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Um mês após rebaixamento, Cruzeiro vai da esperança a novo caos político

Núcleo Dirigente do Cruzeiro já teve duas baixas e convive com desalinhamento de ideias e uma urgência atrás da outra - Cruzeiro/Divulgação
Núcleo Dirigente do Cruzeiro já teve duas baixas e convive com desalinhamento de ideias e uma urgência atrás da outra Imagem: Cruzeiro/Divulgação

Enrico Bruno e Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte

10/01/2020 04h00

Há um mês, o único alento do torcedor do Cruzeiro era que uma grande reforma fosse feita no clube para iniciar uma recuperação em busca do retorno à elite do futebol brasileiro. Mas o cenário que a instituição se encontra neste início de 2020 é tão ruim quanto o anterior. Com problemas que pegam até os atuais gestores de surpresa, a Raposa teve paz por pouquíssimo tempo e volta a conviver com outra crise (ou o agravamento da última) em seus bastidores, marcada pela dificuldade dos novos gestores em comandar o clube, além de novas discussões políticas.

As últimas renúncias no núcleo dirigente transitório ajudam a explicar como o grupo formado para salvar o Cruzeiro se encontra dividido no momento. Primeiro foi Vittorio Medioli, que deixou o cargo de CEO após duas semanas. Prefeito de Betim, o empresário criticou o estatuto do clube como "conjunto Frankenstein", que, segundo ele, atende a "interesses miúdos, mesquinhos e de dominação de grupos".

Medioli ainda defendeu uma intervenção judicial para executar o que fosse preciso dentro do Cruzeiro. No anúncio de sua saída, o clube afirmou que motivos pessoais justificaram o pedido de renúncia. Quatro dias depois, Pedro Lourenço, mecenas do Cruzeiro e apontado por muitos como futuro candidato à presidência, tomou o mesmo caminho. Pedrinho, como é conhecido, ficou responsável pelo departamento de futebol, mas recebeu algumas críticas desde que havia assumido e teve incompatibilidades de ideias sobre como lidar com o setor. Em entrevista à Rádio 98, Pedrinho chegou a citar o termo "gigolagem" ao explicar sua saída.

Além das duas baixas, outra perda considerável foi a de Alexandre Mattos. O dirigente topou ajudar de forma voluntária e temporária por gratidão ao Cruzeiro e a Pedrinho, com quem trabalhou no passado. Desconfortável com a saída do amigo, Mattos também deixou o clube. Apesar da passagem relâmpago, ele conseguiu encaminhar algumas transferências no período de quatro dias, como os casos de Henrique, Egídio e Marquinhos Gabriel.

Bruno Haddad/Cruzeiro
Imagem: Bruno Haddad/Cruzeiro

As ausências de Mattos e de Pedrinho no futebol do Cruzeiro também podem interferir no andamento de algumas tratativas. Por muito tempo, o Cruzeiro ficou sem um profissional fixo para cuidar da situação dos jogadores. Isso atrapalhou principalmente a relação com os empresários. Como não havia uma certeza sobre quem conduziria as situações, o futuro de vários atletas só começou a ser tratado a partir da reapresentação do elenco, no dia 6. No momento, muitos ainda precisam iniciar as conversas com o clube.

Além disso, outras situações precisam ser revisadas. Pedrinho era o responsável pelas conversas de atletas com Fábio. Agora, Ocimar Bolicenho, anunciado há menos de uma semana como diretor de futebol, ficará com essa missão, mas não há previsão de quando isso irá acontecer.

Já Mattos foi o responsável por conduzir a venda de Fabrício Bruno ao Red Bull Bragantino, que ainda corre o risco de não ser concretizada. O caso do zagueiro ainda rendeu outro desgaste dentro do Cruzeiro, uma vez que o clube acusou o empresário do atleta de furtar documentos da sede administrativa, o que acabou pegando mal entre os diretores, gerou versões diferentes e aumentou as divergências de opiniões sobre a forma de gerir as negociações.

Agora, além do campo bola, o Cruzeiro ainda precisa driblar a turbulência interna para dar um fim a outros assuntos. Um deles é o anúncio do novo modelo do sócio-torcedor. A expectativa é de que a futura modalidade seja anunciado no dia 17. O clube também terá que resolver sua situação com a Adidas. Após esboçar uma rescisão, a equipe deverá continuar com a marca em sua camisa, mas ainda precisa ir atrás de um contrato mais vantajoso.

Por fim, em breve, a cúpula celeste também terá que se preocupar com as novas eleições. No final do ano, a ideia levantada era de formar uma chapa única para unir o clube e evitar novos rachas. Mas a possibilidade de haver uma disputa pela cadeira principal pode se tornar real, assim como a chance de que a eleição seja antecipada e ocorra antes do mês de maio.

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