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Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

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Público na Libertadores opõe de novo Conmebol e CBF; Flamengo tenta torcida

Torcedores do Palmeiras no Maracanã, na final da Libertadores de 2020 - Jorge Rodrigues/AGIF
Torcedores do Palmeiras no Maracanã, na final da Libertadores de 2020 Imagem: Jorge Rodrigues/AGIF
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

13/07/2021 04h00

A decisão da Conmebol de permitir público em jogos da Libertadores opõe de novo a entidade e a CBF. Assim como na final da Copa América, a confederação continental aprovou enquanto a federação nacional foi contra. Mas não terá como barrar. A volta ocorre em um momento ainda grave da pandemia de coronavírus no Brasil e na América do Sul.

Entre os clubes brasileiros, o Flamengo já estuda uma forma de ter torcida no estádio na Libertadores mesmo que tenha de jogar fora do Rio de Janeiro. O Atlético-MG também está analisando a situação para saber se é possível porque sabe que a prefeitura de Belo Horizonte não liberou público na cidade.

A Conmebol tem pressionado pela volta de público nos estádios desde a final da Libertadores quando conseguiu colocar cerca de 7 mil pessoas no Maracanã como convidados. A piora da pandemia arrefeceu os planos. Com a liberação do Rio para a Copa América, retomou sua iniciativa.

No domingo, publicou um protocolo básico para presença de público nos estádios. A previsão é de que autoridades do país ou da cidade têm de autorizar.

A partir daí, há cenários com público entre 25% e 50% do estádio em plano a ser autorizado pela Conmebol. Há uma sugestão de um setor para torcedores com teste de RT-PCR negativo, e outros com vacinados com a segunda dose. Não fica claro se isso é obrigatório.

A Conmebol não prevê medidas de equilíbrio esportivo. Se um time conseguir liberar e outro não, aquela equipe sem torcida vai sair prejudicada. Isso é o contrário do que ocorre no Brasileiro onde clubes e CBF aprovaram que a volta de torcida só se dará quando todos os Estados puderem receber público.

Mais uma vez, a CBF foi atropelada pela Conmebol: não foi nem consultada sobre o público na Libertadores. A entidade é contra a presença de torcida no momento porque seu departamento médico tem dados que indicam que ainda não é seguro pela pandemia de coronavírus. Há um acompanhamento por taxa de infectados, de mortos e de imunizados com vacina por 100 mil habitantes. Números que não atingiram os índices que permitiriam a torcida. Por isso, tinha vetado o público na decisão da Copa América.

O Flamengo, que se irritou com a liberação de público na final, já analisa se valerá a pena sair do Rio de Janeiro para ter público em outro Estado. Sabe que o prefeito carioca, Eduardo Paes, não vai fazer a concessão agora. Brasília é uma das possibilidades.

A questão é se outro Estado vai dar a aprovação e se os custos e operação envolvidos valem a pena para a quantidade de torcedores. Após convencer uma cidade a liberar, o Flamengo tentará obter aval da Conmebol para um estádio e analisará as regras sobre vacinados e testados no jogo. Haverá pouco mais de uma semana para organizar tudo pois o time enfrenta o Defensa Y Justicia nesta quarta-feira (14).

O Atlético-MG fará a mesma análise pois já sabe que Belo Horizonte não liberou público. A operação é considerada bem difícil para ter público contra o Boca Juniors, pelas oitavas de final, pelo pouco tempo.

O São Paulo terá um jogo já esta semana, e portanto, era impossível conseguir preparar uma presença de público.

Rodrigo Mattos