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Rodrigo Mattos

Prêmio da Libertadores aumenta 1.300% na década e se torna maior da América

Final da Libertadores da América acontecerá no dia 30 de janeiro, no Maracanã - GettyImages
Final da Libertadores da América acontecerá no dia 30 de janeiro, no Maracanã Imagem: GettyImages
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

17/01/2021 04h00

Quando foi campeão da Libertadores em 2011, o Santos levou um prêmio em torno de US$ 2 milhões - seriam R$ 5,7 milhões em valores corrigidos pela inflação. Se conseguir bater o Palmeiras em 2020, na final do Maracanã, a agremiação santista levará US$ 15 milhões (R$ 79,3 milhões) pelo título.

O exemplo acima serve apenas para ilustrar o salto de valores da Libertadores nesta década. Obviamente, pode ser o Palmeiras o ganhador da premiação já que não há favorito na decisão. Fato é que o vencedor levará o maior prêmio do continente no futebol, acima inclusive das competições nacionais.

Nesta temporada, a Copa do Brasil dará ao campeão R$ 54 milhões. Enquanto isso, o Brasileiro vai gerar R$ 33 milhões ao primeiro colocado. Lembremos que todas essas "premiações" são na verdade pagamentos pelos direitos de televisão que são cedidos pelos clubes à Conmebol, à CBF e à Globo.

Mas a pergunta pertinente é: como houve um salto tão significativo do valor pago ao campeão da Libertadores em uma década? Esse é um caso em que a corrupção teve o maior peso no montante ínfimo que era pago aos clubes pela Libertadores há oito, dez anos.

Lembremos que a investigação de autoridades dos EUA encontrou um esquema envolvendo ex-dirigentes brasileiros e da Conmebol que recebiam polpudas propinas em troca de contratos de direitos de televisão. Entre os acordos, estavam a venda dos direitos da Libertadores para televisão e patrocínio.

Foram acusados três ex-presidentes da CBF, Ricardo Teixeira, Marco Polo Del Nero e José Maria Marin. E foram denunciados três ex-presidentes da Conmebol, Nicolas Leóz, Eugenio Figueredo e Juan Angelo Napout.

Os direitos eram vendidos por pechinchas em relação ao valor da competição. Uma empresa obscura em um paraíso fiscal (T&T) detinha todos os direitos e os revendia. Para se ter ideia, a Globo pagava pouco mais de US$ 10 milhões por ano pela Libertadores. Os clubes brasileiros não paravam de reclamar dos valores recebidos pelas suas participações.

Quando estourou o caso Fifa em 2015 e 2016, entrou uma nova administração da Conmebol, com Alejandro Dominguez. Foram feitas concorrências para os novos contratos. Logo de cara, a Globo passou a pagar US$ 60 milhões a partir de 2019, em contrato que depois foi rompido e que dava menos direitos à emissora do que em 2012.

Houve ainda um plano comercial para desenvolvimento da competição que incluiu mais times brasileiros, uma final única, entre outros pontos.

Em paralelo, foram aumentando as premiações da Libertadores. Ainda estão longe da Champions League e provavelmente nunca as alcançarão. Mas, em dólares, o valor para o campeão já representa quase oito vezes mais do que aquele de 2012.

Para completar, os problemas da economia brasileira inflaram o câmbio. Com isso, a premiação da Libertadores se tornou superior às nacionais. Enfim, a competição sul-americana, agora, compensa tanto pelo prestígio do título quanto pela parte financeira.

Rodrigo Mattos