PUBLICIDADE
Topo

Blog do Rodrigo Mattos

Texto do veto à venda de mando de campo gera desconforto entre times e CBF​

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

07/03/2020 04h00

O Conselho Técnico dos clubes aprovou o veto à venda de mando de campos no Brasileiro-2020 da Série A. A redação do artigo, no entanto, gerou um debate entre times e a confederação sobre se refletia exatamente a decisão dos times. Ao final, os dirigentes aceitaram o formato dado pela confederação ao texto.

Na quinta-feira, dia 27 de fevereiro, a maioria dos clubes aprovou o veto total à venda de mando de campo. A proposta foi feita pela própria CBF. Naquela ocasião, a reportagem ouviu de dirigentes da confederação e de alguns clubes de que haveria ressalva para alguns casos desde que não configurasse inversão de mando de campo. Não estava definida ainda como seria a redação.

No dia 3 de março, foi publicado o regulamento. O texto prevê exceção desde que respeitadas as condições do parágrafo único do artigo 22 que visa evitar inversão de campo. Aqui a redação do texto:

"O clube que queira deslocar partidas para outras praças deverá, com 30 (trinta) dias de antecedência, demonstrar que, de maneira nenhuma, esta prática representa: (i) prejuízo ao equilíbrio técnico da competição; (ii) prevalência do interesse econômico particular do clube, em detrimento dos aspectos técnicos da competição; (iii) prejuízo da presença dos torcedores do clube mandante no estádio escolhido; (iv) privilégio de qualquer natureza em favor do clube adversário, como inversão ou comercialização do mando de campo; entre outros aspectos a serem avaliados pela DCO."

Antes disso, no sábado, dia 29 de fevereiro, o presidente da CBF, Rogério Caboclo, se encontrara como governador de Brasília, Ibaneis Rocha, que foi discutir a situação do estádio de Brasília após a decisão. Uma nota oficial do governo do DF afirma que seu objetivo foi que os "critérios fossem melhor esclarecidos para não prejudicar aqueles que apoiam o bom futebol e que buscam a valorização das arenas construídas quando da realização da Copa do Mundo no Brasil."

Esse encontro e a redação do texto geraram discussão entre os clubes. Pelo menos três dirigentes ouvidos pelo blog se mostraram incomodados com o tema. O primeiro questionamento era o temor de que um político pudesse interferir na regra. A CBF nega de forma peremptória que isso tenha acontecido.

Outro questionamento de um dirigente de clube foi que a votação previa um veto total da venda sem exceções. Mas essa posição não é um consenso. Por que outro cartola ouvido pelo blog entendeu que, sim, os clubes poderiam mudar o local do seu mando desde que fosse para um local com sua torcida majoritária, sem caracterizar a inversão.

A CBF sustenta que, durante a reunião, Caboclo deixou claro que a regra seria escrita com exceção. "O que estava aprovado era o veto à venda do mando de campo com ressalva. Não houve nenhuma modificação no que foi aprovado", afirmou o diretor de competições da CBF, Manoel Flores.

Discussões entre dirigentes da CBF e de clubes se estenderam pela quinta-feira, mas, a princípio, não haverá um questionamento à redação final ao texto do regulamento. Essa redação será mantida.

Blog do Rodrigo Mattos