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Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

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Clubes dão preferência a empresa para comprar Liga por um ano. Veja carta

Clubes da Série A propõe a criação de uma Liga para organizar o Campeonato Brasileiro  - Flickr/Flamengo
Clubes da Série A propõe a criação de uma Liga para organizar o Campeonato Brasileiro Imagem: Flickr/Flamengo
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

13/11/2021 05h00

A maioria dos clubes da Séria A deu preferência para a empresa Kojavas Sports Kapital negociar os direitos da Liga do Brasileiro por um ano desde que a empresa se comprometa a investir US$ 750 milhões (R$ 4,1 bilhões). Estão incluídos os direitos de televisão. Assim, qualquer outra fundo ou empresa que queira comprar a competição terá de pelo menos igualar a oferta para ficar com um percentual da Liga. A Liga está em gestação entre os clubes com o objetivo de organizar e comercializar o Brasileiro.

Foi assinada uma carta de intenções (veja abaixo) entre 18 clubes e a Kojavas para a obtenção de capital para comprar um percentual da Liga do Brasileiro. Neste documento, os times deram uma exclusividade dos direitos da Liga por dois meses - um mês já passou. Neste período, a empresa deve fazer uma oferta que detalhará calendário, organização e investimentos da liga.

O acordo foi assinado há um mês pelos seguintes clubes: Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo, Red Bull Bragantino, Flamengo, Vasco, Botafogo, Grêmio, Internacional, Atlético-MG, Cruzeiro, Bahia, Ceará, Fortaleza, Cuiabá, Atlético-GO e Chapecoense. São portanto 15 times da Série A, e três equipes da Série B.

A Kojavas é uma empresa capitaneada pelo advogado Flávio Zveiter e o executivo Ricardo Fort. Na carta de intenções, é descrito que seu capital vem do fundo Advent, que faz a gestão de US$ 81 bilhões no momento, segundo seu site.

O documento entre clubes e a Kojavas ainda não é vinculante, isto é, não estabelece uma ligação contratual entre as partes. É uma carta de intenções que estabelece obrigações aos clubes. A Kojavas indica que poderá investir US$ 1 bilhão na compra dos direitos da Liga do Brasil. Inicialmente, a Liga é avaliada em US$ 4 bilhões, mas ainda será feita uma análise mais aprofundada.

Em troca, a Kojavas ficaria com um máximo de 25% da Liga e de suas receitas. O percentual e o valor investido serão definidos na avaliação posterior.

É citado o prazo mínimo de que os clubes jogariam a Liga por 75 anos. Mas esse período não é necessariamente o mesmo em que a Kojavas ficará na Liga. E clubes devem negociar esse período que é considerado muito longo.

A questão é que, por um ano, a empresa terá a possibilidade de igualar qualquer oferta pelos direitos da liga. Não foi feita uma concorrência para assinatura do acordo. Mas clubes procuraram outros fundos e não viram propostas concretas de investimento neste momento. Veja abaixo os termos de parte da carta de intenções assinada pelos clubes:

"1. Concordar em não se comprometer direta ou indiretamente, no Brasil ou no exterior, com qualquer outro parceiro para a formação de uma Liga para a exploração do futebol profissional no Brasil, e/ou qualquer tipo de negociação que envolva a cessão de quaisquer Direitos de Mídia, Patrocínios Coletivos relativos ao Campeonato Brasileiro das séries A (que extrapolem a temporada de 2024) e B (que extrapolem a temporada de 2023), por um período de 60 dias.

2. Conceder ao Investidor direitos exclusivos por 60 dias para fazer uma oferta vinculante que detalhará a governança, calendário, estrutura organizacional e investimentos.

3. Após a assinatura de um acordo de confidencialidade por ambas as partes, conceder ao investidor acesso à documentação (incluindo contratos) para fazer uma checagem das informações financeiras e prazo de vigência dos contratos em vigor, necessárias para a formulação da proposta vinculante, bem como eventuais informações relevantes necessárias a atender os requisitos e regras do Investidor sobre a Prevenção à Lavagem de Dinheiro e Responsabilidade Social Corporativa.

4. Após a apresentação da oferta vinculante e desde que o valor proposto de investimento seja de no mínimo US$ 750 milhões (setecentos e cinquenta milhões de dólares americanos), conceder ao investidor, por um período de 1 anos, o direito de equiparar qualquer outra oferta que envolva um investimento em um Liga, ou estrutura semelhante, que venha a ser criada pelos clubes para organizar e/ou comercializar os direitos de Mídia e Patrocínios Coletivos relacionados ao campeonato nacional de futebol."

Na carta, os clubes ainda se comprometem a uma série de obrigações desde que, de fato, ocorra o acerto com a Kojavas. Entre essas exigências, estão: 1) firmar compromisso de participar e respeitar as regras e regulamentos da Liga 2) Delegar à Liga direitos irrevogáveis, exclusivos e de longo prazo - de comercializar as atividades comerciais (todas as formas de mídia e patrocínios coletivos) para serem negociados coletivamente. 3) Respeitar e seguir as decisões estabelecidas pela Liga, com modelo de governança discutido pelos clubes 4) Respeitar e seguir normais de Financial Fair Play da Liga.

Há resistências de clubes como Athletico-PR e Fluminense que não quiseram assinar o documento da Liga.