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Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

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CBF fica com parte dos prêmios de vice da Libertadores do Santos por dívida

                                 Santos perdeu a decisão da Libertadores para o  Palmeiras no último sábado (30) no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.                               -                                 SILVIA IZQUIERDO/POOL/AFP
Santos perdeu a decisão da Libertadores para o Palmeiras no último sábado (30) no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Imagem: SILVIA IZQUIERDO/POOL/AFP
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

26/05/2021 04h00

A CBF reteve parte dos prêmios da campanha de vice-campeão da Libertadores do Santos para pagar uma dívida do clube com a entidade. O valor total do débito era de R$ 10,3 milhões e foi contraído pelo ex-presidente santista Orlando Rollo. Agora, a pendência está quitada.

A informação consta do balanço do Santos de 2020. Pelo documento, o Santos tinha um débito de R$ 10,289 milhões ao final do ano. A maior parte do valor foi tomada em empréstimo durante a temporada passada já que a dívida com a entidade era de R$ 1,8 milhão em 2019. Está registrado no passivo do balanço do clube.

No início de outubro, Rollo foi à sede da CBF para uma reunião com o presidente da CBF, Rogério Caboclo. Saiu de lá com a promessa de uma ajuda financeira da entidade que veio por meio de um empréstimo. Poucos dias depois, o clube conseguiu suspender o bloqueio de contratações de jogadores após quitar valor de dívida com o Hamburgo pela contratação do zagueiro Cléber.

Pois bem, o dinheiro repassado pela CBF era, na verdade, uma antecipação de cota da Libertadores-2020, de acordo com o balanço do santista. Na época, não se sabia até que fase iria o Santos. Mas o clube teve sucesso e chegou à final e foi vice-campeão. Só o prêmio pelo segundo lugar já é de US$ 6 milhões, isto é, R$ 32 milhões.

Uma parte deste dinheiro foi usada para quitar o débito com a CBF, segundo apurou o blog. As cotas da Libertadores já são pagas por meio da confederação, a Conmebol deposita o dinheiro para a entidade que repassa para os clubes. A CBF só precisou reter uma parte do dinheiro.

A assessoria de Orlando Rollo disse que houve uma antecipação de receita que fora obtida ainda na sua gestão. Isso porque a Conmebol demora 45 dias para pagar as cotas da Libertadores e este valor foi antecipado pela CBF. O dinheiro foi usado para pagar pendências salariais com o elenco.

Além da antecipação da cota da Libertadores, havia outra antecipação de R$ 8,8 milhões referentes a cotas do Campeonato Paulista de 2021. Cada clube grande tem dinheiro a um total de R$ 30 milhões por edição do Estadual. Esse dinheiro, portanto, também já foi descontado.

O clube ainda tinha uma antecipação com a Globo (R$ 2,3 milhões), além de empréstimo bancário que usava como garantia dinheiro do Brasileiro-2021.

Questionado sobre a quitação da dívida com a CBF, o Santos não retornou mensagens do blog.

Rodrigo Mattos