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Vasco lança 'vaquinha' para CT em meio a ameaça de despejo e visando 2020

Presidente Alexandre Campello alinhou projeto do CT junto à Prefeitura do Rio - Rafael Ribeiro / Flickr do Vasco
Presidente Alexandre Campello alinhou projeto do CT junto à Prefeitura do Rio Imagem: Rafael Ribeiro / Flickr do Vasco

Alexandre Araújo e Bruno Braz

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

22/08/2019 10h23

O Vasco, em evento que acontece hoje (22) à noite no Centro Olímpico de Golfe (RJ), divulgará a campanha de financiamento coletivo visando a construção do centro de treinamento que será utilizado, futuramente, pelo elenco profissional e categoria de base. O lançamento acontece em um momento em que o clube passa por crise financeira e vê a possibilidade de ser despejado do local que utiliza atualmente, um dos motivos pelos quais apresenta um projeto a curto prazo.

A intenção da diretoria é que o novo terreno, que tem 70 mil m², passe a ser utilizado já a partir de fevereiro do ano que vem, de forma parcial. Há um orçamento desenhado pelo Vasco que gira em torno de R$ 8 milhões para a construção de dois campos e uma estrutura provisória, visando que uma mudança possa ser feita rapidamente - o custo total para o CT é de cerca de R$ 30 milhões e o projeto geral inclui sete campos e alojamento para 160 atletas.

Enquanto isso, corre na Justiça uma dívida que o Cruzmaltino tem com o CT que utiliza atualmente, que é de propriedade de Evandro Ferreira - pai do ex-meia vascaíno Evander. O déficit total era de cerca de R$ 600 mil e, após a notificação, o Vasco pagou cerca de R$ 200 mil, mas Ferreira já demonstrou que deseja receber o valor integral e ameaça despejo.

O contrato de utilização do local, que fica em Vargem Pequena, Zona Oeste do Rio de Janeiro, e é usado pela elenco profissional desde o ano passado, vai até o fim de 2020.

Paralelamente a isso, ter o novo terreno em plenas condições não promete ser uma missão fácil. Além de algumas obras necessárias - parte do território é em área pantanosa -, o espaço ainda atravessa um processo de desocupação de famílias que lá estão alojadas.

O CT do Vasco será próximo ao do Fluminense, que, à época da instalação, teve o auxílio de Léo Bezerra, que atua como um coordenador de diferentes ações na Cidade de Deus e ajudou o clube em alguns projetos sociais. Ele afirma ainda não ter recebido contatos da diretoria cruzmaltina, mas o clube garante que já houve conversas com as famílias que lá estão.

"Por incrível que pareça, não [tivemos contato]. Quem nos procurou foi apenas um candidato à presidência, que veio conversar sobre o CT, a relação da comunidade com o CT", disse.

Mudança de local

Inicialmente, a Prefeitura faria ao Vasco a cessão de outro terreno, mas, após o adiamento da assinatura do documento que passaria o local ao clube, pessoas ligadas ao projeto conseguiram uma outra localidade, menos pantanosa que a anterior, algo que poderá significar uma importante economia nas obras de aterramento.

"A assinatura tinha sido adiada devido ao que aconteceu na cidade, naquelas chuvas e, neste ínterim, para a próxima data, identificamos um terreno melhor, menos pantanoso, solo muito melhor, para a construção do CT. A Prefeitura já está vendo os trâmites internos e, muito em breve, já vamos estar com a data para a assinatura deste novo terreno para o Vasco, que vai ser melhor para todo mundo", declarou ao UOL Esporte, em abril, o vereador Alexandre Isquierdo (DEM-RJ), que fez o "meio de campo" entre a Prefeitura e o Vasco.

Polêmica em recente crowdfunding

Recentemente, um crowdfunding envolvendo o Vasco gerou polêmica. Por conta de dívidas com os professores da Escola Vasco da Gama, torcedores se uniram para arrecadar fundos e quitar o déficit com os profissionais. Em três dias, foram levantados R$ 90 mil - a ideia inicial era R$ 70 mil.

Após o encerramento da campanha, porém, o Vasco anunciou que utilizaria o montante para uma reforma no colégio - que tem orçamento estipulado em R$ 300 mil. Os organizadores da campanha, então, concordaram que o dinheiro fosse usado para esta finalidade, mas estipulando um prazo de 30 dias para que os salários sejam quitados. Caso contrário, o valor levantado será encaminhado para o pagamento dos salários que estão em atraso, via Sindicato dos Professores.