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Coronavírus impede boliviano de voltar após ser reprovado em times de SP

Edinson veio ao Brasil no início do ano para fazer testes no Bandeirante de Birigui - Arquivo Pessoal
Edinson veio ao Brasil no início do ano para fazer testes no Bandeirante de Birigui Imagem: Arquivo Pessoal

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

03/04/2020 04h00

São comuns as histórias de turistas impedidos de voltar ao país de origem no meio desta pandemia de coronavírus. Para Edinson Rojas, boliviano de 21 anos, a tentativa de retorno ocorre ao mesmo tempo em que enfrenta uma decepção pessoal. Reprovado em testes no Bandeirante de Birigui e no Andradina, times do interior de São Paulo, o jovem aguarda a abertura da fronteira da Bolívia para voos internacionais e se encontra na dependência da ajuda financeira dos pais e de um empresário chamado Julio Alves Jr. para se sustentar no Brasil.

Reprovado ainda na fase de testes pelo Andradina, Edinson permaneceu até a última quarta-feira (1º) no alojamento da equipe, localizado na cidade de Valparaíso, mesmo sem contrato. A data foi estipulada pelo próprio clube, que, após a paralisação das atividades no futebol de São Paulo, suspendeu o pagamento do aluguel da estrutura.

O boliviano possui passagem reservada para retornar à Bolívia e está hospedado em um hostel na região da Barra Funda (zona oeste da capital). Edinson viajou para a capital paulista na madrugada de ontem (2) e será bancado nos próximos 15 dias por Julio e pelo pai, que enviou dinheiro. A embaixada boliviana confirmou à reportagem que o plano inicial é abrir a fronteira em 15 de abril.

"Agora é esperar as fronteiras se abrirem e que a gente tenha a permissão para os voos internacionais. Está tudo fechado na Bolívia pela pandemia. Vim para o Brasil com passagem de ida e volta", disse, em contato com o UOL Esporte na noite de terça-feira, quando ainda se encontrava no alojamento do Andradina.

Edinson com a mãe e a irmã em Cochabamba. Jovem aguarda a abertura da fronteira para voltar - Arquivo Pessoal
Edinson com a mãe e a irmã em Cochabamba. Jovem aguarda a abertura da fronteira para voltar
Imagem: Arquivo Pessoal

Edinson veio ao Brasil por intermédio de Julio Alves, que indicou o jovem para teste no Bandeirante. Sem sucesso em Birigui, o boliviano contou com a indicação de jogadores do próprio time para realizar nova avaliação, agora no Andradina, que formava o time para a Série B do Paulistão.

Este grupo de jogadores indiciou outro agente para Julio, que intermediou a ida do boliviano para Andradina. Na equipe, Edinson também acabou reprovado e liberado para deixar o clube.

Na última segunda-feira (30), Edinson entrou em contato com Julio para providenciar uma solução, já que a fronteira boliviana se encontrava fechada pelo avanço da Covid-19 no país. A Bolívia registra 123 casos e oito mortes pelo coronavírus.

Edinson com o amigo Biti, durante o período de teste no Bandeirante de Birigui - Arquivo Pessoal
Edinson com o amigo Biti, durante o período de teste no Bandeirante de Birigui
Imagem: Arquivo Pessoal

Sem a possibilidade de permanecer no clube, que já sofre os problemas financeiros pela suspensão do futebol no país, Edinson veio a São Paulo depois de a diretoria do Andradina fechar o alojamento. Em contato com o UOL Esporte, Sidinei Giron, presidente do Andradina, reclamou do abandono do empresário responsável por levar o boliviano para os testes.

O dirigente afirma que desconhecia o jogador, mal avaliado pela comissão técnica para a disputa da quarta divisão do Paulistão, e ressaltou que o clube se mostrou solidário ao manter o boliviano sob cuidados nestas últimas semanas, antes do decreto de quarentena do Governo do Estado — funcionários do alojamento acabaram afastados em virtude do isolamento social exigido pelas autoridades paulistas.

Giron, em contato ocorrido na manhã de ontem (2), decretou o fim da polêmica. "Da nossa parte está resolvido, o menino entendeu que foi enganado e não quero aumentar essa polêmica, porque não conheço o empresário. Bloqueei as mensagens e apaguei, nem vou me aborrecer com isso. O clube é uma vítima. Não posso ceder a chantagens", declarou o dirigente, que prometera levar o caso à esfera criminal antes de dizer que o caso agora é passado.

O alojamento que abrigou o jogador boliviano nas últimas semanas está fechado desde a tarde desta quarta-feira (1º). A cobrança do aluguel está suspensa, e o Andradina devolveu o espaço para o proprietário. Somente após o fim da epidemia de coronavírus, o clube vai voltar a pagar e utilizar o espaço destinado aos jogadores.

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