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Apresentador Tiago Maranhão deixa o grupo Globo

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Imagem: Reprodução

Pedro Ivo Almeida

Do UOL, em São Paulo

05/08/2019 18h57

Tiago Maranhão se despediu do grupo Globo hoje (5). O apresentador publicou um longo texto de agradecimento no site "GloboEsporte" e anunciou que ainda trabalhará no "Troca de Passes" pela última vez até o fim desta semana. Seu destino está fora da TV: ele vai para a empresa "Amazon".

O UOL Esporte apurou que não há qualquer relação entre a saída de Tiago e a discussão com Mauro Cezar Pereira no Twitter. Nos últimos meses, o jornalista já vinha amadurecendo a ideia de deixar o SporTV, e confirmou o pedido de demissão após fechar sua participação no projeto da "Amazon".

"Eu, Tiago Maranhão, faço aqui minha despedida do Grupo Globo, deixando meu agradecimento a todos que participaram de cada sonho realizado, dividiram comigo os jogos debaixo de sol ou chuva, as entrevistas, aventuras e desventuras da reportagem", escreveu ele.

Tiago listou os sonhos que o levaram à cobertura esportiva: "Muito antes do programa de debate sobre futebol, bem antes das aberturas de Jogos Olímpicos, no verão e no inverno, dos Mundiais, das corridas, lutas e jogos, antes das viagens com verniz glamouroso para Paris, Londres ou Tóquio e bem antes das aventuras no Timor Leste, Coreia do Norte ou Jordânia, antes das madrugadas de plantão. Antes de tudo isso ser realizado, havia o sonho de um dia realizar isso tudo".

"Só que, como todo sonho, uma hora este também teria que terminar. Esta semana vou apresentar o Troca de Passes, do SporTV, pela última vez e me despedir do Grupo Globo", completou o jornalista.

Testes para definir sucessor

Sem Tiago, o Grupo Globo ainda avalia o nome que irá suceder Maranhão na bancada do programa exibido no final da noite. Nos próximos 20 dias, o repórter André Hernan e o apresentador Rodrigo Rodrigues irão se revezar no posto.

É apenas o início de um período de testes para definir a situação. Outros nomes também serão avaliados.

Leia o texto de Tiago Maranhão na íntegra:

Minha década platinada

Eu, Tiago Maranhão, faço aqui minha despedida do Grupo Globo, deixando meu agradecimento a todos que participaram de cada sonho realizado, dividiram comigo os jogos debaixo de sol ou chuva, as entrevistas, aventuras e desventuras da reportagem.

Muito antes do programa de debate sobre futebol, bem antes das aberturas de Jogos Olímpicos, no verão e no inverno, dos Mundiais, das corridas, lutas e jogos, antes das viagens com verniz glamouroso para Paris, Londres ou Tóquio e bem antes das aventuras no Timor Leste, Coreia do Norte ou Jordânia, antes das madrugadas de plantão.

Antes de tudo isso ser realizado, havia o sonho de um dia realizar isso tudo.

Só que, como todo sonho, uma hora este também teria que terminar. Esta semana vou apresentar o Troca de Passes, do SporTV, pela última vez e me despedir do Grupo Globo.

Dessa década global vou levar apenas boas lembranças e profunda gratidão. Não é fácil dizer adeus a um ciclo que me deu tanta história para contar.

Minha década platinada começou no dia em que troquei uma redação onde não se trabalhava aos finais de semana por um contrato temporário de três meses para ser o repórter da madrugada da TV Globo em SP.

Durante um ano, testemunhei a violência e a crueldade de crimes que revelam o que o homem tem de pior. Mas também conheci a esperança e a coragem em situação improváveis. E esses sentimentos são altamente contagiosos.

No esporte, fiz todas aquelas coberturas que o garoto que sonhava um dia se tornar repórter esportivo poderia desejar. À beira do gramado em jogos que quase ninguém estava assistindo, e em decisões de Brasileirão. Dos jogos da Série B a partidas de seleção brasileira e de tantos outros países. Da Rua Javari ao Maracanã. Em Sydney, Singapura e Pequim.

Entrevistas com atletas que nunca chegaram lá aos grandes campeões e recordistas mundiais. Todos eles com histórias inspiradoras. Obrigado por dividirem um pouco dessas histórias comigo e todos que assistiram.

Histórias inesquecíveis colecionadas num mercado de rua de Dili no Timor Leste, no subúrbio de Amã na Jordânia, na única boate gay de Sochi - uma história de resistência às proibições impostas na Rússia.

Guardo com especial carinho a lembrança dos dias em Pyongyang, pelo litoral e pelas montanhas da Coreia do Norte, se fechar os olhos ainda posso ouvir o canto poderoso de uma garçonete numa sala de sinuca no subsolo de um hotel da capital do país mais fechado do mundo. Ela cantava Arirang, uma espécie de hino não-oficial das duas Coreias.

A todos que dividiram cada uma dessas histórias comigo, muito obrigado.

À minha mulher, Juliana, minhas filhas Isabel, Cecília e Clara (quase chegando), que suportaram todas as ausências e ainda assim estiveram sempre comigo, obrigado. Seria impossível sem vocês.

E como costumo me despedir todas as noites, muito obrigado a todos pela companhia, bom descanso e até a próxima!

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