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Por que briga da Conmebol com a Fifa aproxima seleção brasileira da Europa

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

05/03/2020 11h11

Há uma disputa no mundo político do futebol entre Conmebol e UEFA contra a Fifa que se desenrola desde o ano passado e se acentuou em 2020. Por conta disso, há negociações entre as duas confederações continentais para torneios entre os times nacionais dos dois lados. Isso facilitaria a vida da seleção brasileira que tem jogado menos com equipes europeias após a criação da Nations League.

A briga começou quando o presidente da Fifa, Gianni Infantino, articulou o novo Mundial de Clubes excluindo da discussões as confederações continentais. A partir daí, o presidente da UEFA, Aleksander Cerefin, fez discursos de ataque, e o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, ficou bastante contrariado. Em fevereiro, a temperatura esquentou com a confederação sul-americana indignada pela Fifa tirar uma reunião de cúpula do Paraguai: foi visto como falta de respeito.

De saldo desse imbróglio, a UEFA e a Conmebol negociam torneios conjuntos de seleções. Um deles seria uma competição entre o campeões e vices da Copa América e da Euro, prevista para o março de 2022, após as eliminatórias da Copa.

A outra discussão seria inserir times sul-americanos, principalmente Brasil e Argentina, em uma Nations Cup compartilhada entre os dois continentes. Isso só poderia acontecer depois da Copa de 2022 já que a UEFA tem contratos até lá para sua Nations puramente europeia.

As duas alternativas representariam uma solução para um problema que afeta a seleção: a Nations da Europa dificulta a seleção jogar contra adversários mais fortes do continente europeu por falta de datas. Isso atrapalha a preparação do time de Tite.

É verdade que a CBF argumenta que houve, sim, uma oportunidade por exemplo de jogar com a Alemanha. A entidade brasileira discutiu datas, chegou a marcar um jogo para setembro, mas a federação alemã recusou no final.

Além de voltar a jogar com times europeus, a seleção também passaria a gerar uma nova fonte de renda já que as competições europeias têm sido bem mais lucrativa do que as sul-americanas. Há uma sensação entre dirigentes sul-americanos de que é uma janela de oportunidade essa aproximação com a Europa. Além dos torneios de seleção, está sendo discutida a volta do Intercontinental de clubes, com disputa entre times campeões dos dois continentes, o que concorreria com o Mundial da Fifa.

Certo é que, na reunião da UEFA nesta terça-feira, ficou claro que está cada vez pior o clima entre a entidade e a Conmebol com a Fifa. Cereferin fez um discurso duro em que fala que a organização do futebol deve pensar no "propósito acima dos lucros". Era um recado ao presidente da Fifa Infantino e a clubes grandes europeus por articularem torneios como o Mundial de Clubes e uma Superchampioins apenas considerando times de elite europeia. Infantino estava na primeira fila ouvindo o discurso.

Neste cenário, a tendência é, portanto, um fortalecimento da relação entre cartolas europeus e sul-americanos, e como consequência uma aproximação de times e seleções dos dois lados.

Blog do Rodrigo Mattos