% no valor original. Existe a possibilidade de que os campeonatos aconteçam e que as equipes recebam as verbas acertadas no início da temporada. Porém, ainda não há uma definição de quando e como os torneios serão retomados.

Ainda neste sentido, é muito provável que as equipes fiquem sem as verbas referentes à renda de bilheterias, pois os campeonatos devem ter portões fechados. No ano passado, o clube faturou R$ 38,83 milhões com os jogos que fez em casa. A expectativa era de esse valor ser muito superior com a participação na Libertadores.

A publicidade também deve ser afetada. O clube até conseguiu renegociar a a ampliação do vínculo com o Banco Inter, seu patrocinador master, até o fim do ano, e ainda tem acordo com a Adidas. Os valores dos contratos não foram divulgados e provavelmente não bastam para o São Paulo atingir seu objetivo. No ano passado, o Tricolor recebeu R$ 21,2 milhões de publicidade e propaganda com o futebol.

Nesta temporada, a expectativa era de manter os patrocinadores, e o departamento de marketing tinha o desafio de conseguir mais R$ 4 milhões nesta frente, fechar a manutenção dos contratos de licenciamento de marca e escolas licenciadas, atingir R$ 9 milhões com o contrato de fornecimento de material esportivo, ter o aumento da receita do programa sócio-torcedor de R$ 5,2 milhões e a captação de patrocínios para as equipes de basquete e vôlei no valor de R$ 7,5 milhões.

O clube projetava arrecadar cerca de 33,5 milhões de euros (R$ 210,6 milhões, na cotação atual) com a venda de jogadores e até pode superar tal número. Vale destacar que na época o euro tinha cotação inferior, e na época a meta equivalia a cerca de R$ 154 milhões.

O Tricolor já negociou Antony com o Ajax por 16 milhões de euros (R$ 99 milhões), com a possibilidade de receber mais 6 milhões de euros (R$ 37,38 milhões) por bônus. E já recebeu também do time holandês outros 7 milhões de euros (R$ 38,5 milhões na cotação da época) por mais 20% dos direitos de David Neres.

Mas o clube deve ter dificuldades para vender mais. O mercado da bola tende a apresentar números um pouco mais modestos quando as atividades forem retomadas. O Barcelona, por exemplo, faz jogo duro ao tentar comprar Gustavo Maia, da base tricolor, por 4,5 milhões de euros (1 milhão de euros já acordado pela preferência da compra e outros 3,5 milhões de euros para concretizar a transação).

No ano passado, o São Paulo fechou a temporada com déficit de R$ 156 milhões. Nesta temporada, a expectativa era de superávit de R$ 68 milhões. Além disso, havia a expectativa de redução da dívida bancária. A previsão era de uma receita total de R$ 516,8 milhões.

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