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Dirigente da base do Santos é acusado de pedofilia; clube afasta o cartola

Fachada da Vila Belmiro, dirigente foi acusado de pedofilia em caso de 2010 - Ricardo Nogueira/Folhapress
Fachada da Vila Belmiro, dirigente foi acusado de pedofilia em caso de 2010 Imagem: Ricardo Nogueira/Folhapress

Samir Carvalho

Do UOL, em Santos (SP)

17/04/2018 22h41

O dirigente do Santos, Ricardo Marco Crivelli, que que coordena a equipe de analise de atletas nas categorias de base do clube, foi acusado de pedofilia. A Delegacia de Repreensão e Combate a Pedofilia, em São Paulo, abriu inquérito para investir o suposto caso de abuso sexual.

O UOL Esporte teve acesso ao Boletim de Ocorrência. Lica, como é conhecido o dirigente santista, foi acusado por Ruan Petrick Aguiar de Carvalho, de 19 anos. O atleta, que atuou no Santos em 2010, quando Lica trabalhava no profissional, alega que foi abusado quando tinha apenas 11 anos de idade.

Ruan relata ter mudado do Pará para São Paulo em 2010, quando se instalou no ginásio do Ibirapuera e sofreu abusos de um empresário. Traumatizado, ele conta que recorreu ao irmão, que o indicou um outro intermediário. Este último o teria apresentado a Lica, então dirigente do Santos. Na casa deste intermediário, identificado como "Luciano", Ruan teria sofrido o abuso. 

“Lica passou a aliciar a vitima e passar a mão em seu corpo, pegando em seu órgão genital e iniciando sexo oral, e após alguns dias a vitima foi até o time do Santos, fez uma avaliação e jogou por um ano e meio”, diz o boletim de ocorrência. Ruan permaneceu no clube por um ano e meio e, na mudança de categoria, teria protestado contra os abusos de Lica, que então o teria dispensado. Nas últimas semanas, Ruan teria tentado voltar ao futebol por intermédio do mesmo Luciano, que o indicou Lica, hoje de volta ao Santos. Em depoimento, Ruan disse que a lembrança dos ocorridos o fez tomar a atitude de denunciá-lo. 

Por conta das acusações, Lica foi afastado de suas atividades no Santos. O clube alega que tomou esta postura para que o dirigente centralize seus esforços apenas em sua defesa. A diretoria santista ainda ressalta nos bastidores que o seu profissional sofre de conspiração política, pois o mesmo teria dispensado muitos jogadores de empresários e vetado a entrada de outros atletas no clube. Além de dirigente da base alvinegra, Lica também é sócio do presidente José Carlos Peres na empresa Saga Talent Sports & Marketing. 

Em contato com o UOL Esporte, o Santos destaca que Lica jamais teve qualquer mácula na carreira e promete ajudar nas investigações. “O clube vai investigar criteriosamente a situação, considerando que o profissional em questão jamais teve qualquer mácula em sua extensa carreira no futebol, e que acusações como essa envolvem reputações, tanto dos acusadores, quanto do próprio acusado, que devem ser preservadas sem qualquer juízo prévio de culpa. Até por isso, Lica foi preventivamente afastado pelo Comitê de Gestão do Clube. Reiteramos, contudo, que a apuração será conduzida pelas autoridades competentes, se efetivamente consistentes. O presidente Peres afirma categoricamente que jamais ofereceu qualquer valor a quem ora o denuncia”, diz a nota.

O UOL tentou contato com Lica durante toda a terça-feira, mas o dirigente não atendeu as ligações da reportagem. Advogado de Ruan, Marcelo Monteiro condenou a hipótese de conspiração política aventada pelo Santos. "“Tratar isso como ação politica é leviano. É ser mais bandido do que quem está sendo acusado. Quem vai cuidar disso é a promotoria. Se você tem um sócio, você pode não acreditar, mas deveria estar afastando. Peres disse que não acreditava nisso, que é ação politica, é o que tem visto por aí. O que me consta é que desde quarta estão sabendo, não denunciamos antes porque era semana de aniversário do Santos. E ele só foi afastado ontem,  pelo Conselho Gestor e não pelo Peres. O CG está agindo com a razão. O presidente continua sem saber o que está fazendo. Tratar isso como ação politica...”, disse ele à reportagem. 

“Nós vamos com isso até o fim. Não tem só declarações dos meninos, há declarações de testemunhas. Tem muita gente que está depondo, falando. Não é coisa politica. Há muita gente falando a favor do menino. Tem áudios, tem muita coisa. O inquérito está bem substancioso. A investigação vai longe. Não vou arriscar minha carreira de bobeira”, disse Monteiro. 

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