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Será que o sarrafo no Brasil continuará alto com Jesus fora do Flamengo?

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

18/07/2020 04h00

A temporada vitoriosa do Flamengo com Jorge Jesus mudou a forma como se pensava o futebol brasileiro. Ao lado de Jorge Sampaoli, o treinador mostrou que era possível ganhar de forma mais ofensiva e intensa, e não na rotina a que nos habituamos. Como se diz por aí, subiu o sarrafo da avaliação do jogo no país. Mas isso é suficiente para uma alteração de rumo a longo prazo?

Bem, no Flamengo, haverá uma busca por um treinador estrangeiro -preferencialmente europeu, e talvez sul-americano - com uma postura que se adapte a forma corajosa do time rubro-negro.

Como mostrou o colega Carlos Eduardo Mansur, em "O Globo", será uma contratação difícil pelo perfil do time de Jesus. Não são tantos os técnicos disponíveis que sabem reproduzir sua defesa em linha alta, seu time com pressão na marcação, as variações de posições, os deslocamentos constantes. Há similares, iguais, nem tanto.

Mas, hoje, os torcedores e dirigentes rubro-negros estão convencidos de que não há outro caminho. Mas e os outros clubes? Por enquanto, o que se vê são os torcedores de outras equipes festejando a saída do treinador português, o que é compreensível pela rivalidade.

Houve uma onda de contratações de estrangeiros após o sucesso de Jesus e de Sampaoli. Além disso, clubes como o Corinthians buscaram técnicos com jogo mais moderno como Thiago Nunes. Nem todos vão obter, no entanto, resultados igualmente vitoriosos. E, como se sabe, por aqui só o que conta a vitória, imediata, rápida.

O Flamengo seguirá favorito ao Brasileiro pelo seu elenco, mas já não há aquela estabilidade de time que larga vários corpos na frente. Será preciso reconstruir com o novo técnico, e isso às vezes leva tempo. A adaptação mágica de Jesus é exceção, não regra.

Então, qualquer vitória na Série A que não reforce a ideia de jogo de Jesus e de Sampaoli (que não é igual, mas é similar na coragem) a colocará em questionamento ao final da temporada. Lembremos: um ano antes, o Flamengo estava apostando em Abel Braga porque um modelo que se aproximava do que dera certo com Felipão no Palmeiras.

Para o sarrafo do futebol brasileiro continuar alto, portanto, será preciso que o time vitorioso na temporada continue a ser um que exiba um futebol ofensivo, intenso, moderno. Por que, como sabemos em todos os campos, o Brasil vira e mexe gosta de regredir. Ou de botar o sarrafo lá para baixo.

Blog do Rodrigo Mattos