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Ex-advogado de mulher que acusa Neymar diz que ela mentiu; atual rebate

Do UOL, em São Paulo

03/06/2019 21h28

O advogado que defendia a mulher que acusa Neymar de estupro diz que ela mentiu sobre o caso. Em documento obtido pela TV Globo e exibido hoje, José Edgard Bueno afirma que a suposta vítima não manteve a primeira versão sobre o ocorrido, que falava em sexo consensual. Por sua vez, a atual representante da suposta vítima, Yasmin Pastore Abdala, mostrou suposta troca de mensagens em que sua cliente diz ao ex-advogado que o jogador "a espancou e estuprou".

A carta oficial que o escritório que representava a mulher publicou no momento de rompimento do vínculo afirma que, a princípio, ela queria acusar Neymar de agressão, e não de estupro.

"No dia 31 de maio de 2019, registrou um Boletim de Ocorrência no qual capitulou o fato ocorrido como 'estupro', ou seja, alegação totalmente dissociada dos fatos descritos por você aos nossos sócios, já que sempre afirmou que a relação mantida com Neymar Jr. foi consensual, mas que, durante o ato, ele havia se tornado uma pessoa violenta, agredindo-a, sendo esse o fato típico central (agressão) pelo qual ele deveria ser responsabilizado cível e criminalmente", diz o documento.

O texto complementa: "Por raiva ou vingança, V. Sa. relatou no BO registrado em 31 de maio de 2019 fatos descritos em desacordo com a realidade manifestada aos seus patronos, ou seja, compareceu à delegacia, relatando que teria sido vítima de estupro, quando, na realidade que nos foi demonstrada e ratificada por várias vezes, V. Sa. teria sido vítima de agressões".

Gustavo Xisto, um dos advogados que defende Neymar, citou em nota um pedido de "cala boca" por parte da suposta vítima. "Como já revelado pelo sr. Neymar mais cedo na imprensa, de fato foi realizada uma reunião no dia 29 passado, em sua residência na cidade de São Paulo, em que estiveram presentes dois dos seus advogados, uma outra testemunha e o advogado que representava os interesses da suposta vítima. Na oportunidade foi solicitada uma compensação financeira ("cala boca") para que a suposta vítima não relatasse as alegadas agressões às Autoridades Policiais", diz.

O caso

O UOL Esporte informou na tarde do último sábado que uma mulher registrou Boletim de Ocorrência acusando o atacante Neymar, do PSG e da seleção brasileira, de estupro. O documento foi averbado no dia anterior, na 6ª Delegacia de Defesa da Mulher, em Santo Amaro, na capital paulista, referente a um fato que teria ocorrido no dia 15 de maio, em Paris. O inquérito policial segue em sigilo e o nome da mulher também é mantido em segredo.

A acusação da mulher é que Neymar chegou ao hotel no dia 15 de maio, por volta de 20h, e embriagado. Após trocas de carícias ele teria ficado agressivo e, mediante violência, praticou relação sexual sem o consentimento da vítima. Ela ainda disse que voltou ao Brasil no dia 17 de maio e que estava abalada emocionalmente e com medo de registrar a ocorrência.

Antes de Neymar se manifestar sobre o caso foi seu pai quem falou, em entrevista à TV Bandeirantes. Também empresário do atacante, Neymar disse que eles iriam "expor a situação para que a opinião pública pudesse enxergar" a partir de conversas guardadas pelo jogador. O pai de Neymar disse que o filho caiu em uma armadilha e acusou a mulher de extorsão.

A única manifestação pública de Neymar até agora foi na madrugada de sábado para domingo. Ele publicou um vídeo em sua conta pessoal do Instagram, negou ter cometido estupro e expôs a suposta conversa que teve com a mulher que o denunciou para dar sua versão sobre o caso. A ideia do post era tentar conquistar a opinião pública.

A assessoria de imprensa de Neymar ainda divulgou um comunicado dizendo que o estafe do jogador foi vítima de tentativa de extorsão praticada por um advogado da cidade de São Paulo que, segundo a sua versão, representava os interesses da suposta vítima.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro irá investigar Neymar por vazamento de fotos íntimas da mulher que o acusa de estupro. O caso será apurado pela Delegacia de Repressão de Crimes de Informática junto com o inquérito que investiga o estupro. O crime de vazamento de fotos íntimas é previsto no artigo 218-C do Código Penal Brasileiro e, caso haja condenação, o crime prevê pena de um a cinco anos de reclusão.

O vídeo em que Neymar se defende das acusações e expõe as supostas conversas com a mulher foi removido da internet pelo próprio Instagram na madrugada de hoje. A rede social declarou que "o conteúdo foi removido por violar os padrões da comunidade". As imagens estavam na ferramenta IGTV. O pai de Neymar, aliás, disse à TV Bandeirantes que preferia que o filho fosse acusado de um crime de internet do que um estupro.

"Não tínhamos escolha. Eu prefiro um crime de internet a de estupro. Foi o Instagram que tirou do ar por saber que vai ter uma discussão em cima disso. Pelas regras do Instagram estava normal. Ele preservou a imagem, o nome. Ele precisava se defender rapidamente. É melhor ser verdadeiro e mostrar o que aconteceu. Sabíamos da chantagem, mas não da coragem de fazer um B.O. em cima de uma situação dessas."

A Polícia está investigando desde o momento da instauração do Boletim de Ocorrência. Inclusive, policiais foram à concentração da seleção brasileira no último sábado para buscar informações sobre a chegada de Neymar. Porém, o jogador estava de folga e não foi encontrado. Ele será ouvido em breve.

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