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Rony recusa oferta de renovação do Athletico e é mandado aos aspirantes

Rony, atacante do Athletico-PR, durante partida contra o Cruzeiro pelo Brasileirão 2019 - Jason Silva/AGIF
Rony, atacante do Athletico-PR, durante partida contra o Cruzeiro pelo Brasileirão 2019 Imagem: Jason Silva/AGIF

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL, em São Paulo

19/01/2020 18h16

A novela segue. Jogador do Athletico até julho 2021, o atacante Rony recebeu e recusou proposta de renovação até 2023 e, com isso, foi avisado de que passará a treinar com o elenco de "aspirantes", o time sub-23 que disputa o Campeonato Paranaense. A negativa reforça a tendência de saída. O Palmeiras é a equipe mais ativas na busca pelo jogador no mercado da bola, mas o Corinthians ainda não pode ser descartado.

O UOL Esporte apurou que o Athletico ofereceu um aumento salarial por um contrato até 2023, mas se recusou a pagar luvas pela renovação. Com a negativa, foi comunicado de que deve se apresentar ao técnico Eduardo Barros para jogar o Estadual —o Furacão estreou com vitória no Paranaense, no qual luta pelo tricampeonato, ao bater o União por 3 a 1. O elenco principal está na Argentina e retorna nesta segunda após amistosos com Racing e Boca Juniors.

O estafe do jogador está preocupado com a guerra de bastidores. Rony teme reviver Dagoberto, que em 2005 trocou o Athletico pelo São Paulo após longo debate jurídico e sendo apontado pela diretoria, já comandada por Mario Celso Petraglia, como o responsável por não aceitar a renovação, forçando a saída. Familiares e amigos de Rony, que no final de semana vivenciaram a chegada da segundo filho do jogador, a menina Ester, relataram à reportagem que o jogador até agora não entendeu como se iniciou o processo que resultou em seu afastamento. Amigos de Rony chegaram a procurar a principal organizada do clube, "Os Fanáticos", para relatar suas angústias pelo rompimento que se encaminha.

Rony foi retirado da delegação que viajou para a Argentina às vésperas do embarque. A razão, revelada pelo UOL Esporte, foi a renovação de contrato após movimentações de bastidores após contato de um intermediário, o empresário Luis Augusto Carvalho, conhecido como Luisinho Piracicaba, que dizia representar o Corinthians. Entretanto, Rony não pleiteava aumento salarial ou prorrogação de contrato, apontaram as fontes. O jogador dizia-se satisfeito com a sequência no clube e pretendia pensar em renovação apenas a partir do meio do ano.

Palmeiras fez proposta oficial

Oficialmente, apenas o Palmeiras já apresentou proposta ao Athletico e aos agentes de Rony pelo ingresso do atacante. O Corinthians, embora negue publicamente, ainda está no páreo. A expectativa é de que a situação se defina até a próxima terça-feira (21), com conversas entre os dirigentes dos dois clubes. Além deles, o agente Pini Zahavi —que ajudou a levar Neymar ao PSG— tem procuração para encontrar um clube para Rony no exterior.

Juridicamente, Rony e o Athletico divergem sobre o contrato atual, que pode ter sido o estopim da saída. Para o clube, Rony não tem direitos percentuais sobre seus direitos federativos, uma vez que a Fifa proibia essa prática antes de maio de 2019. O clube entende que o texto do contrato determina um valor fixo a ser pago ao jogador em caso de nova venda. Esse valor estaria em torno de US$ 1 milhão, o que, à época do contrato, representava 50% dos direitos econômicos dele. Estima-se que o Athletico avalie o jogador em 12 milhões de euros.

Já o estafe de Rony pensa diferente. Para o advogado Carlos André, que representa o jogador, Rony tem metade dos direitos, excetuando-se o valor investido inicialmente pelo Furacão. "É simples. Realmente não havia possibilidade jurídica de ter 50% ao Rony. Então assinamos um termo que diz que se o Rony fosse vendido, o Athletico recuperando R$ 2,5 milhões, a partir daí haverá um 'equilíbrio do negócio' para a venda", argumentou.

André demonstrou irritação com as discussões com Petraglia: "(Na contratação) Eu falei com o Márcio (Lara, diretor de futebol), com o Petraglia: é 50/50. Ou ele vende o Rony e nos paga 50%, ou não haverá negócio. Em outubro ele pode assinar pré-contrato e o Petraglia não vai ganhar nada", declarou à reportagem. Sobre a ida do atacante ao time de aspirantes, afirmou: "O Rony está lá para cumprir o contrato".

Rony chegou ao Athletico em 2018 após uma disputa judicial com o Albirex Niigata, clube que defendeu no Japão. Oferecido à Corinthians e até anunciado no Botafogo, Rony acabou no Athletico por temor jurídico dos demais clubes em contratá-lo. Liberado pela Fifa para jogar enquanto não há uma definição da disputa, Rony fez parte das conquistas da Copa Sul-Americana, Copa Levain e Copa do Brasil, na qual marcou o gol do título diante do Inter, no Beira-Rio.

A Fifa já pediu razões finais às partes e a tendência é de que a decisão sobre os direitos de Rony saia em até seis meses. Caso Palmeiras, Corinthians ou outro clube assinem com Rony nesse intervalo, as consequências jurídicas seguirão contra o Athletico, alvo da reclamação do Niigata. A Fifa determinará quanto e se há que se pagar algo ao clube japonês pela contratação do jogador. Advogados de Rony e do Furacão se mostraram confiantes em que nada será cobrado, mas a ação do Niigata pede valores de até US$ 10 milhões.

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