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Rodrigo Mattos

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Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Cruzeiro tem dívida na casa de R$ 1 bi antes da venda da SAF a Ronaldo

Ronaldo conta com o apoio total da torcida do Cruzeiro - Gustavo Aleixo/Cruzeiro
Ronaldo conta com o apoio total da torcida do Cruzeiro Imagem: Gustavo Aleixo/Cruzeiro
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

05/05/2022 04h00

O Cruzeiro e Ronaldo concluíram a venda da SAF em abril após um conturbado período de negociação. O tamanho da dívida enfrentada pelo clube pouco antes da aquisição, ao final de 2021, era na casa de R$ 1 bilhão. É o que mostra o balanço apresentado pela agremiação.

O peso desta dívida sobre a SAF vai depender de decisões da Justiça em ações em curso. Pela lei, a empresa de Ronaldo teria de destinar 20% das suas receitas para o quitação dos débitos do clube, além de 50% de dividendos. Mas ainda há contradições em decisões judiciais sobre a incidência das dívidas diretamente na SAF, além disso há pendências na Fifa e na CBF que afetam a empresa.

Pois bem, o débito líquido do Cruzeiro é de R$ 1,043 bilhão (passivo circulante, menos ativo circulante e recebíveis a longo prazo). Isso representa um aumento em torno de R$ 80 milhões em relação ao ano passado. Mas, no passivo, constam R$ 135 milhões em receitas para apropriar, que, na realidade, não é pendência que o clube tem de pagar: são contratos a cumprir, luvas ou adiamentos.

No balanço, o clube considerou o valor de R$ 970 milhões de endividamento. O número é o total do passivo circulante, sem incluir esses itens apenas contábeis.

"O endividamento do clube aumentou em 2021 e a principal razão pelo aumento foram os acordos realizados ao longo do ano, principalmente com atletas que já não integravam mais o elenco do Cruzeiro. Além disso, dívidas relevantes que compunham nosso passivo, com dívidas Fifa, sofreram atualizações cambiais e de juros", diz o balanço do clube.

Lembremos que, depois da virada do ano, o goleiro Fábio ainda entrou com uma cobrança de R$ 20 milhões contra o clube e a SAF após o rompimento do contrato.

Dentro das pendências do clube, as mais problemáticas são as pendências na Fifa e no CNRD (tribunal da CBF). No total, os dois valores somam R$ 128 milhões ao final de 2021, segundo o balanço. Eram R$ 65 milhões eram débitos internacionais e outros R$ 62,9 milhões doméstico. O valor é compatível com o já publicado pelo blog como o entregue à SAF.

Além disso, o clube já tinha seus débitos cíveis e trabalhistas no Regime Centralizado de Execuções para cobrança de 20%. Mas Ronaldo fez novo acordo para que o clube entre em Recuperação Judicial. E, posteriormente, o clube fechou um acordo para entrar em novo programa do governo (PERSE) para pagar tributos atrasados.

No documento, o Cruzeiro aponta uma receita bruta de apenas R$ 143 milhões. Por isso, seu índice de liquidez era de apenas 0,10. É a relação entre receita e dívida, que mostra que o clube era absolutamente inviável.

Os cortes feitos por Ronaldo no futebol do clube eram absolutamente necessários como mostrado pelas contas. O Cruzeiro teve um resultado negativo no ano de R$ 113 milhões. Ou seja, o buraco aumentava a cada ano.

A questão é que o contrato da SAF de Ronaldo só prevê um aporte de R$ 50 milhões. De resto, há uma obrigação de aumentar as receitas do clube em um patamar que inclua rendas extras de R$ 350 milhões sobre a média dos últimos anos de arrecadação.

O futuro do Cruzeiro SAF, portanto, reside em conseguir manter o débito do clube restrito a 20% da sua receita. E, ainda assim, só uma operação extremamente eficiente da empresa permitirá que o clube tenha um valor para formar um time competitivo, já que não há aportes extras como em outras SAFs.