PUBLICIDADE
Topo

Globo quase não exibiu Copa de 2002, e parceria com Record foi cogitada

Ronaldo na final da Copa do Mundo de 2002 entre Brasil e Alemanha - Claudio Villa/Getty Images
Ronaldo na final da Copa do Mundo de 2002 entre Brasil e Alemanha Imagem: Claudio Villa/Getty Images

Gabriel Vaquer

Colaboração para o UOL, em Aracaju

12/04/2020 04h00

O ano de 2002 foi marcante para a televisão nacional. Alguns sucessos, como a novela "O Clone", foram produzidos. Mas a grande audiência da temporada veio com a Copa do Mundo, que terá sua final reprisada pela Globo hoje (12), às 15h45. Exibida somente pela emissora, a competição rendeu recordes de audiência na madrugada. Porém, o torneio que terminou com o pentacampeonato mundial da seleção brasileira quase não foi exclusivo do canal.

Hoje concorrentes com nenhuma relação, Globo e Record tinham bom diálogo em 2002. No fim daquele ano, fecharam parceria para a exibição do Campeonato Brasileiro e de estaduais. Pouco antes, no fim de 2001, os canais chegaram a conversar sobre a Copa do Mundo aproveitando o reinício do investimento da emissora paulista no esporte.

A Globo gostaria de repassar o torneio para alguém por causa do alto valor dos direitos de transmissão. Em 2000, havia anunciado que comprara os direitos das Copas de 2002 e 2006 por US$ 220 milhões. A emissora já tinha pago US$ 60 milhões para a empresa de marketing ISL, com quem intermediava o acordo. O problema é que a ISL faliu, e o canal passou a conversar com a alemã Kirch sobre o Mundial de 2002.

A Kirch exigia o pagamento do restante do valor até o início de 2002, o que fez a Globo chegar a cogitar até a deixar de transmitir o evento. O motivo é que, naquela época, era um momento de subida do preço do dólar, deixando o valor quase impagável. Foi aí que a Record entrou na história.

A Globo consultou outras emissoras, como Band e SBT, para sublicenciar os direitos de transmissão da Copa. A Band não tinha verba, já que vivia um período complicado após o fim da parceria com a Traffic no esporte. Já o canal de Silvio Santos não demonstrou interesse após saber o valor pedido pela Globo: R$ 120 milhões.

A Record fez várias reuniões sobre o tema no fim de 2001 e já tinha até acertado termos de contrato, que incluíam a colocação da Copa de 2006 no negócio. Mas o porém na história foi o modelo de pagamento: a Globo queria o valor à vista para resolver seu problema com a empresa alemã. A Record queria parcelar o pagamento para ter impacto financeiro menor.

As emissoras não conseguiram chegar a um lugar comum. A Globo acabou pagando o valor integral, e a Copa foi sua segunda exclusiva na televisão aberta.

Os jogos marcaram acima dos 60 pontos de Ibope na Grande São Paulo. A final entre Brasil e Alemanha fechou com 67 pontos, e ainda assim não foi o recorde do Mundial, marcado na goleada por 4 a 0 da seleção sobre a China, ainda na fase de grupos, e na vitória por 1 a 0 sobre a Turquia, na semifinal.

Mesmo com a exclusividade, a Globo se incomodou com o que concorrentes faziam. A ESPN Brasil, sem ter direitos de transmissão do Mundial, decidiu apostar em uma cobertura alternativa e lançou o programa "Os Corujões". Nele, comentaristas acompanhavam às partidas do Brasil e descreviam o que estava acontecendo em campo, como um grupo de amigos se reunindo para ver o jogo.

O problema é que a Globo ficou irritada com o alto volume do retorno do monitor dos corujões, que vazava a narração de Galvão Bueno na ESPN. A emissora carioca então pressionou o canal esportivo para retirar a atração do ar, alegando que ela feria direitos de transmissão. Para evitar problemas, o programa foi cancelado.

No mais, a Globo não teve maiores problemas. "O número de televisões ligadas era absurdo porque o jogo era de madrugada, e era todo mundo ligado na Globo", relatou Luís Roberto, para o projeto Memória Globo.

Jogadores da seleção de 1982 fazem campanha contra o coronavírus

UOL Esporte

Seleção Brasileira