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Pai motorista e 170km diários: como elenco se adapta ao Red Bull Bragantino

Divulgação
Imagem: Divulgação

Arthur Sandes

Do UOL, em São Paulo

12/01/2020 04h00

Já são nove meses desde que Red Bull e Bragantino se juntaram para disputar a Série B, e os jogadores que tinham vínculo com o RB Brasil ainda se adaptam à mudança de Campinas para Bragança Paulista, no interior de São Paulo. Boa parte do elenco tem casa em cidades próximas, o que resulta em viagens diárias e ajustes criativos - como usar o pai como motorista. Tem até quem mora em São Paulo e roda 170 km todos os dias para treinar.

O capitão Julio Cesar é um dos que têm viagens diárias. "Já cogitei [me mudar], mas tendo os filhos na escola é difícil. Procuro não mexer na família, prefiro eu me deslocar e deixar eles em São Paulo", explicou o goleiro em entrevista ao UOL Esporte. Ele é pai de três crianças, mora na Zona Leste da capital paulista e encara uma hora e meia de estrada nos dias de treino. Outros dois jogadores têm a mesma logística.

Mais da metade do atual elenco estava no RB Brasil até abril no ano passado. São 14 jogadores que fizeram a transição entre os clubes e foram mantidos para 2020, um grupo que teve que ajustar a rotina. Em resumo, as mudanças para Bragança têm sido duas: primeiro os jogos saíram de Campinas, e agora os treinos cada vez mais saem de Jarinu-SP, onde a Red Bull tem seu centro de treinamento.

Claudinho (foto) e demais jogadores avaliam morar mais perto de Bragança e se aproximar da torcida - Divulgação/RB Bragantino
Claudinho (foto) e demais jogadores avaliam morar mais perto de Bragança e se aproximar da torcida
Imagem: Divulgação/RB Bragantino

Daí que as adaptações são das mais criativas. "Eu moro em Campinas, a uma hora de Bragança. Meu pai me acompanha todos os dias, vai dirigindo para eu não chegar cansado nos treinos, para eu poder descansar um pouco mais. É meu motorista", brinca Claudinho, atacante que é xodó da torcida e marcou dez gols na Série B.

É claro que os jogadores estão acostumados a trocar de cidade quando são negociados com outro clube, mas a mudança do time como um todo pegou todo o mundo de surpresa - ainda mais no meio de uma temporada. "Para mim foi inédito", ri o capitão Julio Cesar. "Ficamos sabendo muito em cima também: quando a parceria apareceu, já estava praticamente no final do Paulistão. Então foi uma coisa muito rápida", recorda.

Além do trio que mora em São Paulo, no elenco há quem tenha casa em Campinas, Jundiaí e até aqueles que já estão em Bragança. "O grupo vem se agrupando na cidade porque viu que [o clube] tem dado certo", diz Claudinho, que pensa em se mudar. É um esforço coletivo para os jogadores estarem próximos do estádio, dos torcedores e também uns dos outros. "Antes era até difícil marcar um jantar", diz Julio Cesar.

Em Bragança, o clube disponibiliza quartos e refeições aos jogadores. Assim, quem quiser podem passar a noite em vez de viajar de volta para casa. A estrutura pode funcionar também como residência temporária dos reforços, que chegaram direto para a pré-temporada e ainda não tiveram tempo de procurar residência. É o caso do atacante Alerrandro, por exemplo.

"Eu ainda não escolhi casa, mas estou procurando. Pretendo morar em Bragança mesmo, mas me disseram que tem um monte de cidades próximas que são boas também. Então vou procurar com calma", diz o ex-atleticano, que a princípio se mudou sozinho de Belo Horizonte, mas espera a mãe e a filha no começo de fevereiro. Ele planeja ter "aquela semana de visitar casas" quando voltar da Argentina, onde o elenco joga amistosos nesta semana. É um novo começo, para Alerrandro, para a Red Bull e também para o Bragantino neste ano de Série A.

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