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Zagueiro reúne Dani Alves, Dudu e centenas de boleiros contra o coronavírus

Camisa usada e autografada por Daniel Alves, do São Paulo, está à venda por R$ 4 mil em plataforma solidária - Divulgação
Camisa usada e autografada por Daniel Alves, do São Paulo, está à venda por R$ 4 mil em plataforma solidária Imagem: Divulgação

Gabriel Carneiro

Do UOL, em São Paulo

01/04/2020 04h00

Desde a paralisação dos campeonatos por causa da pandemia do coronavírus, jogadores de futebol buscam maneiras de se entreter na quarentena. Uma das distrações mais comuns vista nos últimos dias foi a participação em desafios nas redes sociais, como vídeos de embaixadinhas com rolos de papel higiênico e fotos de lances marcantes em campo.

O avanço da Covid-19 no Brasil, porém, mobilizou mais de cem jogadores ao apoio de uma causa solidária em forma de desafio: a missão é doar uma camisa de jogo autografada a um site que fará venda online. Todo o dinheiro arrecadado, tirando custos de envio, será revertido ao Instituto da Criança — este, por sua vez, fará a compra de respiradores, luvas e máscaras para ajudar equipes médicas no combate à doença.

O "Desafio Corona" foi lançado no último domingo (29) nas redes sociais com o lema "o futebol convoca seus atletas".

Mais de cem jogadores já participaram, inclusive nomes como Daniel Alves (São Paulo), Dudu (Palmeiras), Everton (Grêmio), Rodrigo Caio (Flamengo), Gabriel Jesus (Manchester City) e o goleiro Alisson (Liverpool), além de ex-jogadores como Denílson, Kaká e Marcos e influenciadores como Fred e Raquel Freestyle. Por isso, muitos fãs de futebol já foram impactados pela campanha na internet. O que poucos sabem é que ela começou de forma tímida com o zagueiro Danny Morais, do Santa Cruz.

"Eu participei de todos esses desafios: de postar foto, papel higiênico... Mas aí eu comecei a pensar em como eu podia mobilizar essa grande comunidade do futebol, que atinge tantas pessoas, a fazer o bem. Meu primeiro pensamento foi fazer leilão de uma camiseta minha, mas achei que o potencial era maior. E principalmente as dificuldades das pessoas eram maiores e os materiais estavam cada vez mais faltando nos hospitais", conta ao UOL Esporte.

Danny Morais fez contato com o relações públicas Guilherme Alf, que conhecia de outras ações no Sul: "Desde a minha ligação foi uma semana até o lançamento do projeto." A dupla mobilizou empresários, assessores de imprensa e rede de contatos no futebol para chegar aos jogadores e ex-jogadores, que doaram suas camisas para a campanha.

Zagueiro do Santa Cruz é idealizador da campanha via redes sociais e doou duas camisetas de jogo - Divulgação
Zagueiro do Santa Cruz é idealizador da campanha via redes sociais e doou duas camisetas de jogo
Imagem: Divulgação

Há itens à venda de R$ 800 até R$ 10 mil. Isso além de um setor para doações livres, de outros valores, sem recompensa. Os principais rostos da campanha são Denílson, comentarista da Band, e o goleiro Alisson. Não à toa, donos das camisas mais caras da plataforma, da seleção brasileira e do Liverpool. Alisson, aliás, é embaixador da Organização Mundial da Saúde (OMS), e Denílson promete engajar personalidades da música e de outros segmentos no desafio.

Uma das camisas já vendidas na plataforma é de Alan Ruschel, da Chapecoense. De acordo com o site, o prazo de entrega dos itens comprados será de até 90 dias após os clubes brasileiros retomarem suas atividades. A justificativa é de que "há severas recomendações das autoridades de saúde em relação à circulação de pessoas e envio de produtos".

"Os jogadores são muito unidos para algumas coisas, mas às vezes não abrem a cabeça para ajudar. O tamanho do impacto que uma ação como essa causa é legal. E é mais legal que essa rede só esteja começando. É uma ideia pequena que já atingiu proporções grandes, porque tudo que nós jogadores fazemos é espelho para alguém. Temos que fazer coisas grandes para ser bons espelhos", conta Danny Morais.

O idealizador da campanha está no Recife à espera da retomada do Campeonato Pernambucano e da Copa do Nordeste, além da Série C do Campeonato Brasileiro. Enquanto toca o projeto solidário e mantém a forma, cuida do entretenimento dos filhos de 7, 5 e 3 anos de quarentena em casa. "Não está sendo fácil", brinca o experiente zagueiro.

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