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Por que presidente do Ibope, sem cargo, tem tanta influência no Botafogo?

Ex-presidente do Botafogo Carlos Augusto Montenegro tem muita influência no clube - Satiro Sodré/SS Press
Ex-presidente do Botafogo Carlos Augusto Montenegro tem muita influência no clube Imagem: Satiro Sodré/SS Press

Bernardo Gentile

Do UOL, no Rio de Janeiro

11/10/2019 12h00

Carlos Augusto Montenegro era o presidente na época do título mais importante do Botafogo: o Campeonato Brasileiro de 1995. Deixou a presidência no ano seguinte, mas jamais deixou de ser influente. Apaixonado pelo Alvinegro, realiza frequentemente empréstimos para aliviar as finanças, mas também é conhecido pelas polêmicas criadas nos bastidores. Seja para o bem ou para o mal, o ex-dirigente é figura presente na política do clube.

Dono por décadas da mais tradicional empresa de pesquisas do país, o Ibope, Montenegro sempre se colocou como suporte financeiro para a maioria das gestões do Botafogo. Muito da sua influência construída ao longo dos anos se deu justamente nesse sentido. Até mesmo no atual elenco. Ele foi o responsável por fazer vários empréstimos que impediram os jogadores de ficarem com três meses de atraso. Se chegassem a essa situação, poderiam sair do clube na Justiça. Mas não é o único motivo.

Os torcedores do Botafogo, por exemplo, jamais esquecem a retomada da sede de General Severiano, que foi vendida à Vale do Rio Doce, em 1977, na tentativa de pagar impostos. No início da década de 1990, o clube readquiriu o terreno, através de uma permuta pela área do seu ginásio coberto no Mourisco, na Praia de Botafogo. A retomada do casarão só foi possível porque Montenegro agiu de maneira decisiva nos bastidores.

Atualmente, Carlos Augusto Montenegro não tem qualquer cargo na diretoria, mas nem sempre foi assim. Mesmo após deixar a presidência, ele ocupou cargo de vice de futebol no Botafogo. Uma das mais marcantes ocorreu em 2008, quando o time comandado por Cuca era sensação no país.

O problema é que naquela época os salários já estavam atrasados e uma doída eliminação para o River Plate, na Sul-Americana, gerou uma grande polêmica. Após vencer por 1 a 0, no Nilton Santos, o Alvinegro abriu 2 a 0 em Buenos Aires. Os argentinos descontaram, mas a classificação parecia encaminhada. Que nada. Os brasileiros levaram três gols em 15 minutos e saíram da competição.

Montenegro, então, disparou contra o elenco. Acusou o grupo de estar dividido entre amigos de Lúcio Flávio e amigos de Carlos Alberto. Ele deixou o cargo no final do ano e desde então jamais aceitou ser membro da diretoria. Decidiu que ajudaria apenas nos bastidores, como tem feito atualmente.

O problema é que os últimos dias ele foi ativo demais e voltou a causar polêmica. Na véspera da partida contra o Goiás, na última quarta-feira, ele se reuniu com os jogadores e membros da comissão técnica na concentração. Pediu vontade aos atletas e que jogassem também por Eduardo Barroca, demitido há poucos dias.

Após a vitória, Montenegro gravou alguns áudios em um grupo de torcedores do Botafogo. Suas palavras vazaram, viralizaram e deixaram o clima pesado. Montenegro planeja se encontrar novamente com o grupo para explicar e fazer um pedido de desculpas.

A tendência é que essa influência diminua em 2020, quando o Botafogo deverá colocar o estudo encomendado pelos irmãos Moreira Salles em prática e virar empresa. Com outros investidores, sua opinião não será tão sobressalente Um personagem para lá de animado em General Severiano.

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