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Não só Botafogo: Palmeiras, Flu, Vasco e Bangu também reivindicam mundiais

Capa de "A Gazeta Esportiva" que noticia o título mundial do Palmeiras em 1951 - Reprodução
Capa de 'A Gazeta Esportiva' que noticia o título mundial do Palmeiras em 1951 Imagem: Reprodução

Bruno Braz

Do UOL, no Rio de Janeiro

15/04/2020 04h00

Na semana passada, o Botafogo se considerou tricampeão mundial por ter conquistado três vezes o Torneio Triangular de Caracas em 1967, 1968 e 1970. O tema reativou as discussões que já eram levantadas por outros clubes brasileiros que, em competições diferentes, também reivindicam o status de campeões do mundo, embora não tenham o reconhecimento da Fifa.

Abaixo o UOL Esporte traz uma lista de quem se considera e os que ganharam os mesmos campeonatos, mas não colocam o assunto como uma prioridade:

Quem se considera?

Palmeiras e Fluminense

Em 2017, Fluminense fez exposição sobre o título da Copa Rio de 1952, que considera como Mundial - Divulgação / Fluminense - Divulgação / Fluminense
Em 2017, Fluminense fez exposição sobre o título da Copa Rio de 1952, que considera como Mundial
Imagem: Divulgação / Fluminense

Palmeiras e Fluminense se consideram campeões mundiais por terem vencido a Copa Rio de 1951 e 1952, respectivamente. A conquista é classificada como Mundial nos sites oficiais de ambos os clubes. O Tricolor, inclusive, adotou recentemente uma faixa nos jogos no Maracanã com esta referência.

A Copa Rio foi um torneio disputado por clubes da Europa e da América do Sul no Pacaembu, em São Paulo, e no Maracanã, no Rio de Janeiro. Equipes tradicionais participaram da competição, casos de Juventus (ITA), Sporting (POR), Nacional (URU), Peñarol (URU), Nice (FRA), entre outros.

No caso do torneio disputado pelos palmeirenses, ela ainda teve o peso de ser um ano depois do "Maracanazzo", quando o Brasil perdeu a Copa do Mundo para o Uruguai em pleno estádio carioca.

Em 1951, o Palmeiras venceu a Juventus (ITA) na final. Já no ano seguinte, o Fluminense bateu o Corinthians.

Ambos os clubes alegam que a competição teve o aval da Fifa para a realização.

Vasco

Apesar de tratar em seus canais oficiais com menos alarde que Palmeiras e Fluminense, o Vasco também se prepara para reivindicar o selo de campeão mundial em ao menos uma conquista.

Em 1953, a Copa Rio foi extinta e a CBD criou uma competição com praticamente os mesmos moldes, mas com outro nome para sucedê-la: o Torneio Octogonal Rivadávia Corrêa Meyer. O Vasco foi o campeão sobre o São Paulo na final, na competição que reuniu ainda o Sporting (POR), o Olímpia (PAR), o Hibernian (ESC), e os brasileiros Botafogo, Fluminense e Corinthians.

No fim do ano passado, em entrevista ao canal "Atenção Vascaínos", o vice-presidente de relações especializadas do clube, João Ernesto, informou que o Cruz-Maltino tem feito um dossiê para reivindicar ainda em 2020 o título como mundial junto a Fifa.

"A nossa estratégia para que isso chegue à Fifa é que o nosso pedido seja sucinto, denso, mas bastante conciso, acompanhado de um anexo, um dossiê. É fazer chegar à Fifa algo que ela possa receber com bastante simpatia. Uma estratégia para isso é oferecermos todo esse material em várias línguas. Porém, mais do que uma estratégia simpática, política de chegar lá e ser bem recebida, é a verdade dos fatos e a densidade do torneio, o que nos faz ter certeza daquilo que estamos pedindo."

O Vasco ainda considera também a possibilidade de reivindicação de outra conquista: o Torneio Internacional de Paris, conquistado em 1957 sobre o poderoso Real Madrid, de Di Stéfano.

Bangu

Apesar de também ter conquistado o Torneio Triangular de Caracas — que o Botafogo considera como Mundial — a competição que o Bangu reivindicará é a Internacional Soccer League, disputada em 1960, nos Estados Unidos.

Bangu conquistou mesmo torneio que o Botafogo, mas se considera campeão mundial em outra competição - Divulgação - Divulgação
Bangu considera o título do International League Soccer, de 1960, como Mundial, e irá reivindicar na Fifa
Imagem: Divulgação

Com supervisão do então secretário-geral da Fifa, Stanley Rous, o torneio exaltado pelo Bangu reuniu equipes como Bayern de Munique (ALE), Sampdoria (ITA), Sporting (POR), Estrela Vermelha (Sérvia), Rapid Viena (AUT), entre outros.

Sob a batuta de Ademir da Guia, os banguenses foram campeões invictos, avançando na fase de grupos com quatro vitórias e um empate, incluindo goleadas por 4 a 0 sobre a Sampdoria e 5 a 1 sobre o Sporting. Na final, venceram os escoceses do Kilmarnock por 2 a 0, com dois gols de Válter.

Presidente atual do Bangu, Jorge Varela afirmou ao UOL Esporte que o clube está reunindo provas e documentos para reivindicar junto à Fifa:

"Estamos preparando material suficiente para requerermos o título mundial de 1960".

Quem não trata como prioridade

Corinthians e São Paulo

Jornal da época destaca um dos títulos do São Paulo na Pequena Taça do Mundo  - A Gazeta Esportiva - A Gazeta Esportiva
Jornal da época destaca um dos títulos do São Paulo na Pequena Taça do Mundo
Imagem: A Gazeta Esportiva

A Pequena Taça do Mundo teve 13 edições disputadas entre 1952 e 1975, na cidade de Caracas (VEN), e reuniu algumas das maiores equipes do mundo. Em 52, por exemplo, o Real Madrid deixou de disputar a Copa Rio (vencida pelo Fluminense) para participar da competição venezuelana.

Em 1953, o Corinthians foi campeão ao superar Barcelona (ESP) e Roma (ITA).

Já o São Paulo é bicampeão do torneio. Em 1955 conquistou, de forma invicta, em jogos de turno e returno, contra Valencia, Benfica e La Salle (VEN). Já em 1963, os adversários foram Real Madrid e Porto.

Apesar da importância destas conquistas, ambos os clubes não tratam com tanta relevância. O Tricolor paulista, por exemplo, coloca os dois títulos na galeria das "competições amistosas" em seu site oficial. Já no portal corintiano, a Pequena Taça do Mundo é citada com seu nome de batismo e entra na categoria de "torneios internacionais".

O Corinthians, aliás, em julho do ano passado, chegou a fazer uma postagem provocativa ao Palmeiras na data de comemoração ao título, reforçando que, apesar de "histórica", não a considera como um mundial:

Bangu e Cruzeiro

Bangu e Cruzeiro foram campeões da mesma competição que o Botafogo reivindica como Mundial. Disputado paralelamente à Pequena Taça do Mundo, o Troféu Triangular de Caracas teve dez edições, entre 1958 e 1981.

O Alvirrubro conquistou em 1958 sobre o Malmö, da Súecia, e os mineiros venceram duas vezes, em 1970, sobre o Porto, e em 1977, diante do Grêmio.

O Bangu, porém, prefere concentrar seus esforços na International Soccer League, de 1960. Já o Cruzeiro, consultado na semana passada pelo UOL Esporte, respondeu com a seguinte nota:

"Neste momento, o Cruzeiro Esporte Clube tem como prioridades passar por este momento de dificuldades imposto pela pandemia de COVID-19 da maneira que menos afete o clube, assim como fortalecer a equipe principal para a disputa da Série B do Campeonato Brasileiro, com o objetivo de voltar para a primeira divisão do campeonato nacional. Já no âmbito político, os gestores que estão atualmente no Cruzeiro trabalham arduamente para que o próximo presidente do clube assuma o comando com a instituição muito mais equilibrada e viável em todos os aspectos. Desta forma, este tema não está entre as prioridades do Cruzeiro atualmente".

América-RJ

O América-RJ conquistou em 1962 o mesmo torneio que o Bangu reivindica como Mundial, a International Soccer League. Diferentemente dos banguenses, porém, os americanos não fazem referência à competição desta forma. No site oficial, o torneio é citado com seu nome de batismo na categoria de "títulos internacionais".

O que diz a Fifa?

Em outubro de 2017, a Fifa reconheceu como campeões mundiais todas as equipes que conquistaram o torneio entre o campeão europeu e o campeão sul-americano entre 1960 a 2004, deixando de fora todas estas situações dos clubes brasileiros acima.

Em visita ao Brasil, em abril do ano passado, para se reunir com o presidente da República, Jair Bolsonaro, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, foi questionado sobre o título da Copa Rio de 1951 pelo Palmeiras, mas não o reconheceu como mundial.

"Já decidimos dar o título de campeão mundial a todos que ganharam a Copa entre Europa e América do Sul desde 1960. Já 1951 é um pouquinho mais para trás. Vamos falar com o presidente Bolsonaro e vamos ver que solução teremos, mas o Palmeiras pode ganhar o próximo Mundial de Clubes. Por que não?", indagou à TV Globo na ocasião.

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