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Grama sintética, arranhões e sensação 50°: mulheres sofrem na Copa do Mundo

Marta assinou abaixo-assinado contra o gramado sintético na Copa do Mundo Feminina - Minas Panagiotakis/Getty Images/AFP
Marta assinou abaixo-assinado contra o gramado sintético na Copa do Mundo Feminina Imagem: Minas Panagiotakis/Getty Images/AFP

Do UOL, em São Paulo

12/06/2015 06h00

A Copa do Mundo feminina de futebol, que começou no dia 6 de junho e se estende até julho no Canadá, tem desagradado grande parte das jogadoras por um detalhe nada supérfluo: o gramado.

Pela primeira vez em qualquer competição de futebol desse quilate, todos os jogos estão sendo realizados em campos de grama sintética. De um lado, ele é mais barato e fácil de manter. Porém,  muitas atletas tem se machucado feio após ralar a pele na borracha do gramado, composta de pneu reciclado e plástico.

Algumas, inclusive, revelaram estar usando bermudas de lycra e puxando o meião acima do joelho para minimizar as queimaduras da grama artificial.

A atacante norte-americana Abby Wamb acredita que há sexismo da Fifa. “Não há dúvidas de que é uma questão de discriminação de gênero. Não há previsão de que nenhuma das Copas masculinas já planejadas tenham jogos com grama sintética”, afirmou.

Mas os arranhões não são o único problema da grama sintética no Mundial feminino. Nesse tipo de gramado, a sensação térmica para quem está no campo aumenta muito. Em alguns jogos, a temperatura tem chegado ao limite do que considerado seguro em práticas esportivas: 50 graus.

Mesmo antes do início da competição, a escolha do gramado já era polêmica e foi alvo de abaixo-assinado - assinado inclusive pela brasileira Marta - e processo judicial de jogadoras.

Segundo o abaixo-assinado, a grama sintética “submete as profissionais a riscos de lesão e desvaloriza a dignidade, o respeito e o equilíbrio mental das jogadoras”. As federações nacionais, no entanto, pressionaram as jogadoras a retirarem suas assinaturas.

Além disso, as jogadoras entraram em processo contra a Fifa e a Federação Canadense de Futebol, mas ele foi retirado no começo do ano. “A Fifa e a Federação Canadense nunca forçariam os jogadores homens a atuar em campos de plástico. A recusa da Fifa e dos oficiais canadenses de fazer o que é certo com o jogo feminino foi facilitada pelas ações ou omissões das principais federações nacionais”, afirmou o advogado Hampton Dellinger.

Teste de feminilidade
Outra polêmica ainda envolve a Fifa quando o assunto é a Copa do Mundo feminina. A competição conta com um artigo em seu regulamento que permite que sejam solicitados exames quando houver indícios de que uma jogadora poderia ter sexo biológico masculino.

O caso mais emblemático desse regulamento até o momento foi o da jogadora sul-coreana Park Eun-Sun, de 28 anos e 1,80 m de altura, que em 2013 teve que se submeter a exames por conta das suspeitas de sua federação. Nada foi provado, porém, e ela está jogando a atual edição dessa Copa do Mundo.

Após o caso emblemático, as jogadoras conseguiram uma promessa informal por parte da Fifa de que isso não se repetirá nos próximos Mundiais.

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